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First look at Kubuntu 10.10
Autor original: Susan Linton
Publicado originalmente no: distrowatch.com
Tradução: Roberto Bechtlufft
Desde abril, tinha muita gente ansiosa pelo dia 10 de outubro de 2010. Tudo porque esse dia estava marcado para o lançamento da família de sistemas operacionais Linux Ubuntu 10.10. Embora o Ubuntu convencional ganhe mais destaque, há quem prefira o Kubuntu, que vem com o KDE.
O Kubuntu 10.10 vem com kernel 2.6.35, X.Org 1.9.0, GCC 4.4.5 e KDE 4.5.1. Muitas das novidades e melhorias implementadas no Ubuntu também chegaram ao KDE, dentre elas o instalador reformulado, que pode ser rodado antes do sistema inicializar via live CD ou a partir do desktop. Ele parece mais otimizado e veloz, talvez porque parte do processo transcorra enquanto os arquivos são copiados para o disco rígido em segundo plano. O fuso horário e o layout do teclado são detectados automaticamente (possivelmente com o hwclock), mas você tem que confirmar a seleção. A melhor novidade do instalador talvez seja o fato dele se oferecer para instalar código de terceiros, muitas vezes proprietário, como o Flash ou os codecs para MP3. A inicialização do sistema instalado no disco rígido é mais caprichada, mas a tela do GRUB merece um pouco mais de carinho.
Desktop padrão do Kubuntu 10.10, via live CD
Minhas esperanças de que a interface gráfica tivesse incorporado algumas das personalizações do Ubuntu logo naufragaram. O que temos é praticamente um KDE padrão, ao menos em termos de aparência. Para os usuários de placas NVIDIA, o KDE 4.5.x pode apresentar alguns problemas caso o driver gráfico proprietário da empresa seja usado. O KDE 4.5.x tem problemas notórios com esses drivers, especialmente no uso dos componentes decorativos do Oxygen. O live CD usa o driver Nouveau por padrão, e ele funcionou perfeitamente por aqui. O Nouveau permite configurar a resolução e o uso de dois monitores pelas configurações de sistema do KDE. Para completar, esta versão do (K)Ubuntu tem seus próprios problemas com a NVIDIA, mas dá para acertar editando manualmente o arquivo xorg.conf. Só que mesmo depois de resolvidos os problemas gráficos, o KDE 4.5.x e o X.Org do Kubuntu apresentam uma queda gradual de desempenho, que pode ser aliviada pela reinicialização do KDE/X após alguns dias de uso contínuo.
O que mais me decepcionou foi não conseguir usar o Akregator com minha lista assumidamente longa de feeds RSS. O programa funcionou muito bem com os poucos feeds que acompanham a instalação padrão do Kubuntu, mas sempre que eu tentava importar a minha lista (exportada de outra instalação do Linux com KDE) o programa fechava. Tentar copiar a pasta do Akregator de outra instalação também não deu certo (costuma funcionar em outras distros). Esse processo de exportação e importação da lista de feeds é comum quando se faz uma nova instalação, e fiquei surpreso por não ter funcionado. O Akregator volta e meia trava em todas as distros desde que o KDE 4 se tornou o padrão, mas geralmente dá para confiar na importação e no uso de feeds. Acabei tendo que me adaptar ao Liferea, que tem suas vantagens e desvantagens.
Esses foram os únicos problemas dignos de nota que tive com o Kubuntu 10.10. Outros pequenos aborrecimentos incluem a configuração de HTML padrão do KMail, a notificação apresentada sempre que eu recebo emails, a falta de papéis de parede, temas, ícones e coisas do gênero. A questão dos gráficos pode ser um grande problema para alguns usuários, mas dos problemas que eu mencionei, nenhum chega a estragar a festa. De qualquer maneira, esses problemas me impedem de dizer que o Kubuntu é a melhor distro com o KDE que eu já experimentei. Claro, isso também não significa que seja a pior, o que me deixa naquele meio-termo indesejável que acaba gerando análises entediantes.
Um programa que recebeu melhorias foi o KPackageKit. Os desenvolvedores do Ubuntu estão se esforçando muito para aprimorar a Central de Software do Ubuntu, e o novo KPackageKit reflete esse trabalho. Quando ele é aberto, o usuário encontra ícones e categorias que pode explorar, como escritório, temas e afins. Quando você clica em um ícone, a lista de programas disponíveis é apresentada. Ao contrário do que costuma acontecer, os títulos dos programas que podem ser instalados aparecem em itálico, e os já instalados ficam com a fonte normal. O processo de escolha de um aplicativo é meio estranho: uma seta em movimento indica o aplicativo que tem o foco. Clicar nessa seta marca o aplicativo para instalação. O fundo parece mudar por trás da seta para dar um feedback visual, mas o resultado é muito esquisito. Bom, pelo menos funciona.
Gerenciamento de software com o KpackageKit
O software incluído é focado no desktop KDE. Há aplicativos como KMail, Dragon Player, Kopete, Gwenview e OpenOffice.org. Felizmente, os repositórios de software do Kubuntu parecem bem abastecidos – o que é bom, porque é por meio deles que você vai instalar o GIMP.
O Rekonq é o novo navegador web padrão do Kubuntu. Sua interface é simples, e sua base é o badalado Qt WebKit. A telinha de discagem rápida do Opera (ou “Panorama”, do Firefox), com seus sites favoritos, também marca presença aqui. O Rekonq traz ainda outros mimos modernos, como o suporte a Java e JavaScript, ad block integrado e cache offline. Se você incluiu software de terceiros durante a instalação, ele vai encarar o YouTube numa boa. Eu gosto mesmo é do Konqueror, mas o Rekonq está redondinho. O Firefox pode ser instalado com os scripts de instalação incluídos, bastando um clique do mouse.
O PulseAudio é o servidor de som padrão do Kubuntu. Muita gente reclama do PulseAudio desde que ele foi implementado, mas o único problema que tive foi a falta de um controle de volume em um aplicativo de TV que eu instalei. Nesse caso específico, tive que usar o Alsamixer para controlar o volume. De resto, tudo aparecia no mixer, permitindo o controle individual do volume de cada aplicativo.
Outro recurso útil no Kubuntu é que ele se oferece para instalar codecs na primeira vez em que o usuário tenta reproduzir certos arquivos de áudio e vídeo sem suporte. Algumas distros incluem esses codecs por padrão, outras deixam por conta do usuário, mas o Kubuntu fez a feliz escolha de se oferecer para realizar a instalação facilmente. Para os puristas, é só dizer “não”.
Para completar, uma palavrinha sobre a nova fonte do Ubuntu que o Kubuntu incluiu: maravilhosa. A nova fonte, criada durante o ciclo de desenvolvimento, se sai muito bem. O visual é excelente.
O Kubuntu 10.10 pode não conquistar você, mas parece funcionar muito bem se você não for muito exigente. Eu bem que gostaria de um desktop mais bonitinho e de ver os problemas com a NVIDIA e com o Akregator resolvidos, mas de modo geral a experiência não foi nem um pouco desagradável. Esta é a primeira vez em que uso o Kubuntu por um período razoável, e depois do “passeio” vou seguir para outras distros (mas vou levar a fonte como souvenir). O Kubuntu não deixou lembranças ruins no meu desktop, ele só não me conquistou. Como eu já disse, não foi o melhor desktop que já usei, e nem o pior. Ele fica bem no meio do caminho, e às vezes isso não é o bastante.
Créditos a Susan Linton – distrowatch.com
Tradução por Roberto Bechtlufft <info at bechtranslations.com.br>



