Avançando um pouco mais

Backups do sistema operacional

Se o computador tiver dois HDs físicos, o segundo pode ser usado para backup do sistema operacional e das partições de dados. Os backups de disco para disco são rápidos, fáceis e convenientes. Eles oferecem backups e recuperações mais rápidas do que fitas e outros discos ópticos graváveis.

As ferramentas de clonagem de disco podem ser usadas para copiar um disco inteiro para o outro, e as ferramentas de cópia de partição podem copiar partições individuais para outros discos. Eis uma lista de ferramentas gratuitas para a clonagem de discos e partições. Eu uso a edição gratuita do HDClonepara copiar facilmente um disco inteiro para um disco de backup. Como muitas outras ferramentas gratuitas, o HDClone faz bem o seu serviço. A versão paga oferece cópias mais rápidas e recursos como reconciliação de dados, resgate de dados e restauração do sistema.

Embora você possa usar essas ferramentas para fazer backup das partições do seu sistema Linux, geralmente eu uso a linha de comando. Vamos a um exemplo: desligue o sistema Linux do qual você vai fazer backup e inicie um outro Linux. Em seguida, monte a partição Linux que vai sofrer backup e monte a partição que vai receber o backup. Use o comando cp para copiar todos os arquivos da partição de origem que devem ser incluídos no backup para a partição de destino:

cp -av /mnt_origem/* /mnt_destino/

No comando cp, a opção -a é de enorme importância. Ela faz o comando se aplicar aos subdiretórios, para que todos os arquivos sejam copiados da origem. Ela também preserva os atributos dos arquivos e não segue links simbólicos (aos interessados, cp -a é equivalente a cp -dpR).

A opção -v exibe a saída detalhada. Eu me sinto mais seguro vendo os nomes dos arquivos disparando na tela enquanto eles são copiados.

Se precisar recuperar a partição Linux, certifique-se de que o sistema de arquivos na partição que deseja recuperar esteja em boas condições. Em seguida, use o comando cp novamente para copiar todos os arquivos de volta para a partição original, ou inicie a partir da nova localização de backup. Neste caso, pode ser necessário mexer na configuração do GRUB para adicionar a localização do backup como partição inicializável à lista de seleção de sistemas operacionais. Também pode ser necessário atualizar o arquivo /etc/fstab dentro da partição Linux para se referir a pontos de montagem que tenham mudado.

O Linux oferece muitos outros comandos para backup e recuperação. Além do cp, você pode usar dd, tar, gzip ou estes utilitários de backup, e compactar e arquivar os backups. Eu só listei uma técnica simples mas eficaz para backups rápidos de disco para disco.

O backup e a recuperação do Windows são diferentes do que vimos no Linux. O Windows oferece uma variedade excepcional de alternativas para consertar um sistema sem apelar à recuperação a partir de uma fonte externa. Essas alternativas incluem o modo de segurança, os pontos de restauração, exportação e importação do Registro, verificação do sistema de arquivos, reversão de drivers, inicialização na última configuração válida, console de recuperação, recuperação de instalação via CD do Windows e outras. Muitas vezes é possível consertar o Windows sem restaurar nada de um backup externo.

Mas se você precisar recuperar o Windows a partir de um backup externo, suas opções serão restritas pelas tecnologias de combate à pirataria da Microsoft. OWPA e o Registro do Windows foram projetados para impedir o transporte do Windows de um computador para o outro, protegendo os direitos de propriedade da Microsoft (você licencia o Windows, mas não é dono dele). Essas tecnologias impedem até tentativas simples de troca da placa-mãe ou do HD, em caso de falha.

Portanto, use as ferramentas de criação de imagens de discos e partições de fornecedoras de produtos de backup e recuperação como a Acronis. As ferramentas de linha de comando para cópia de arquivos que eu mencionei na parte sobre o Linux não são uma abordagem válida com o Windows.

Instalações frugais

Na seção anterior, eu descrevi uma instalação tradicional do Linux em um HD que antes era “habitado” somente pelo Windows. Presumindo que você tenha espaço em disco suficiente, é só seguir o procedimento de instalação descrito para cada distribuição Linux que quiser instalar.

Algumas distros Linux pequenas, como o Puppy Linux e o Damn Small Linux, oferecem outro tipo de instalação em disco, a chamada instalação frugal(esses sistemas chamam a instalação tradicional de instalação completa). A instalação frugal simplesmente copia a imagem de inicialização do live CD para o disco rígido. No caso do Puppy Linux, a distro copia três ou quatro arquivos do live CD para o disco. Esses arquivos são colocados em uma mesma pasta em uma partição preexistente, que pode ser NTFS ou FAT32 (Windows), ou de um dos tipos comuns do Linux, como ext2, ext3, ext4 ou reiserFS. Ou seja, não é preciso criar uma nova partição no disco para realizar uma instalação frugal, embora você talvez prefira fazer isso.

