Os desafios para a montagem do PC desktop perfeito

Os desafios para a montagem do PC desktop perfeito

Qual é o melhor processador para comprar? E a placa-mãe, que modelo eu deveria escolher para satisfazer melhor as minhas necessidades? Quantos GB de memória RAM vou precisar para rodar alguns joguinhos casuais? Será que deverei adquirir uma placa de vídeo potente? 250 GB vão dar para o gasto? Sei que o leitor óptico para DVDs está ficando obsoleto, mas ainda assim, não estou interessado em pagar tanto por um drive Blu-Ray…” – [Mais um cliente interessado em ter o “melhor PC desktop”].

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Gabinetes arrojados e interessantes sempre atraem consumidores…

No meu ponto de vista, montar PCs desktops é uma das atividades mais interessantes a serem feitas por um técnico em informática. Mas não se iludam, pensando nas dificuldades técnicas (muito pelo contrário): tal desafio se dá, devido à flexibilidade que temos em escolher os componentes. Estes, deverão ser selecionados de acordo com as necessidades e preferências do cliente, levando-se também em consideração a boa relação custo-benefício, sem contar ainda quanto a certos aspectos estratégicos (os quais veremos detalhadamente adiante). Enfim, o verdadeiro desafio para o técnico está na tarefa de montar “o PC desktop perfeito para o cliente”!

Técnicos que montam PCs, existem aos montes (se pressupondo que eles saibam realmente montar PCs); mas, profissionais especializados em executar este serviço, mas com o perfeccionismo tal que, além de deixar o cliente satisfeito, atende as suas necessidades com a melhor relação custo-benefício possível, são poucos! E o mais importante: todos os elementos – peças e acessórios – que irão compor o PC deverão estar na mais absoluta harmonia e equilíbrio, sem os excessos e as deficiências que condenem o projeto à médio e longo prazo.

Por exemplo, já cansei de encontrar PCs que são dotados de CPUs relativamente poderosas, mas montados em conjuntos precários, onde a baixa qualidade da placa-mãe condena o projeto, independente do nível as demais peças. Nestes casos, a recomendação é seguir as dicas do Morimoto: “a maior parte dos problemas de instabilidade e travamentos são causados por problemas diversos na placa-mãe, por isso ela é o componente que deve ser escolhido com mais cuidado. Em geral, vale mais a pena investir numa boa placa-mãe e economizar nos demais componentes, do que o contrário.” Em tempo: não deixem de ler este maravilhoso artigo (além do bom conteúdo, irá me poupar a ponta dos dedos)…

Outra falha grotesca é dimensionar um conjunto bem equilibrado, mas colocá-lo em um gabinete de quinta categoria, com ventilação deficiente e uma fonte de alimentação de baixa qualidade.

Se o cliente deseja ter um PC de boa qualidade, com excelente estimativa de vida útil e sem os percalços causados por componentes avariados, eles deverão cogitar a aquisição de uma boa fonte de alimentação (e o técnico deverá estar presente, para dar boas recomendações). Atualmente, boas fontes de alimentação são componentes relativamente baratos, que trarão uma economia considerável na conta de luz (se optarem por modelos energicamente eficientes), além de garantir aos seus donos uma proteção maior contra as variações de tensões no fornecimento de energia elétrica, atenuando-as (como é o caso das fontes dotadas de PFC ativo).

Temos também os PC problemáticos, onde o desconhecimento das especificações técnicas dos componentes resultem em uma série de incompatibilidades e travamentos. Por exemplo, certos módulos de memória são particularmente problemáticos com determinados chipsets (especialmente se os módulos forem bem mais novos), o que muitas vezes nos obriga à definir configurações manuais conservadores, para garantir a estabilidade do sistema. Idem para alguns HDs (devido à recursos avançados como modos de transferências rápidos) e certas placas de expansão (que não suportam o compartilhamento de IRQs), entre muitos outros componentes. No geral, tais recursos não são compreendidos por muitos, que se limitam a conectá-los ao sistema, ligar e usar!

