The Grumpy Editor’s Moblin review
Autor original: Jonathan Corbet
Publicado originalmente no: lwn.net
Tradução: Roberto Bechtlufft
![]() |
Apesar do meu afeto por brinquedos eletrônicos, até agora eu consegui resistir à tentação de entupir ainda mais minha mesa com um netbook. Digo, eu TINHA conseguido resistir. Achei que já tinha passado da hora de dar uma olhada mais atenta no Moblin, e também achei que seria uma boa testá-lo em um netbook, já que o Moblin foi feito para esses computadores. Não demorou muito para que eu adquirisse um Dell “Mini 10v”, que vem com o Ubuntu Moblin Remix instalado. O 10v é uma “gracinha” de sistema, mas é prejudicado pela presença de um chipset Broadcom que não é nem um pouco amigo do software livre. Nem preciso dizer que a versão do Ubuntu que acompanha o hardware inclui o driver binário necessário para que o chipset funcione.
Criou-se um hype enorme em torno da inicialização ultrarrápida do Moblin. Uma rápida verificação com um cronômetro mostrou que o sistema leva 27 segundos da conclusão dos testes do BIOS até o surgimento da tela de login. Certamente isso é um progresso em relação a vários sistemas, mas ainda está longe dos cinco segundos que a equipe do Moblin tem por objetivo. A suspensão e a volta dela são bem rápidas; ao abrir a tampa, temos um sistema funcional em três segundos.
A experiência com o Moblin começa na tela “MyZone”, que contém um calendário e as tarefas pendentes, ícones para alguns aplicativos favoritos, um conjunto de telas de aplicativos executados recentemente e uma área contendo mensagens de amigos online. Quando um aplicativo está em execução, tudo o que está em “MyZone” some, deixando a tela toda para a atividade que o usuário estiver desempenhando no momento. O espaço da tela costuma valer ouro nos netbooks, e o Moblin se esforça para tomar a menor quantidade possível de espaço.
A tela “MyZone” do Ubuntu 9.04 Moblin remix
Um recurso importante da interface do Moblin são as “zonas”. Elas nada mais são do que os desktops virtuais ou espaços de trabalho que os usuários do Linux vêm usando desde antes da existência do Linux. Em uma tela pequena, no entanto, não é muito importante ter mais de um aplicativo na tela ao mesmo tempo, e por isso o Moblin abre cada aplicativo em sua própria zona. Para alternar entre os aplicativos, é preciso mover-se entre as zonas.
Há uma barra de tarefas que pode ser obtida movendo-se o ponteiro até o topo da tela. Uma olhada rápida nessa barra já basta para deixar claras as coisas que os desenvolvedores do Moblin acreditam que seus usuários vão querer fazer. A barra superior do Moblin permite realizar tarefas como mudar seu status online em redes sociais, entrar em contato com seus amigos, abrir o navegador, rodar um media player e acessar o histórico da área de transferência. Há ícones para status de bateria e de rede, outro para trocar de zona e outro para os aplicativos, por onde o usuário deve passar para chegar aos programas que vai usar. Os usuários que compram um netbook para fazer uso intenso do Twitter, assistir a vídeos e acessar umas páginas na internet de vez em quando vão ficar mais do que satisfeitos com o Moblin, mas quem quiser trabalhar no desenvolvimento do kernel provavelmente vai achar esse ambiente um tanto irritante.
Já faz um bom tempo que uso computadores; a ideia de poder instalar um programa sem ter que prensá-lo em cartões primeiro às vezes ainda me soa original. Aos meus olhos, o Moblin parece um brinquedo. Um monte de cores pastéis atacam os nossos olhos. Miniaturas de imagens dançam umas em volta das outras, alinhando-se em fileiras bonitinhas. As janelas de diálogo saltam na tela de um jeito capaz de causar enjoo. É tudo muito bonitinho, alegre e social; o Moblin claramente não foi feito para pessoas que já usam o Linux no desktop há tempos.
A tela inicial do Moblin 2.1
Outra opção que deixa claro que eu não faço parte do público-alvo do Moblin: é a primeira distribuição que encontrei em anos que não vem com um cliente SSH. Esse tipo de problema pode ser resolvido facilmente, já que todo o repositório do Ubuntu pode ser acessado por aqueles que procurarem bem nos menus, mas isso é algo que surpreende.
