Segunda parte: PCLinuxOS 2010

A distribuição em si vem em um único live CD, que abre com um menu de inicialização do GRUB. A tela do GRUB oferece aos usuários a capacidade de inicializar normalmente no ambiente live, em um console ou em vários modos de segurança, e ainda realizar uma verificação de mídia. Menus adicionais na parte inferior da tela oferecem suporte a mais idiomas, resoluções de tela e opções do kernel.

A inicialização no ambiente live apresenta ao usuário um desktop KDE de tema azul. As senhas de contas de convidado e root são exibidas no topo da tela, e o menu de aplicativos é exibido no estilo clássico do KDE. Os ícones do desktop oferecem atalhos para a linha de comando, para as pastas de usuário e para o instalador do sistema. Na barra de tarefas há ícones que oferecem ao usuário links para várias ferramentas de configuração do dekstop e do computador (já vamos tratar das diferenças entre elas). Também há atalhos para navegação nos arquivos do usuário e para iniciar o gerenciador de pacotes.

O instalador começa pedindo ao usuário que particione o disco rígido. O editor de partições tem uma abordagem interessante, na qual quase todos os controles são botões ou controles deslizantes. Levei um tempo para me acostumar a isso, mas o layout deve agradar aos usuários menos experientes. Após o particionamento do disco, o instalador formata a unidade e copia os arquivos necessários do CD. Isso aconteceu sem confirmação alguma, o que me surpreendeu, já que geralmente o instalador avisa ao usuário que vai apagar os dados da partição. Depois de concluído o processo de cópia, o instalador pede ao usuário que configure o gerenciador de inicialização. Depois disso, o instalador ficou um minuto parado, e finalmente exibiu uma tela me pedindo para desligar o computador.

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Quando o computador inicializa o sistema operacional pela primeira vez, o PCLinuxOS pede ao usuário que defina uma senha para a conta de root e crie uma conta de usuário comum. Em seguida, o sistema segue com uma agradável tela de login.

A distribuição vem com um menu completo de aplicativos, incluindo ferramenta para compactar arquivos, editor de textos, gravador de CD e um pacote completo de jogos do KDE. Temos também o GIMP, um visualizador de documentos, Firefox, Kmail, programa de mensagens instantâneas, ImageMagick, organizador pessoal, music player e vídeo player. O OpenOffice não vem instalado, mas há uma ferramenta que baixa e instala a suíte de escritório. É interessante observar que o PCLinuxOS não adota a abordagem “um aplicativo por tarefa”. Por exemplo, há três ferramentas para manipular imagens, três gerenciadores se arquivos (se você incluir o Konqueror) e vários clientes de mensagens instantâneas. Todos eles funcionam, mas alguns (como o gerenciador de arquivos emelFM) não têm um visual moderno e integrado. O PCLinuxOS vem equipado para lidar com a maioria dos codecs de áudio e vídeo, além do Flash, dando aos usuários uma gama completa de software multimídia sem exigir downloads adicionais.

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Com todo o software que acompanha o PCLinuxOS, sem falar no KDE, era de se esperar que a distribuição consumisse muitos recursos do computador. Mas não foi o caso. A distribuição roda muito bem com 512 MB de memória, e continua funcionando redondinho até com 256 MB. Além disso, o PCLinuxOS ocupa menos de 3 GB de espaço em disco, o que o torna adequado a uma ampla variedade de computadores. Nos meus testes com o PCLinuxOS, usei um computador desktop genérico com CPU de 2,5 GHz, 2 GB de RAM e placa de vídeo nVidia. Também usei meu laptop HP, com CPU dual-core de 2 GHz, 3 GB de RAM e placa de vídeo Intel. Para testar o uso da distro com menos recursos, eu a instalei em um ambiente virtual do VirtualBox. A distribuição cuidou bem do meu hardware. Tudo funcionou conforme eu esperava no desktop. A detecção do hardware do meu laptop também correu bem. A placa de rede sem fio Intel foi detectada, o touchpad foi configurado corretamente e o som e o vídeo funcionaram bem. O único tropeço foi com meu modem de internet móvel Novatel – o gerenciador de rede o detectou, mas tive que fazer uns ajustes para que o modem funcionasse.

