Breve análise do openSUSE 11.3

Taking a Look at openSUSE 11.3

Autor original: Jesse Smith

Publicado originalmente no: distrowatch.com

Tradução: Roberto Bechtlufft

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O projeto openSUSE já tem 16 anos (incluindo mudanças de nome), uma idade respeitável para uma distribuição Linux. Em sua história, ele passou por muitas mudanças e experimentou diversas abordagens diferentes. Distros vêm e vão, com muita pompa e circunstância, mas o openSUSE foi progredindo no seu ritmo, geralmente sem muito alarde. A versão mais recente, a 11.3, foi lançada no meio de julho, e decidi dar uma olhadinha nela. Já faz algum tempo desde que instalei pela última vez o openSUSE nos meus computadores, e fiquei curioso em ver o rumo que as coisas estavam tomado.

A maior parte do site do openSUSE é composta de um wiki bem organizado. A navegação é fácil e as páginas bem apresentadas, com agrados visuais sutis e um bom estoque de informações. O projeto também gerencia várias listas de discussão, um fórum, um canal de IRC comunitário, muita documentação para o sistema e uma base de conhecimento.

Esta versão da distro vem em diversas edições. Temos DVD tudo em um, live CD com o GNOME e live CD para os fãs do KDE. Também há opções para instalação via rede. Cada uma dessas opções está disponível para computadores de 32 e 64 bits, tanto para download direto quanto via bittorrent. Para os meus testes, escolhi o live CD de 32 bits do KDE.

O CD carrega o menu de inicialização, onde o usuário pode escolher entre rodar o ambiente live de desktop, o instalador ou a verificação da mídia. Abaixo do menu há opções para acesso à documentação e ajustes nos parâmetros do vídeo e do kernel. Escolhi o ambiente live, e surgiu a tela de inicialização gráfica com um ícone de lagarto e uma barra de progresso. Depois que o KDE carregou, apareceu a tela de boas-vindas com algumas informações sobre o projeto e links para obter ajuda e consultar a documentação do KDE. Quando a tela de boas-vindas é fechada, vemos um KDE 4.4.4 com tema verde de muito bom gosto, um punhado de ícones para navegar pelo sistema de arquivos, obter ajuda e disparar o instalador. O CD funcionou bem, e a única coisa interessante que notei foi a grande quantidade de pacotes de software que o projeto conseguiu enfiar no CD. Vamos falar disso já já.

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A tela de boas-vindas do openSUSE

O instalador em si é um dos mais bem acabados que já vi. O visual é simples e agradável, mas traz uma vasta gama de opções avançadas. A primeira página pergunta ao usuário seu idioma e layout de teclado. A licença da distribuição também é apresentada. Na segunda tela, você escolhe o fuso horário e acerta a hora do sistema. O particionamento ocorre na etapa seguinte, e é nele que o instalador do openSUSE brilha de verdade. O gerenciador de partições lida com layouts comuns de disco, RAID e gerenciamento de volumes. Ele também tem suporte a criptografia e montagem de NFS. As telas (e subtelas) são bem dispostas e tornam simples o particionamento em quase todos os ambientes. A maioria dos formatos de sistema de arquivos do Linux estão inclusas, como a família ext2/3/4, JFS, XFS, Reiser e BtrFS. Uma coisa que eu curti muito no instalador é que ele faz sugestões de particionamento com uma partição raiz, uma partição home separada e o swap recomendado, ajudando novos usuários no processo.

A seguir, o instalador solicita a criação de uma conta de usuário comum. O padrão funciona bem, mas os experts podem ajustar as configurações de armazenamento de senhas e métodos de autenticação. Depois o instalador pede uma senha de root e copia os arquivos necessários. Uma vez concluída a instalação, o sistema é reiniciado, surgem mais algumas etapas de configuração (resolvidas automaticamente) e os repositórios de pacotes são atualizados (dá para pular esta etapa).

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O instalador de sistema do openSUSE

Mas vamos falar de hardware. Rodei o openSUSE em dois computadores: um PC genérico com CPU de 2,5 GHz, 2 GB de RAM e placa de vídeo NVIDIA, e um laptop HP com CPU dual-core de 2 GHz, 3 GB de RAM e placa de vídeo Intel. O desempenho foi bom nos dois, e não tive problemas no computador desktop. A resolução da tela foi definida com a configuração mais alta possível, e o som funcionou de primeira. Já no laptop eu tive alguns problemas. Embora áudio e vídeo também tenham funcionado bem nele, minha placa de rede sem fio da Intel não foi detectada. O touchpad funcionou, mas não tratou toques rápidos como cliques do mouse. Também testei a distro em uma máquina virtual do VirtualBox, e o resultado foi acima da média. A distribuição interage bem com o ambiente virtual, e o mouse não precisa ser capturado pela VM. O redimensionamento da tela é dinâmico, e o usuário pode ajustar o desktop do sistema operacional convidado sem ter que fazer logout ou reiniciar o X. Também gostei de ver que o openSUSE roda com apenas 256 MB de RAM. Com essa quantidade de memória, eu fiz login no KDE e lancei o YaST para mudar configurações.