A máquina chegou com um sistema baseado no Ubuntu 9.04 rodando o Moblin 2.0. É bom dizer que a distribuição tem algumas pontas soltas. O OpenOffice.org abre uma caixa de diálogo com botões abaixo da parte inferior da janela que, por sua vez, se recusa a deixa o usuário redimensioná-la (veja a imagem à direita). O uso de cores no cliente de email às vezes torna impossível ler o texto. Não há favoritos no navegador; aliás, o navegador também acha que os usuários vão querer pesquisar pelo Yahoo. As janelas somem abruptamente da tela, perdendo o trabalho que estava sendo realizado nelas. A página da Dell observa que o sistema ainda é para os usuários que têm mais pressa em usá-lo, e pelo visto é mesmo.
Erro do OpenOffice.org no Moblin Remix do Ubuntu
Vale observar que a versão 9.04 não é a versão atual do Ubuntu, e que a versão 2.0 não é a versão atual do Moblin. Há uma versão mais recente (e ainda inacabada) do Moblin, baseada na versão 9.10 do Ubuntu. A página de download oferece uma imagem de CD dessa versão, aparentemente sem se mancar que muitos netbooks não têm unidades de CD. O Ubuntu tem uma ferramenta (o usb-creator) que cria um dispositivo USB inicializável a partir de uma imagem de CD; é pena que a janela seja bem maior do que a típica tela de um netbook, tornando impossível alcançar botões cruciais. Eu finalmente consegui resolver esse probleminha e criar um dispositivo Ubuntu 9.10 inicializável.
O resultado foi uma instalação muito lenta e marrom, embora com visual melhor, do Moblin. O recurso de instalação de software ganhou mais destaque, e a lista de aplicativos disponíveis cresceu. O Moblin 2.1 não tem suporte à rede sem fio Broadcom que acompanha essa máquina, mas a culpa não é da Moblin. O navegador continua deixando muito a desejar, o que é estranho, já que o Moblin 2.1 trouxe muitas melhorias nessa área. Outra coisa que eu notei nas duas versões do Ubuntu: o consumo de energia parece alto. Rodei o PowerTop, e vi que o sistema apresentava entre 100 e 350 acessos à CPU por segundo, o que não é uma boa maneira de poupar a bateria. O Moblin vai ter que fazer melhor do que isso.
O centro de software do Ubuntu 9.10/Moblin 2.1
Fui direto à fonte: a página de downloads em Moblin.org, que oferece uma imagem que funciona bem a partir de um pendrive. Algumas coisas não evoluíram: ainda leva trinta segundos para inicializar o sistema (mas é bom observar que o uso de um pendrive atrasa um pouco as coisas). Mas 30 segundos é melhor do que os poucos minutos que o Ubuntu rodando do pendrive leva para inicializar, e o sistema responde melhor. E essa versão da distribuição tem algumas melhorias.
Por exemplo, o navegador (um derivado do Mozilla) foi melhorado: agora tem suporte a favoritos, extensões e a um conjunto completo de preferências configuráveis. Essa versão do Moblin vem com seu próprio instalador de pacotes, apoiado no repositório do próprio Moblin; os usuários podem instalar aplicativos reais como o Thunderbird e o AbiWord, mas a seleção de pacotes é bem menor do que a do Ubuntu 9.10. O interessante é que o OpenOffice.org não está disponível para essa versão, o que é de se estranhar, já que vi muita gente exibir apresentações em netbooks neste ano.
O build oficial do Moblin tem maior eficiência energética, mas ainda fica entre 80 e 90 acessos à CPU por segundo, um valor que ainda é alto. Mas o fato é que o Moblin ainda parece um produto inacabado.
De modo geral, essa coisa de netbooks ainda não me convenceu. O tamanho da tela é pequeno demais para que se faça trabalho de verdade, e a proporção da tela não casa com nenhuma tarefa relacionada a textos. O teclado costuma ter o tamanho exato para motivar o usuário a tentar teclar algo nele. E francamente, programas no estilo do Moblin geralmente só atrapalham usuários acostumados à experiência de um desktop Linux completo e que não perde muito tempo no Twitter. Há boas chances do meu netbook acabar rodando uma distribuição Linux mais tradicional.
Mas como eu já comentei, eu definitivamente não faço parte do mercado ao qual esses sistemas são direcionados. Pelo menos ainda não. Algumas mudanças muito interessantes estão acontecendo na área dos computadores para o mercado de consumo, onde a ideia do desktop tradicional parece estar perdendo força lentamente. Há muitas experiências em andamento para a criação de algo melhor; no mundo do software livre, essas experiências têm nomes como Android , Chromium OS, Litl, Maemo e Moblin. O software livre está tentando inovar nesse setor; não se trata de seguir os passos de alguém que veio antes. Portanto, embora o Moblin não seja um sistema para mim no momento, estou muito interessado em ver onde esse projeto vai dar no futuro.
Créditos a Jonathan Corbet – lwn.net
Tradução por Roberto Bechtlufft <info at bechtranslations.com.br>




