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Diretor de Kubo e as Cordas Mágicas acusa IA generativa de roubo: “Não há alma nisso”

Travis Knight defende o trabalho artístico humano e critica o uso da inteligência artificial para substituir criadores.

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Travis Knight, diretor de Kubo e as Cordas Mágicas e o CEO da Laika, o estúdio por trás de Coraline e ParaNorman, é a mais recente voz de peso em Hollywood a chamar a IA generativa pelo que ele acredita ser o seu nome real: roubo. Em entrevista ao The Verge antes da estreia do seu novo filme O Bosque Selvagem, marcada para 23 de outubro, Knight foi direto ao ponto ao descrever o que acontece quando um modelo ingere trabalho artístico humano e o regurgita em nova forma. “Isso é roubo. Não há alma, não há espírito, não há humanidade nisso.”

A declaração vem no contexto de um filme que levou cinco anos para ser concluído, envolveu mais de 230 bonecos e contou com a contribuição de mais de 1.000 artistas, e serve como um contraponto ao argumento da eficiência instantânea que os promotores de IA generativa costumam vender.

Tecnologia como complemento, não para substituir o artista

Knight foi cuidadoso ao esclarecer que a Laika não é contra o avanço da tecnologia, com O Bosque Selvagem  sendo o filme tecnicamente mais avançado do estúdio. Os bonecos ganharam diafragmas que permitem simular respiração, musculatura mais elaborada nos membros e materiais mais robustos e flexíveis para cabelos, peles e tecidos. O resultado é uma animação nitidamente mais orgânica do que qualquer produção anterior da casa. Para Knight, essa distinção é fundamental: qualquer ferramenta tem valor quando está nas mãos de um artista. O problema começa quando a tecnologia substitui o artista.

“Quando a tecnologia está fazendo o trabalho do artista, isso é uma coisa diferente”, disse Knight. “E isso é algo contra o qual me posiciono firmemente. Um computador nunca se apaixonou. Um computador nunca perdeu alguém. Nunca tomou uma decisão terrível e perdeu um irmão. Nunca teve o coração partido. Só uma pessoa fez isso. E só uma pessoa pode falar sobre o que essa experiência é e o que ela sente.”

O setor não está parado em relação à IA

O posicionamento de Knight se alinha a uma onda crescente de resistência de cineastas influentes, mas acontece enquanto Hollywood segue em direção oposta na prática. Estúdios estão explorando réplicas digitais de atores, firmando acordos para treinar modelos de IA com seus catálogos de filmes e séries, e grandes nomes do setor continuam investindo pesado na tecnologia. 

Knight não descarta a IA como tecnologia em sentido amplo. “Acho que a IA é uma tecnologia extraordinária”, disse ele. “Há um mundo em que essas coisas podem beneficiar enormemente a humanidade quando você olha para medicina e ciência.” Mas essa ressalva vem embalada em ceticismo quanto à capacidade humana de gerenciar o poder que a tecnologia oferece. “Como grupo de humanos, não mostramos geralmente que somos bons nisso.”

O que está em jogo além do debate filosófico

O argumento de Knight tem peso concreto para além das câmeras. O debate sobre IA generativa nas artes é uma disputa ativa sobre direitos autorais, sobre o valor econômico do trabalho criativo e sobre quem colhe os benefícios quando um modelo é treinado com décadas de produção humana sem consentimento ou remuneração. 

Fonte: The Verge

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Foto de William R. Plaza
Postado porWilliam R. Plaza

Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br

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