OPINIÃO: GT 710 é a placa de vídeo mais vendida no Brasil, mas há algo ainda mais surpreendente, e não tem a ver com hardware

OPINIÃO: GT 710 é a placa de vídeo mais vendida no Brasil, mas há algo ainda mais surpreendente, e não tem a ver com hardware

Ontem (23) publicamos um artigo com informações exclusivas sobre o panorama de venda de placas de vídeo no Brasil em 2019. O primeiro lugar, entre as mais vendidas, ficou com a já muito antiga GT 710, placa de baixa performance lançada pela NVIDIA em 2016. 

A informação causou uma grande repercussão, recebi diversos e-mails de pessoas falando sobre o tema, e também acompanhei muitos dos comentários que foram postados no site Adrenaline, que repostou a nossa informação.

Com  base no que li cheguei a conclusão de que o fato de uma placa dessa ser ainda a mais vendida no mercado brasileiros não é ponto mais curioso, e sim a reação das pessoas em comentários pela web. A incredulidade e “raivinha” de alguns foi tanta que cheguei a ler que era melhor não ter uma placa do que ter essa, e outras baboseiras do tipo.

Esse tipo de visão, de quem analisa a realidade à sua volta por uma espécie de redoma de vidro em que o que realmente está aconteçando não o atinge, não é uma exclusividade de parte do público cada vez mais maçante que consome conteúdo sobre hardware. 

Uma pesquisa rápida sobre uma análise de um smartphone no Youtube revela nos comentários uma legião de adeptos da chinesa Xiaomi tentando quase que de forma evangelhista “converter” um consumidor que está pensando em comprar um aparelho no Brasil e não importar,  mostrando a ele mil razões sobre o porque da sua escolha ter sido a pior possível.

Alguns o fazem por uma questão de conscientização, tentando mostrar para aquela pessoa leiga no assunto que pode haver outros caminhos, mas a grande maioria é uma metralhadora de ofensas, defendendo de forma errenho a sua queridinha marca ou produto, atitude que é encontrada nos fanboys da mais alta estirpe.

Aqui eu não quero entrar no mérito de o porquê a GT 710 ter sido a placa mais vendida do ano passado, até porque o relatório publicado não engloba só o público gamer, são vendas como um todo, e muitas empresas podem usar placas como essa para utilizar configurações multi-monitores ou qualquer outra coisa do tipo. 

Evidentemente que também há o fato da desinformação, muita gente que cai em papo de vendedor, em material de divulgação, e outras coisas, isso não acontece só com placas de vídeos, isso é uma realidade com qualquer coisa. Boas compras e compras ruins acontecem o tempo todo, e cabe ao consumidor tentar se munir com cada vez mais informação para reduzir a chance de erro, a internet tem isso como um dos seus principais trunfos, a troca de conhecimento. 

O meu ponto aqui é sobre esse comportamento que muitos têm de levar em consideração apenas o seu ponto de vista e realidade e descredenciar qualquer outra situação que saia desse mundinho. Parafraseando  Thanos, “a realidade tende a ser decepcionante”, e é isso mesmo. Muitos ficaram atônitos e “decepcionados” com o mercado brasileiro pela GT 710 ter sido a placa mais vendida do ano passado.

Garanto, essa decepção, em sua maioria, vêm justamente de pessoas que acompanham os lançamentos, que estão em contato com matérias sobre hardware e até de profundos conhecedores do assunto, fazendo com que boa parte deles esqueça que há um público totalmente alheio a esse tema, e também de uma parte que está comprando porque aquilo é o que dá pra adquirir naquele momento ou é o que irá atender especificamente o que está sendo buscado. 

Eu não vou mentir, quando eu olhei os dados e li que a GT 710 foi a placa mais vendida a minha reação também foi de incredulidade, mas, deixando de lado o modelo em si, e olhando o mercado de forma mais ampla, dá pra compreender porque no Brasil uma placa dessa ainda é a mais vendida. 

E esse fator surpresa não acontece apenas com produtos considerados muito baratos, e até inúteis para muitos, o inverso também ocorre. Coisas muito caras que você fica chocado por estar vendendo tanto, já que considera o preço um disparate. Quer um exemplo? Nem precisamos sair desse nicho de tecnologia. 

Essa semana a Samsung iniciou no Brasil a venda do seu primeiro smartphone dobrável, o Galaxy Fold. O preço: R$ 13.000. Um absurdo? Com certeza, mas tem público, tem mercado. Prova disso são os números que a empresa divulgou hoje (24). Em 24 horas todas as unidades que foram colocadas à venda esgotaram. 

O número de unidades que foram disponibilizadas durante esse período inicial de vendas, que foi de quarta (22) à quinta-feira (23), não foi informado, mas isso não descredibiliza o que aconteceu.

A Samsung posicionou o seu smartphone num patamar jamais visto de preço para um produto deste tipo no Brasil e mesmo assim conseguiu vendê-lo, uma atitude que é empregado de forma parecida pela Apple no Brasil há muitos anos,  e eu sempre continuarei achando um absurdo, porém é outra realidade de público, nem de longe é a minha, pode ser que seja a sua, não é a da maioria esmagadora das pessoas no Brasil, mas isso não significa que não tenha o seu espaço. Em outros mercado esse espaço é preenchido até por outras coisas ainda mais chocantes como iPhones de ouro, e etc. 

A sua percepção de preço e do que é válido ou não é alterada conforme a sua realidade naquele momento. Se sua realidade é de uma RTX 2080 Ti, ou qualquer outra placa topo de linha, ótimo, mas se é de uma placa de vídeo integrada é assim que vai ser, e caso seu objetivo seja melhorar a configuração, que isso se torne uma realidade, só não sofra uma mutação quanto adquirir algo melhor, a transformação em um falastrão com uma visão deturpada.

Sobre o Autor

Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
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