Grupo hacker usa Claude e Grok para atacar mais de 400 instituições financeiras na América Latina
Um grupo de hackers conhecido como CyberCartel utilizou modelos de inteligência artificial, incluindo Claude, da Anthropic, e Grok, da xAI, para automatizar ataques contra mais de 400 instituições financeiras na América Latina. Entre os alvos estavam bancos e plataformas de pagamento digital, com registros de roubo de credenciais e acesso indevido a contas.
As descobertas foram divulgadas em 21 de outubro pela empresa de cibersegurança Straiker e detalhadas pelo The Information. A investigação identificou uma infraestrutura capaz de coordenar diferentes agentes de IA para localizar vulnerabilidades, planejar invasões e executar operações com pouca intervenção humana. O CyberCartel atua pelo menos desde 2012, mas passou a utilizar inteligência artificial para ampliar a velocidade e a escala de suas operações.
Hackers criaram sistema que combina diferentes inteligências artificiais
Segundo a Straiker, os criminosos desenvolveram uma estrutura chamada CARLIY0S, baseada em ferramentas de automação e múltiplos modelos de IA. Cada agente desempenhava uma função específica. O Grok era utilizado para coletar informações sobre possíveis alvos, enquanto diferentes versões do Claude analisavam vulnerabilidades, desenvolviam estratégias e avaliavam os melhores caminhos para realizar os ataques.

Um agente baseado no Claude, integrado ao ambiente de programação Cursor, funcionava como coordenador central das operações. A investigação também identificou o uso de modelos Kimi, da empresa chinesa Moonshot AI. Para contornar as restrições de segurança dessas ferramentas, os criminosos apresentavam determinadas solicitações como se fizessem parte de testes acadêmicos ou avaliações autorizadas de segurança. Quando os modelos recusavam uma operação, o sistema podia recorrer a outros agentes ou a códigos maliciosos convencionais.
Investigação encontrou milhares de informações financeiras
Um dos principais achados ocorreu em 24 de setembro, quando pesquisadores da Straiker acessaram uma cópia do banco de dados FinancialSoft, utilizado pelos criminosos. O material continha 4.493 registros, incluindo 2.911 endereços de e-mail, 903 números de contas bancárias e 67 senhas armazenadas em texto simples. Também foram identificadas chaves de API, credenciais de acesso a bancos de dados e informações que poderiam permitir novas invasões.

Parte dos dados estava relacionada ao SPEI, sistema mexicano de transferências interbancárias, indicando o interesse do grupo na infraestrutura de pagamentos do país. Apesar da dimensão da campanha, há uma distinção importante: as mais de 400 instituições representam alvos dos ataques, não necessariamente organizações que tiveram seus sistemas comprometidos com sucesso. Os nomes das instituições afetadas não foram divulgados publicamente, e não há confirmação específica de bancos brasileiros entre as vítimas.
Anthropic bloqueou acesso dos criminosos ao Claude
Após receber as informações da Straiker, a Anthropic investigou a atividade e revogou uma credencial utilizada pelo grupo para acessar o Claude. A xAI também foi notificada e iniciou uma análise das atividades relacionadas aos agentes Grok. A Straiker informou que buscava contato com a Moonshot AI. O episódio reforça uma preocupação crescente no setor de segurança digital: ferramentas originalmente desenvolvidas para programação, pesquisa e automação também podem ser exploradas por criminosos.
Em setembro de 2026, a própria Anthropic já havia publicado um relatório descrevendo operações nas quais agentes de IA deixaram de atuar apenas como assistentes e passaram a coordenar etapas de ataques cibernéticos. A principal mudança não está necessariamente na criação de técnicas inéditas de invasão, mas na capacidade de executar tarefas conhecidas simultaneamente, com maior velocidade e menos operadores humanos.
Para instituições financeiras, isso representa um desafio adicional: sistemas de defesa precisarão acompanhar ataques cada vez mais automatizados, capazes de analisar diversos alvos e adaptar suas estratégias rapidamente.
Fonte: Tom
Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
Newsletter do Hardware
Tecnologia, games, IA e internet: nossa seleção de conteúdo direto no seu e-mail.
Inscrição feita!As próximas edições chegam no seu e-mail.