Os benefícios da instalação frugal são:

  1. A distro Linux pode ser instalada em qualquer partição preexistente com espaço suficiente;

  2. Não há necessidade de se reduzir a partição do Windows ou criar uma nova partição Linux;

  3. Fácil de atualizar: basta substituir os arquivos da versão antiga pelos arquivos da versão nova;

  4. Inicialização mais rápida do que a obtida com o live CD.

No caso do Puppy Linux, essas vantagens são tão atraentes que as instalações frugais são mais populares do que as instalações completas.

Compatibilidade

Nenhum artigo que trate da instalação de sistemas operacionais estaria completo sem falar um pouco sobre a compatibilidade. É ela que determina se seus dados poderão ser usados tanto no Windows quanto no Linux, e também se os mesmos aplicativos poderão rodar nos dois sistemas.

A compatibilidade entre sistemas operacionais tem vários aspectos:

Compatibilidade do sistema de arquivos

Quase todas as distribuições Linux podem ler e gravar arquivos em partições do Windows, como NTFS, VFAT, FAT32 e outras. Isso também significa que você pode criar, copiar, mover, renomear e excluir arquivos e pastas do Windows.

Dependendo da distribuição Linux usada, a partição formatada para o Windows pode estar acessível automaticamente ou exigir montagem manual. O Puppy Linux, por exemplo, exige a montagem manual da partição Windows, enquanto o Lubuntu monta automaticamente e de forma dinâmica tudo o que encontra.

O Windows não pode ler ou gravar arquivos em sistemas de arquivos Linux, como ext2, ext3, ext4, reiserFS e outros. Mas os sistemas de arquivos do Linux podem ser acessados facilmente no Windows se você baixar um destes programas:

  • Ext2 Installable File System for Windows (Ext2 IFS): permite acesso de leitura e gravação a sistemas de arquivos ext2 e ext3;

  • DiskInternals Linux Reader: permite acesso de leitura a sistemas de arquivos ext2 e ext3;

  • Ext2 File System Driver (Ext2fsd): driver de sistema de arquivos que permite acesso de leitura e gravação a sistemas de arquivos ext2 e ext3;

  • rfstool: permite acesso de leitura a sistemas de arquivos reiserFS;

  • LTOOLS: permite acesso de leitura e gravação a sistemas de arquivos ext2, ext3 e reiserFS, tanto via linha de comando quanto pela interface gráfica.

Compatibilidade de formatos de arquivos

Como a maioria dos computadores pessoais roda Windows, o que a maioria das pessoas quer saber é se os arquivos do Microsoft Office vão abrir no Linux.

A resposta depende de dois fatores. Primeiro, qual pacote de escritório você vai usar no Linux? O OpenOffice busca a compatibilidade total de escrita e gravação com arquivos do Microsoft Office (nos documentos do Word, do Excel e do Powerpoint). O GNOME Office tem a filosofia da importação: seu objetivo é ler os arquivos do Microsoft Office com precisão, mas não há suporte à gravação direta nesses formatos. Outros pacotes de escritório trazem ainda outras abordagens.

Outro fator chave é se estamos falando de formatos de arquivo tradicionais do MS Office (.doc, .xls e .ppt) ou dos mais recentes “arquivos x” (.docx, .xlsx e.pptx). Estes últimos compõem o formato Microsoft Open Office XML ou OOXML. Os formatos OOXML se tornaram os formatos padrão da Microsoft desde o Microsoft Office 2007. Ainda vemos muitos usuários do Windows se confundirem com as diferenças entre o novo formato OOXML e o formato antigo (embora a Microsoft ofereça um download gratuito para que versões anteriores a 2007 do MS Office possam trabalhar com os novos arquivos OOXML). Como as atualizações automáticas do Windows aplicam atualizações a todos os programas da Microsoft automaticamente, incluindo o Office, eu fico me perguntando por que essa atualização não foi aplicada automaticamente a versões antigas do Office.

