Napster, Emule e Ares: relembrando o boom do compartilhamento de MP3 (e de muitos vírus) na internet

O que as músicas “Bring Me to Life”, do Evanescence, “In The End“, do Linkin Park, e “Epitáfio“, do Titãs, têm em comum? Bom, pra mim, o seguinte: eu baixei todas elas usando softwares P2P em meados dos anos 2000.

Você lembra desses programas? Eles foram uma verdadeira sensação num mundo ainda distante da facilidade de plataformas de streaming como o Spotify que temos hoje. Nomes como Napster, Emule, Ares e Kazaa estão entre os mais lembrados de softwares P2P que alavancaram a prática de baixar arquivos pela internet, numa época em que muita gente (incluindo eu) ainda tentava entender o que realmente era a web, internet, discadores, e o que significava “estar conectado surfando na rede”.

Naquela época, muita gente nem sabia que esses downloads eram ilegais, levando em conta os direitos autorais dos artistas. A internet tinha um contexto ainda maior de “navegação sem restrições”, uma espécie de mundo alternativo.

A disseminação de uma rede descentralizada para a distribuição de conteúdo ganhou enorme visibilidade com o caso Napster.

Napster, o pioneiro

napster historia da primeira plataforma de downloads de musicas

O Napster é fundamental para entender a transformação da internet em relação à disseminação de conteúdo. A plataforma permitia acesso a um vasto catálogo de músicas para download. Criado em 1999 por Shawn Fanning e Sean Parker, o Napster foi um pioneiro no compartilhamento de arquivos via P2P.

Mas o que diabos é P2P? Vamos a ele!

P2P (Peer-to-Peer)

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O peear to peer, P2P ou ponto a ponto é uma forma de transmissão que os participantes atuam como clientes e servidores ao mesmo tempo. Não há um servidor central responsável pelo compartilhamento. A ideia é fortalecer o efeito colaborativo: quem tem o arquivo o compartilha com os outros na rede, e o Napster, como software, era esse elo.

Você pode estar pensando: “Ué, isso aí não é o Torrent?” Há similaridades, mas no P2P tradicional, a transmissão dos arquivos ocorre de forma integral, de um ponto para outro. No Torrent, os arquivos são fragmentados e enviados a partir de diversos pontos da rede.

Essa característica do P2P gerava frustrações. Eu, por exemplo, estava lá com meu AMD Sempron 2600+, monitor CRT, 256 MB de RAM e Windows XP, fazendo um download no eMule, outra opção P2P. O arquivo demorava horas pra baixar, e de repente, era interrompido antes da conclusão. O outro ponto da rede (ou seja, o computador de onde eu estava baixando) simplesmente saía do ar. Talvez a pessoa tenha desligado o PC e foi pra rua? Provável.

Napster x Metallica

Voltando ao Napster, ele fez enorme sucesso, principalmente nos Estados Unidos. Em 2000, ultrapassou 30 milhões de usuários, mas também gerou polêmica. O Metallica processou o Napster alegando violação de direitos autorais, e uma demo de “I Disappear”, faixa que fazia parte da trilha sonora do filme Missão Impossível 2, foi vazada e tocada em estações de rádio. Adivinha onde que conseguiram a música antes do lançamento? Napster.

Na época, a banda alegou que estava tendo um prejuízo de US$ 10 milhões devido ao Naspter. Lars Ulrich, baterista do Metallica, chegou a afirmar que o “intercâmbio de músicas pela Internet era uma espécie de tráfico de mercadorias roubadas”.

A decisão do processo gerou uma onda gigantesca de críticas ao Metallica, algumas bandas chegaram a se posicionar contra a decisão, como o Motley Crue. O famoso litigio, que culminou no fechamento do Napster em 2001, abriu a verdadeira caixa de pandora da disseminação de conteúdo na internet. É perfeitamente possível afirmar que o alcance da pirataria na web é um pré-Napster e outra pós-Napster.

Softwares P2P pós-Napster

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Nunca usei o Napster, tive contato somente com com Emule, Ares e o Kaaza. Também cheguei a utilizar por pouco tempo o Lime Wire. Softwares que mantinham a filosofia do que era o Napster no início, e que começaram a surgir na internet por volta de 2002/2003 (ano que surgiu outro nome famoso no mundo dos downloads, The Pirate Bay).

Além de músicas, era possível baixar programas, filmes, arquivos em geral. No meu caso, baixava apenas músicas mesmo. Arquivos MP3 que eu colocava no meu MP3 Player que era uma cópia do iPod Shuffle. Músicas piratas num player pirata. E claro que também eu ouvia as faixas no PC curtindo as animações do Windows Media Player.

Muitas dessas faixas tinham uma qualidade de audio assombrosa, mas nem ligava pra isso. Realmente outros tempos.

Usar esses softwares era tão comum quanto acessar os sites da internet. Era algo que estava diretamente ligado com a ação de se conectar.

Os softwares apostavam numa interface simples, e o modo de uso também era bem fácil. Além da disponibilidade dos arquivos reais, esses programas eram um verdadeiro celeiro para vírus. Você pensava estar baixando ums coisa e se deparava com uma surpresa nada agradável no final.

A amplitude de tudo que relatei aqui está diretamente proporcional a sua idade. Se você tem mais de 30 anos entende perfeitamente o fenômenos que foram esses programas, disseminados numa época em que nos preocupávamos quanto tempo ficavamos conectado na internet com medo do valor que viria de conta telefônica.

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Editor-chefe no Hardware.com.br/GameVicio Aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
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