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Como eu já disse, há duas ferramentas principais de configuração: uma se chama Configure Desktop (e configura o desktop), a outra Configure Computer (e configura o computador). O lançador do Configure Desktop abre o aplicativo de Configurações do Sistema do KDE. Nele, o usuário pode configurar todos os aspectos do seu ambiente de trabalho, aprimorando o sistema de acordo com suas preferências. Os itens incluídos vão dos efeitos de desktop às conexões de rede, passando pela hora do sistema. O aplicativo de Configurações do Sistema também lida com algumas configurações específicas do PCLinuxOS, como configuração do firewall, gerenciamento de pacotes, manutenção de contas de usuário, compartilhamento de pastas e auditoria dos logs do sistema.

A outra ferramenta, Configure Computer, é um link para um Centro de Controle do Mandriva com outro nome. No Centro de Controle o usuário pode configurar quase todos os aspectos do sistema, gerenciando as contas de usuário, instalando pacotes, configurando o firewall, compartilhando pastas, gerenciando partições de disco e instalando impressoras. Como você já deve ter imaginado, as duas ferramentas de configuração às vezes se encontram, e alguns módulos das Configurações do Sistema se conectam diretamente a componentes do Centro de Controle. As duas ferramentas são muito amigáveis, e se saem bem em orientar o usuário pelas categorias em busca das opções que ele deseja alterar.

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O PCLinuxOS usa o gerenciador de pacotes Synaptic para gerenciar os arquivos RPM do projeto. Pode parecer uma combinação esquisita, mas de modo geral a ideia funciona bem. A distro conta com 12 mil pacotes em seus repositórios, com uma ampla oferta de software popular para seus usuários finais.

O PCLinuxOS também se sai bem na segurança. O sistema exige que o usuário defina uma senha de root e crie uma conta de usuário comum. Não vi nenhum serviço de rede rodando por padrão, e nada me pareceu preocupante. Por padrão, os diretórios home dos usuários ficam abertos, mas os usuários que quiserem mais privacidade podem mudar isso facilmente.

O PCLinuxOS é um sistema operacional bom e sólido, e não há muito a se criticar. O único problema que eu tive foi ao tentar configurar o firewall antes de verificar se havia atualizações para o software. O firewall precisava de um pacote chamado “shorewall”, que não foi incluído na instalação padrão. A ferramenta de configuração não encontrou o pacote, já que eu não havia atualizado a lista de pacotes do repositório. Depois que rodei o Synaptic, consegui configurar o firewall sem maiores problemas.

Obviamente, esse pequeno detalhe só mostra como eu vi poucos motivos para reclamar ao usar a distribuição. Porém, é bom mencionar que o PCLinuxOS originalmente baseava-se no Mandriva, que regularmente apresenta grandes lançamentos, e essa conexão tira um pouco do brilho da experiência do PCLinuxOS para mim.

Analisada por si só, a distro é um ótimo produto. Mas eu acho que quando as duas distros são postas lado a lado, o Mandriva projeta uma sombra enorme sobre o PCLinuxOS. Se formos comparar os sites dos dois projetos, ou a interface gráfica de seus gerenciadores de pacotes, ou a documentação ou o software pré-instalado, me parece que o Mandriva é mais bem acabado e tem um estilo mais integrado. Acho que um ponto no qual o PCLinuxOS realmente se destacou do Mandriva foi no desempenho. O sistema operacional usou menos memória e rodou visivelmente mais rápido no meu hardware do que no Mandriva 2010. Para quem quer um sistema completo, o PCLinuxOS pode ser a distribuição ideal para uma ampla variedade de máquinas.

Créditos a Jesse Smithosnews.com

Tradução por Roberto Bechtlufft <info at bechtranslations.com.br>

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