Há também aqueles casos em que o profissional até executa com perfeição os seus serviços, mas peca pela falta de intuição: atende às necessidades imediatas do cliente, mas se esquece de que estas pessoas podem ter outras novas necessidades à partir do momento em que começam a explorar mais a computação. Por exemplo, um cenário clássico está na insistência aos pais de família a adquirirem uma aceleradora gráfica 3D, pois mesmo que o PC em questão seja adquirido para fins estudantis, haverá um momento que seus filhos irão se interessar em jogos. HDs com capacidade limitada para os que possuem acesso à banda-larga também não combinam (mesmo que eles jurem que não vão baixar tantos arquivos assim).

E upgrades, já pensaram nisso? Nós, especialista e aficcionados em TI, pensamos praticamente todos os dias nas possibilidades de upgrades disponíveis para os nossos PCs; mas para os usuários comuns, parece não fazer sentido pensar em upgrades justamente quando acabaram de comprar o seu novo PC! Mas um dia, eles farão; portanto, será importante levar em consideração todas as possibilidades possíveis de upgrades, especialmente para a “espinha dorsal”: placa-mãe, CPU e RAM. Nada de optar por arquiteturas próximas da obsolência, por modestas quantidade de bancos e slots, por gabinetes com pouca expansividade, e por aí vai. Querem um exemplo prático? Mesmo apostando em placas-mãe micro-ATX para equipar PCs baratos, ao menos não deixem de conferir se ela possui pelo menos 4 bancos de memória RAM, preferencialmente DDR3…

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Por fim, para alguns o fator custo é tão preponderante à ponto de condenar praticamente todo o projeto, com a aquisição de componentes extremamente baratos, mas ineficientes e de qualidade duvidosa. Quem pensou em placas-mãe como as velhas famigeradas PC-Chips, acertou em cheio, assim como as (já condenadas) fontes genéricas, unidades de armazenamento defasadas, CPUs fora de catálogo, entre outras “bombas” do gênero. Se for para gastar o mínimo possível com PCs super-baratos, então não deixe o cliente gastar! Mais para a frente, os problemas e os inconvenientes que surgirão, lhes causarão tantos aborrecimentos que… bem, já sabe, No final desta história, a suposta economia vira um grande prejuízo e a reputação do bom profissional é que vai por água abaixo.

Mas, se porventura o cliente não desejar adquirir PCs de baixa qualidade, mas também não encontra um profissional capacitado para realizar um bom serviço de montagem e configuração, outra possibilidade a ser cogitada está na aquisição de PCs “de grife”. Se a comodidade e outro fator importante a ser considerado, existem as lojas online que fazem um bom serviço. E se querem experimentar algo diferente, bons nettops estão à disposição (desde que estejam equipados com CPUs dual-core Atom e plataforma nVidia ION). Ainda assim, não deixem de recomendá-los a procurar um profissional especializado para analisar se a configuração oferecida atenderá satisfatoriamente as necessidades do cliente.

Estou dramatizando? Não muito, embora eu torça para que a nossa classe – a dos bons profissionais especializados – seja bem reconhecida e que seus integrantes sejam devidamente remunerados pela excelência dos serviços prestados. Não é que eu seja um cara resmungão, mas dói muito ser substituído pelo “cara que saca de informática e que só vai cobrar 50 pratas pelo serviço” (e ficou mais p**** ainda quando a cliente arrependida vêm solicitar nossos serviços depois que ele fez suas cagadas)! Pronto, desabafei! 🙂

Enfim, vamos ao que interessa. A montagem e configuração de um excelente PC desktop não se resume apenas aos conhecimentos técnicos necessários para a execução da tarefa: requer também a percepção, a intuitividade e a observação atenta do profissional, pois embora muitos dos detalhes notados à primeira vista pareçam insignificante, se revelarão importantes atributos que poderão jogar o projeto à lona.

Então, como seria um bom exemplo de um PC desktop perfeito?

Curiosos? Até a próxima! &;-D

Por Ednei Pacheco <ednei.pacheco [at]gmail.com>

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