Por experiência própria, posso dizer que o OpenOffice oferece excelente compatibilidade de leitura e gravação com os arquivos tradicionais do MS Office. Já fiz modificações e mandei para outras pessoas toneladas de arquivos .doc do Word e .ppt do Powerpoint, alternando entre o MS Office e OpenOffice. O OpenOffice se mostrou tão compatível com esses arquivos tradicionais do MS Office quanto as diferentes versões do MS Office são entre si. Na verdade, o OpenOffice 3.x, por exemplo, é mais compatível para troca de arquivos com o Microsoft Office 97 do que o Microsoft Office 2003 ou 2007. Isso provavelmente acontece porque a Microsoft só faz testes de retrocompatibilidade até a última versão anterior. Do Office 97 até o 2010, temos quatro versões do pacote de escritório. Entendeu o problema? Com novas versões do Office sendo lançadas a cada três anos, a compatibilidade vai piorando, a não ser que o software passe por rigorosos testes de retrocompatibilidade com todas as versões anteriores. A julgar pelos fatos, concluo que a Microsoft não esteja muito preocupada com a compatibilidade, tirando o fato de garantir que a versão mais recente seja compatível com a versão anterior.

Quando se trata dos formatos de arquivos OOXML, temos uma situação infeliz. O OpenOffice oferece compatibilidade parcial, mas ainda precisa evoluir muito. Existem até pequenas diferenças de compatibilidade desses arquivos entre versões diferentes do OpenOffice, como o Go-oo. Parte do problema aqui é que há versões diferentes do OOXML, que por sinal ainda está evoluindo (saiba mais sobre esse fiasco aqui). Espero que a situação se resolva e nós consigamos voltar a viver em um mundo de compatibilidade fácil. Francamente, a maioria dos usuários precisa mais disso do que das vantagens que o OOXML possa oferecer. Nunca ouvi um usuário dizer “como eu queria contar com os recursos do OOXML”, mas já ouvi muita gente reclamar sobre incompatibilidade dos formatos de arquivos em versões diferentes do Microsoft Office. Três anos após a chegada do OOXML, eu continuo ouvindo gente reclamar ao trocar arquivos do Office.

Quem precisar de detalhes específicos sobre a compatibilidade que estejam fora do escopo deste artigo pode consultar este artigo da Wikipédia sobre o assunto, ou visitar os sites do OpenOffice e do GNOME Office.

Compatibilidade de aplicativos

Ou seja, o Linux pode rodar os aplicativos do Windows? Muita gente gostaria de rodar um programa específico do Windows no Linux. Se o criador do programa não oferecer uma versão para Linux, tente instalar o Wine no Linux. Com o Wine você pode instalar e rodar a maioria dos aplicativos do Windows diretamente no Linux. Esta lista tem detalhes sobre os mais de 16 mil aplicativos do Windows que rodam no Linux via Wine.

Aplicativos antigos de DOS podem rodar no Linux via DOSBox. Ele foi feito para rodar jogos, mas vários aplicativos de DOS e da fase inicial do Windows funcionam nele.

E o contrário: aplicativos de Linux rodando no Windows? Geralmente isso é impossível, a não ser que o desenvolvedor lance versões desses aplicativos para o Windows.

O resultado

Rodar vários sistemas operacionais em um mesmo computador é uma abordagem com grandes benefícios. Você une os pontos fortes de dois ou mais sistemas operacionais, mas só tem que cuidar da manutenção de um computador. No caso de computadores restaurados, a combinação de sistemas operacionais oferece a força do Windows original licenciado (com seus aplicativos e drivers) aos milhares de aplicativos e ferramentas de código aberto. O Linux leva software novíssimo, seguro e com suporte a computadores antigos com o Windows. Ele é vital na restauração desses computadores.

A virtualização de plataformas é a maneira mais eficiente de rodar vários sistemas operacionais em máquinas atuais, ao lado dos live CDs e live USBs. Para sistemas mais antigos, os live CDs e a instalação de vários sistemas operacionais são as abordagens mais populares. As principais distribuições Linux vêm com todas as ferramentas necessárias para gerenciar múltiplos sistemas, incluindo ferramentas de particionamento e seleção de sistema na inicialização.

O Linux também tem uma boa compatibilidade com o Windows. Isso inclui a coexistência das instalações e a capacidade de ler, gravar e gerenciar arquivos do Windows. A compatibilidade do pacote de escritório depende da situação, mas o que importa é que existem meios de se obtê-la. O Linux também roda vários aplicativos do Windows usando programas como o Wine.

Este breve artigo não tem como cobrir todos os aspectos da execução de vários sistemas operacionais em um mesmo computador, mas você pode fazer comentários e compartilhar sua experiência, contando o que aprendeu sobre o assunto.

Howard Fosdick é presidente da FCI e consultor independente especializado em bancos de dados e sistemas operacionais. Seu hobby é restaurar computadores, um trabalho social que também contribui com o meio ambiente. Entre em contato com ele pelo email contactfci arroba sbcglobal ponto net.

Créditos a Howard Fosdickosnews.com

Tradução por Roberto Bechtlufft <info at bechtranslations.com.br>

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Esta postagem foi modificada pela última vez em 09/03/2011 16:52

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