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Grandes empresas de PC estão retornando produção para a China após alta de 500% nos preços de memória

Corrida por infraestrutura de IA encarece componentes e pressiona as margens, levando fabricantes a retomar parte da produção chinesa e buscar fornecedores locais de chips.

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Empresas como HP, Acer e Asus estão redirecionando parte de sua capacidade produtiva de volta à China, revertendo, ao menos parcialmente, o movimento de diversificação geográfica que dominou as estratégias das fabricantes de PCs em 2024 e 2025. O catalisador é econômico e direto: o custo dos componentes, inflado pela corrida global à infraestrutura de IA, está corroendo as margens a um ponto em que os atrativos do ecossistema industrial chinês voltam a superar os riscos geopolíticos.

O preço da IA no seu próximo notebook

O principal vilão da conta é a memória. Os preços de chips de memória e armazenamento subiram 500% em 12 meses, pressionados pela demanda insaciável de data centers que constroem infraestrutura de IA. Além do segmento de memória, outros insumos como placas de circuito impresso (PCBs) e fibra de vidro usada na fabricação de placas mãe também registraram alta. 

Diante desse cenário, a cadeia de suprimentos mais madura da China volta a ser um argumento irresistível. Mas o retorno não é para os parceiros tradicionais. Empresas como Foxconn realocaram sua capacidade produtiva para o segmento de servidores e data centers de IA, deixando de ser a opção óbvia para quem fabrica PCs. No lugar delas, entram fabricantes contratuais menores que buscam se estabelecer no segmento: Luxshare, Huaqin Technology e Longcheer Technology.

O trunfo do chip doméstico

A jogada dessas fabricantes contratuais menores vai além da mão de obra e da logística. Elas estão se posicionando ativamente como facilitadoras de acesso a chips de memória produzidos domesticamente, como os da CXMT, fabricante chinesa de DRAM que opera fora das restrições de fornecimento impostas pelo mercado ocidental. “Esses fabricantes contratuais chineses têm dito a potenciais clientes e fabricantes de computadores que trabalhar com eles pode ser uma boa opção para garantir melhor acesso a chips de memória fabricados na China”, afirmou ao Nikkei Asia um gerente da cadeia de suprimentos do ecossistema de computadores. “Eles se promovem como uma boa alternativa para ajudar a resolver também os problemas de cadeia de suprimentos.”

É uma proposta de valor em 2026: quem aceitar o contrato não compra apenas capacidade fabril, compra acesso preferencial a um elemento crítico que está escasso no mercado global. Para as fabricantes de PCs com pressão de margem, esse argumento pesa tanto quanto o custo da mão de obra.

O Sudeste Asiático paga a conta

O movimento tem um custo humano e industrial concreto, e ele recai sobre as cadeias produtivas que foram construídas às pressas no Sudeste Asiático durante a onda de diversificação. “Construímos duas novas linhas de produção na Tailândia para os clientes de PCs, e agora eles estão movendo pedidos substanciais de volta para a China”, relatou o gerente. “Essas duas linhas ainda não deram lucro, e não sei quando vão receber os pedidos de volta.” A frase resume o problema estrutural de construir cadeias de suprimentos por decreto geopolítico: leva anos, custa caro e colapsa na primeira inversão de incentivos econômicos.

As fabricantes deixam claro, porém, que não estão abandonando a estratégia de diversificação. O retorno de capacidade é parcial e calculado, ,já que o risco geopolítico não desapareceu, mas o risco financeiro de operar com margens negativas pesou mais no curto prazo.

O custo real de sair da China

O contraponto mais ilustrativo do que significa realmente desacoplar a produção de PCs da China vem do caso da Anduril, empresa de defesa que tentou construir notebooks com 90% do custo dos componentes originados nos EUA e em países aliados. O resultado projetado é um dispositivo cerca de 20% mais caro que a concorrência, viável apenas porque seu mercado-alvo são governo e setor militar, que colocam segurança de cadeia de suprimentos acima do preço. Para qualquer fabricante que vende para o consumidor final, a diferença de preço pesa muito.

Fonte: Tom’s Hardware

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Foto de William R. Plaza
Postado porWilliam R. Plaza

Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br

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