O instalador do openSUSE copiou 3,1 GB de software para o disco local, oferecendo um menu de aplicativos completo logo de tacada. Estão inclusos Firefox 3.6.6, o GIMP, OpenOffice 3.2.1, Kopete, Ktorrent, Kmail, k3b para gravar discos, um player de áudio, um player de vídeo, YaST2 para mexer nas configurações do sistema, Kinfocentre e uma pequena seleção de jogos. Há algumas excelentes ferramentas de acessibilidade, um programa de criptografia e certificados, visualizador de imagens, compactador de arquivos, calculadora e editor de textos. Dentre os itens que ficaram de fora estão os codecs para MP3 e tipos de vídeo populares, e também o Flash. Embora não estejam no live CD, é fácil adicionar esses itens à distro. Quando o player de música padrão (Amarok) é aberto, por exemplo, surge um aviso de que o suporte a MP3 não está instalado. O aviso oferece a opção de instalar os arquivos necessários. Se o software não estiver disponível nos repositórios, o sistema leva o usuário a um site onde ele poderá ler sobre codecs não livres e instalar o repositório extra clicando em um link. Algo parecido acontece com o player de vídeo. O openSUSE tem uma das abordagens mais equilibradas que eu já vi em relação a codecs não livres. Ele evita incluir codecs adicionais na imagem de instalação, mas facilita terrivelmente a vida de quem quiser instalar esses componentes, sem deixar de explicar o porquê deles não terem sido incluídos.

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O Firefox e o Ktorrent em funcionamento

A distribuição está cheia de pequenas coisas que mostram a atenção dada aos detalhes. Por exemplo, quando você usa a bateria do laptop, o gerenciador de atualizações não baixa pacotes novos automaticamente. Se quiser, o usuário pode mudar esse comportamento padrão. Quando o usuário tenta rodar pela linha de comando um programa que não esteja instalado, surge uma mensagem convidando-o a verificar se algum repositório tem o programa desejado, com instruções para a instalação. Há vários serviços em execução por padrão, mas há um firewall instalado, mantendo coisas como o OpenSSH a salvo do resto do mundo.

Uma análise do openSUSE não estaria completa sem falar no YaST, a ferramenta de configuração tudo-em-um do sistema. O painel é bem distribuído, com as categorias organizadas no lado esquerdo e as ferramentas específicas no lado direito. Há uma seção de software, que ajuda o usuário a gerenciar e procurar por pacotes; uma seção de hardware, para informações e configuração de impressoras, scanners e som; uma categoria Sistema para a configuração do gerenciador de inicialização, acerto da data e da hora e backups. Um grupo de ferramentas permite configurar a conexão de rede; outro, a segurança local (como senhas, contas de usuário e configurações do sudo). Em outra seção você pode criar e trabalhar com ambientes virtuais, e ainda há um grupo de utilitários para o AppArmor. Poucas são as distros com um sistema de configuração centralizado tão bom quanto este – talvez a exceção seja o Mandriva. Mas os controles do Mandriva parecem voltados para os novatos, enquanto o YaST pelo visto está focado em usuários mais experientes. O gerenciador de pacotes talvez seja o melhor exemplo disso. Como acontece na maioria dos programas desse tipo, você pode listar os itens instalados ou disponíveis e fazer pesquisas nos repositórios. A diferença é a ampla seleção de filtros e abas para diferentes exibições dos pacotes. Usuários experientes vão ficar impressionados com a variedade de telas, símbolos e operações em massa. Os novatos provavelmente vão se sentir intimidados com as opções e a terminologia usada. Por exemplo, para os novatos não faz sentido ter uma busca que diferencie o uso de maiúsculas e minúsculas, e eles também não devem saber o que é um Grupo de RPM.

Mas há algumas pequenas falhas nesta fantástica joia na coroa do openSUSE. O Assistente de Perfil do AppArmor não rodou no meu computador. Ele exibe uma mensagem de erro útil, mas não segui os passos necessários para fazê-lo funcionar. Achei estranho o servidor SSH vir ativado por padrão e não haver ferramenta do YaST para gerenciá-lo. Há uma ferramenta para servidores de email e utilitários para LDAP, mas não vi nada para o SSH.

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Configuração do sistema e gerenciamento de pacotes.

O projeto openSUSE oferece 18 meses de suporte para a versão 11.3. Quem estiver interessado em um suporte maior pode dar uma olhada no SUSE Linux Enterprise Desktop 11 da Novell, que tem suporte até março de 2016. O projeto openSUSE também oferece uma versão com embalagem da distribuição, incluindo o manual de instruções e a mídia de instalação. Resumindo, há muitas opções para os fãs do SUSE, com boa variedade de preços e níveis de suporte.

Esta nova versão do openSUSE me parece bastante confiável. Alguns problemas de versões anteriores com relação aos codecs foram sanados, e o novo desktop com o KDE é leve e rápido. Acho ótimo que o openSUSE use o Smolt para criar perfis de sistemas, e o YaST é um excelente centro de controle. O trabalho da distro na parte de virtualização é ótimo, e há uma grande variedade de software disponível no CD. A única coisa que eu mudaria tem a ver com o gerenciador de pacotes. A ferramenta do YaST para gerenciar software é eficaz, mas seria bom ter um programa que os novatos pudessem usar com mais facilidade. O Ubuntu é um bom exemplo, com entradas separadas para a Central de Programas, que pode ser usada facilmente por novatos, e para o Synaptic, que é mais avançado. Na minha opinião, a forma com o Linux lida com os pacotes de software é um dos pontos mais fortes do sistema, e é importante que as pessoas não tenham medo de mexer com isso. De modo geral, o openSUSE 11.3 é uma ótima versão, provavelmente a melhor que já vimos o projeto lançar.

Créditos a Jesse Smithdistrowatch.com

Tradução por Roberto Bechtlufft <info at bechtranslations.com.br>

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