Forza Horizon 6: a engenharia insana para recriar o Japão e licenciar mais de 500 veículos

Veja como a Playground Games recriou Tóquio e garantiu 550 carros.

Forza Horizon 6 levou a equipe da Playground Games ao Japão para capturar fotogrametria de ruas, templos e montanhas, além de negociar mais de 550 licenças de carros antes do lançamento em maio. O processo envolveu consultoria cultural, criação de tecnologia proprietária e gravações de campo em múltiplas regiões japonesas para autenticidade sonora e visual. Vamos entender os bastidores de um game da magnitude de Forza Horizon.

O desafio da autenticidade cultural

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Na semana seguinte ao Xbox Developer Direct de janeiro de 2026, o Design Director Torben Ellert revelou nos bastidores um dos maiores desafios do desenvolvimento: capturar a “essência” do Japão sem transformar o jogo em uma réplica milimétrica da geografia real.

Para isso, a equipe viajou ao Japão com equipamentos de fotogrametria estereoscópica, incluindo rigs customizados de câmeras HDR 12K (a mesma tecnologia usada desde o Forza Horizon 3 para capturar céus e ambientes em alta fidelidade) e scanners 3D portáteis para objetos como placas de trânsito, postes e vegetação.

O processo capturou não apenas texturas de asfalto e edifícios, mas também gravações de campo de sons ambientes — desde o ruído característico dos trens-bala Shinkansen até o farfalhar de pétalas de cerejeira quando carros passam a alta velocidade. A Playground Games contratou Kyoko Yamashita como Consultora Cultural oficial para garantir que esses detalhes não fossem apenas tecnicamente precisos, mas culturalmente autênticos.

O resultado é uma Tóquio colossal, ocupando uma área 5 vezes maior que qualquer cidade dos jogos anteriores. A metrópole utiliza geometria densa para permitir corridas verticais em múltiplas camadas: das ruas de Shibuya às estradas elevadas e túneis subterrâneos.

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Ellert explica que “não é sobre precisão cartográfica, mas sobre como você sente ao virar uma esquina em Tóquio”. Isso significa que a equipe recriou a experiência de dirigir das pistas elevadas até os subúrbios, passando pelo downtown de Shibuya, uma sequência sensorial que exigiu mapeamento hierárquico de objetos usando a tecnologia proprietária “Uber-LODing”, desenvolvida originalmente para o primeiro Horizon e capaz de renderizar até 20 km de distância de visão.

A batalha do licenciamento

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Enquanto a fotogrametria captura o cenário, o coração do Forza Horizon sempre foi seu catálogo de veículos, e aqui entra o lado invisível do desenvolvimento que poucos jogadores compreendem. A estrela da capa é o Toyota GR GT Prototype 2025, fruto de uma parceria direta com a engenharia da montadora para replicar curvas de torque e som do motor com precisão.

 

Cada fabricante de carros exige negociações individuais, e as licenças são específicas por jogo — ou seja, ter um Porsche 911 no Forza Horizon 5 não garante automaticamente sua presença no 6. Pode até mesmo acontecer “acidentes de percurso” dentro do próprio jogo em que os automóveis já estavam licenciados. 

O exemplo mais emblemático que ajuda a explicar a complexidade desses acordos é a ausência completa das marcas Stellantis (Alfa Romeo, Fiat, Lancia e Abarth) no lançamento do Forza Horizon 5 em 2021, veículos que estavam presentes no FH4 simplesmente não apareceram no jogo seguinte porque a reestruturação corporativa da Stellantis coincidiu com a janela de negociação de licenças.

As marcas italianas só retornaram ao FH5 quase dois anos depois, em agosto de 2023, via Italian Automotive Series. Esse caso ilustra a fragilidade do modelo de licenciamento: cada fabricante negocia individualmente por jogo, e fusões/reestruturações corporativas podem interromper o processo completamente.

A Playground Games confirmou mais de 550 carros disponíveis no lançamento de 19 de maio, um número ligeiramente superior aos 500 veículos que o Forza Horizon 5 oferecia em seu dia de estreia.

