Breve análise do GhostBSD 1.0

Breve análise do GhostBSD 1.0

Taking a peek at GhostBSD 1.0

Autor original: Jesse Smith

Publicado originalmente no: distrowatch.com

Tradução: Roberto Bechtlufft

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O projeto PC-BSD oferece um desktop KDE pré-configurado e fácil de usar à comunidade do FreeBSD. Isso é muito bom, mas como fica a turma que prefere o GNOME? Felizmente, há um projeto em andamento para essas pessoas. O GhostBSD ainda está dando seus primeiros passos, mas está de olho nos usuários que querem rodar o GNOME no FreeBSD sem ter que instalar programas ou mexer na configuração. Eu tive a oportunidade de trocar emails com Eric Turgeon, fundador e desenvolvedor-chefe do projeto.

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DW: Para começar, conte para a gente qual era a sua experiência com o BSD antes de começar o GhostBSD. Você já desenvolvia para o FreeBSD ou para algum outro projeto antes de criar sua própria variante do BSD?

ET: Eu nunca tinha desenvolvido nada antes, era só um usuário comum do GNOME no FreeBSD. Antes eu usava o Ubuntu, e cheguei a usar o PC-BSD. Não sou fã do KDE, e nunca encontrei um projeto BSD que viesse com o GNOME. Decidi encarar a tarefa, mesmo sem ter nenhuma habilidade na programação. Foram oito meses até o lançamento da primeira versão, baseada no FreeSBIE. O primeiro live CD que eu fiz estava cheio de bugs. Eu incluí, mudei e removi muita coisa do código do makefile do FreeSBIE para lançar a versão beta e a versão final. O makefile do GhostBSD é formado por 60% de código do FreeSBIE, 5% do live CD do FreeBSD com o GNOME e 35% do meu trabalho. Aprendi a programar sozinho, e só tenho um ano de prática.

DW: Você teve que fazer alguma modificação no núcleo do FreeBSD para criar o ambiente live do GNOME?

ET: Há duas grandes alterações. O arquivo /usr é zipado com o uzip para caber no CD, e eu adicionei todas placas de som genéricas ao kernel e removi o “DEBUG=-g” para que o kernel ficasse leve. Também fiz alterações menores, como incluir algumas linhas em certos arquivos para que tudo funcionasse bem com o GNOME.

DW: O GhostBSD tem um instalador ou instruções para a instalação no disco rígido?

ET: Ainda não. Mas espero fechar o instalador antes de lançar a próxima versão.

DW: Existem programas ou utilitários que você queira incluir no GhostBSD, ou ele foi feito para ser apenas um complemento ao FreeBSD?

ET: Quero incluir um gerenciador de pacotes para instalar e remover pacotes do FreeBSD, mas não do ports. E quero um gerenciador de rede.

DW: O que você quer ver na próxima versão?

ET: O instalador. Karsten Pederson está trabalhando nele. E se possível, o gerenciador de rede. Montagem automática de dispositivos USB.

DW: Você acha que, com o aumento de popularidade do BSD, surgirão mais versões do BSD, da mesma forma que surgem novas distribuições do Linux?

ET: Eu acredito e espero que o BSD se torne mais popular. Se projetos como o PC-BSD e o GhostBSD se tornarem fáceis de usar como algumas distros GNU/Linux, mas mantendo o sistema original do BSD, o número de usuários vai aumentar. Esses é um dos meus objetivos na vida.

DW: Eric, muito obrigado por dedicar um tempo para conversar com a gente, e por trabalhar pelo crescimento da comunidade BSD.

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O site do GhostBSD conta com uma bela apresentação, simples e fácil de navegar. Não há muita documentação específica do GhostBSD, mas o projeto tem um fórum onde os usuários podem se encontrar para pedir ajuda e compartilhar dicas. Há duas versões do GhostBSD: uma de 32 bits e outra de 64 bits. As duas imagens são live CDs e podem ser baixadas diretamente do site do projeto ou via BitTorrent.

O live CD inicia com uma tela de texto, igual à que você encontraria num FreeBSD sem alterações. Depois de todo o texto da inicialização, o GhostBSD abriu o GNOME 2.28. O tema padrão é verde – quase tudo é verde. De acordo com o site do projeto, isso em parte é um reconhecimento dos objetivos ecológicos do projeto, mas também é para fugir do azul que é sempre muito usado. Isso ajuda a diferenciar o GhostBSD de outros sistemas. O GhostBSD é leve e responde bem. Meus testes em uma máquina virtual mostraram que o sistema roda bem com 512 MB de RAM.

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GhostBSD 1.0 – exploração do desktop

O ambiente live vem com um conjunto de software bastante comum. Os menus trazem o Firefox 3.5, o Pidgin, um player de vídeo e um de áudio, gravador de CDs, o navegador Epiphany e um visualizador de imagens. Também estão presentes uma calculadora, um editor de textos e alguns jogos do GNOME. Há uma função de pesquisa bastante prática, e um grupo de aplicativos para alteração das configurações do usuário, da aparência do desktop e outras preferências. O GhostBSD vem com o GCC 4.2.1, para os interessados em testar seu software em um ambiente BSD. O sistema operacional vem com codecs multimídia populares, e o usuário pode ouvir MP3 e assistir a vídeos. O Flash não vem instalado, mas como o FreeBSD tem compatibilidade binária com o Linux, dá para rodá-lo.

