O desktop está ficando ultrapassado?

O desktop está ficando ultrapassado?

Is the Desktop Becoming Legacy?

Autor original: Anton Klotz

Publicado originalmente no: osnews.com

Tradução: Roberto Bechtlufft

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Há alguns anos eu escrevi vários artigos para o OSNews (1, 2) sobre estações de trabalho. Depois de três anos eu tive que parar, porque não havia mais estações de trabalho disponíveis no mercado: elas ficaram ultrapassadas e pararam de ser vendidas. Hoje, com a ascensão dos dispositivos móveis com tela sensível ao toque e conectividade de rede sem fio praticamente em qualquer lugar, vale a pena perguntar: o que vai acontecer com os desktops? Será que eles ainda são necessários ou vão seguir os passos das estações de trabalho rumo aos museus da computação?

Para começar, temos que entender por que o iPhone, o iPad e afins são mais adequados do que desktops ao usuário comum. Por que a estratégia da Microsoft de difundir o PC como um “hub digital” praticamente fracassou? Por anos, a Microsoft em especial (mas também os defensores do Linux e do Mac) nos disse para usar um PC para compartilhar mídia e dispositivos, para criar conteúdo e mídia e para armazenar fotos e vídeos caseiros. Mas essa estratégia tem dois pontos fracos.

Primeiro, um PC precisa ficar ligado 24 horas por dia, sete dias na semana para dar conta da maioria dessas tarefas. Só uns poucos usuários mais radicais vão usar seu próprio PC como servidor. Isso sai caro, o PC pode ser barulhento, o hardware não é otimizado para funcionar direto e há um monte de atualizações de segurança exigindo uma boa dose de administração. Com isso, a ideia de ter um servidor doméstico não soa muito atraente.

Segundo, mesmo com um servidor doméstico, é bem difícil compartilhar mídia além dos domínios do lar. É claro que há alguns truques como o DynDNS ou o encaminhamento de portas, mas pouquíssimos usuários compreendem essas tecnologias ou as estão usando. Para piorar, o servidor fica vulnerável quando aberto para a internet, o que exige uma dose ainda maior de administração.

O compartilhamento de mídia está se tornando cada vez mais comum. As pessoas estão subindo fotos para o Flickr e vídeos para o Youtube, e enviando os links para os amigos. Experimente fazer isso com seu hub de mídia doméstico. Até é possível, mas quanto esforço e conhecimento serão necessários? Quanto a conteúdo protegido por direitos autorais, você não precisa mais armazená-lo em seu servidor doméstico: músicas e vídeos também podem ser armazenados em dispositivos portáteis, que já possuem espaço suficiente.

Ficam faltando a criação de conteúdo e o compartilhamento e o uso de dispositivos. Para o compartilhamento de dispositivos, equipamentos especializados como o FritzBox alemão são muito mais adequados à tarefa do que um PC completo. O FritzBox, ao qual o usuário tem direito ao fechar com um provedor alemão de internet DSL, oferece algumas portas LAN, um ponto de acesso remoto e uma porta USB para impressora e disco rígido USB para armazenar sua mídia, que pode então ser acessada a partir de todos os dispositivos da rede. A configuração via web é bem simples e ainda assim muito poderosa; praticamente nenhuma administração é necessária, e o consumo de energia é muito baixo.

Para o consumo de dispositivos temos coisas como o iPad, que não tem tempo de inicialização, conta com uma tela excelente, pode ser transportado facilmente, consome pouquíssima energia e tem mecanismos de entrada que permitem a digitação de URLs, pequenos comentários e até bate-papos. Dispositivos como esse podem se conectar à TV ou ao aparelho de som, o que elimina a necessidade de um PC nesse sentido.

Vamos à criação de conteúdo. Nessa área os PCs vieram para ficar. Escrever artigos grandes, produzir mídia, programar, nisso tudo o PC é bom e vai continuar reinando por um bom tempo. Mas é fato que apenas 10% dos usuários de redes sociais criam conteúdo: o resto só consome. Para completar, esses 10% não criam conteúdo o tempo todo; eles também consomem muito, e provavelmente terão dois dispositivos: uma para consumir e outro para criar, sendo que no segundo eles vão ter que aguardar a inicialização e abrir o programa certo para começar a criar. Portanto, os criadores de conteúdo vão continuar comprando desktops, mas eles serão claramente voltados para tarefas específicas. Para todo o resto, haverá um dispositivo de consumo.

O fato de estar ultrapassado não significa que um dispositivo vá desaparecer. Os desktops e seus sistemas operacionais continuarão sendo comercializados; eles são a espinha dorsal de muitas empresas, e a Microsoft continuará fazendo muito dinheiro e sendo uma das empresas mais valorizadas. Ainda teremos várias versões do Windows, mas a expectativa pelo lançamento delas não será tão forte quanto a gerada por uma nova versão do AIX.

A guerra Windows vs. MacOSX vs. KDE vs. GNOME vs. BeOS é coisa do passado. No futuro, as novidades mais empolgantes vão estar na arena dos dispositivos móveis. Fique ligado na guerra iPhone OS vs. ChromeOS vs. Meego (e provavelmente na Microsoft também, se ela conseguir se acertar com o Windows Phone 7 e o Slate). Para a Intel e a AMD, essa mudança significa que elas deveriam se focar nos processadores para servidores e em processadores de baixíssimo desempenho para dispositivos de consumo, já que essa será a área com maior demanda no futuro.

Créditos a Anton Klotzosnews.com

Tradução por Roberto Bechtlufft <info at bechtranslations.com.br>

Veja também: Por que “Linux nos desktops” deixou de ser um tema relevante

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