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Além do licenciamento, que é a parte burocrática do processo, há um montante colossal de trabalho para representar fielmente os veículos. 

O caso mais emblemático é a parceria com a Toyota para o GR GT Prototype 2025 e o Land Cruiser 2025. Ellert revelou que a equipe trabalhou diretamente com engenheiros da Toyota para escanear especificações técnicas exatas, não apenas modelos 3D, mas comportamento de suspensão, curvas de torque e até mesmo o som específico do motor gravado em dinamômetros reais.

Esse nível de detalhe é o que diferencia simuladores arcade de alta qualidade de clones genéricos que usam “carros inspirados” para evitar custos de licenciamento. Licenças custam milhões, mas garantem que quando você acelera um Toyota GR no jogo, o ronco do motor corresponde à realidade física do veículo.

Construindo Tóquio: 5x Maior que qualquer cidade anterior

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Segundo a Playground Games, Tóquio no FH6 ocupa uma área 5x maior que qualquer distrito urbano dos jogos anteriores, uma façanha técnica que exigiu repensar a arquitetura de renderização. A cidade foi dividida em distritos com “densidade de informação” variável: os subúrbios usam malhas de baixa poligonagem com texturas de alta resolução (fotogrametria), enquanto o downtown de Shibuya emprega geometria densa para suportar corridas em múltiplas camadas verticais, ruas de superfície, autopistas elevadas e atalhos subterrâneos.

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Essa verticalidade não é novidade conceitual, o DLC Hot Wheels de 2022 para o FH5 serviu como laboratório para testar estradas em camadas sobrepostas.

Os dados de telemetria coletados de milhões de jogadores revelaram que a maioria prefere exploração livre a eventos estruturados, o que levou à criação de funcionalidades como Circuitos de Contra-Relógio e Encontros de Carros permanentes em três locações (Estacionamento de Daikoku, Okuibuki nos Alpes e o próprio Festival Horizon).

Em 2012, quando o primeiro Horizon foi lançado, a equipe precisou convencer executivos de que jogadores aceitariam 30 quadros por segundo em troca de um mundo aberto, uma aposta que hoje parece óbvia, mas que na época representou um risco enorme para a franquia Forza, tradicionalmente focada em 60 quadros por segundo.

Na época, Andy Sage (engenheiro da Playground Games) explicou à Digital Foundry como essa adaptação foi feita. A solução foi dobrar a frequência de atualização da física por frame renderizado, mantendo a mesma “simulação de velocidade” do Forza 4, mas com metade da taxa de quadros visuais.

Quatorze anos depois, essa base ainda sustenta o FH6, agora combinada com mapas de sombra em cascata dinâmicos para ciclos completos de dia/noite e a tecnologia Uber-LODing que combina objetos hierarquicamente quando distantes da câmera, reduzindo sobrecarga de renderização.

O conceito de Akiya

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Um dos elementos mais fascinantes do desenvolvimento de FH6 é como a Playground Games mergulhou em questões sociais japonesas para criar mecânicas de jogo. The Estate, uma área personalizável onde jogadores constroem circuitos, garagens e instalações, é inspirado no conceito real de Akiya: propriedades abandonadas no Japão rural que famílias herdam mas não podem demolir devido aos altos custos.

No jogo, a personagem Mei (uma das NPCs principais) pede ao jogador para ajudar a restaurar uma propriedade da família dela, transformando um terreno vazio em um hub funcional.

A autenticidade como regra

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Esses detalhes minuciosos ajudam a explicar como Forza Horizon 6 está explorando de maneira respeitosa a cultura japonesa, valorizando a autenticidade, e transportando o jogador para um país que fãs do automobilismo em todo o mundo sempre quiseram que a franquia da Microsoft estivesse. 

Forza Horizon 6 chega dia 19 de maio para PC e Xbox Series S/X. A versão para PS5 será lançada em outro momento de 2026.

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