O GhostBSD teve problemas com meu laptop HP, com CPU 2 GHz, 3 GB de RAM e placa de vídeo Intel. Ele inicializava sem problemas e exibia o desktop, mas não saía som nenhum do alto-falante. E nada de conexão com a internet com minha placa de rede sem fio da Intel, e nem com meu modem de internet móvel da Novatel. O touchpad funcionou bem, detectando toques rápidos como cliques. Mas as coisas correram bem melhor no meu desktop genérico com CPU de 2,5 GHz, 2 GB de RAM e placa de vídeo da NVIDIA. O desempenho foi um pouco melhor, o desktop foi configurado na resolução máxima e o áudio funcionou sem problemas.

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GhostBSD 1.0 – o visualizador de imagens e o Pidgin

O GhostBSD tem alguns aspectos incomuns na parte de segurança, que podem ser tranquilizantes ou perturbadores, dependendo do seu ponto de vista. Por exemplo, achei ótimo o sistema fazer o logon do usuário com uma conta comum, não root. As funções administrativas podem ser acessadas por meio do su ou do sudo, sem senha. Por outro lado, não gostei de ver que um clique em um disco rígido no menu Locais do GNOME resultava em uma mensagem de erro. O problema estava no diretório root (/), que é montado como partição apenas para leitura, e isso inclui a área onde novas unidades (discos locais, pendrives, câmeras) seriam montadas. Talvez seja possível criar um ponto de montagem no diretório home do usuário e montar manualmente o dispositivo usando o sudo, mas essa abordagem não combina com a imagem de desktop fácil de usar que o GNOME tem. Para coroar a experiência, vi que a maioria dos serviços de rede não roda por padrão, exceto pelo Sendmail.

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GhostBSD 1.0 – o menu de aplicativos e a configuração de sessão

Não há muita utilidade em se avaliar o gerenciamento de pacotes em um live CD, especialmente quando o sistema de arquivos é montado como somente leitura. No entanto, o GhostBSD vem com ferramentas do FreeBSD para adicionar e remover pacotes. Essas ferramentas se conectam ao repositório do FreeBSD. Acho que esse vai ser um ponto de destaque do GhostBSD quando o sistema operacional ganhar seu próprio instalador.

Na verdade, qualquer comentário que eu faça sobre o GhostBSD pode muito bem vir seguido por um “eu queria que o sistema tivesse um instalador”. Isso é tanto um elogio aos desenvolvedores, por terem chegado onde estão, como uma queixa sobre um recurso ausente. Acho que o GhostBSD vai ser um sistema muito útil quando for configurado para uso cotidiano. Ultimamente, tem havido um movimento fraco mas constante rumo à combinação dos grandes BSDs a desktops pré-configurados. Tivemos o Jibbed (baseado no NetBSD), o PC-BSD (baseado no FreeBSD), o GNOBSD (baseado no OpenBSD) e agora o GhostBSD (também baseado no FreeBSD). Talvez o GhostBSD ainda não esteja pronto para brilhar, mas ele começou bem, e acredito que vá se sair ainda melhor quando fizer a transição de live CD para um sistema de instalação local. No momento, ele me parece mais uma prova de conceito estável, e não uma ferramenta de código aberto para uso no dia a dia.

Deixando um pouco de lado o GhostBSD, acho interessantes esses novos projetos que estão surgindo com base no BSD, e a forma como eles estão crescendo. Parece que todos os projetos que eu mencionei acima estão se esforçando para manter a base do projeto a partir do qual se originaram e trazer coisas novas, ou oferecer partes pré-configuradas. Compare isso ao que acontece com muitas distribuições Linux, que vão se tornando forks cada vez mais distantes de seus projetos-pai, e que assumem uma identidade independente (ao menos superficialmente). É só ver como o Zenwalk evoluiu a partir do Slackware, como o PCLinuxOS evoluiu do Mandriva e como o Mint evoluiu do Ubuntu. Essas combinações pai/filho têm muito em comum, e podem até apresentar compatibilidade binária, mas têm identidades distintas. Geralmente essas distribuições creditam de forma bem passageira o seu parentesco com as distros que as originaram.

Pelo que vi até agora, os projetos baseados no BSD parecem manter um forte elo com seus projetos originais. Visitando os sites do GhostBSD, do Jibbed e do PC-BSD, você verá que eles dizem, respectivamente: “o GhostBSD é uma distribuição FreeBSD com o GNOME em um live CD”, “o Jibbed é um live CD inicializável baseado no sistema operacional NetBSD” e “o PC-BSD é um sistema operacional para desktops que roda com base no FreeBSD 8.x”. Não sei qual abordagem é a melhor, mas acho que isso mostra a diferença de filosofia entre os dois lados do código aberto. Vai ser interessante acompanhar o desenvolvimento do GhostBSD.

Créditos a Jesse Smithdistrowatch.com

Tradução por Roberto Bechtlufft <info at bechtranslations.com.br>

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