Entusiasta constrói câmera digital com Raspberry Pi, tela de 4 polegadas e corpo feito em impressora 3D
Construir uma câmera digital do zero pode parecer um projeto complicado, especialmente quando a ideia é criar algo que vá além de um simples sensor conectado a um computador. Mas um entusiasta conseguiu desenvolver um equipamento com aparência de produto comercial, utilizando um Raspberry Pi, componentes eletrônicos e uma estrutura produzida em impressora 3D.
O resultado foi compartilhado pelo usuário jpotter124, na comunidade r/raspberryDIY, do Reddit. As imagens mostram uma câmera com formato cúbico, lente intercambiável, tela integrada e botões físicos para controlar algumas das principais funções de captura.
My Revised Raspberry Pi Camera
byu/jpotter124 inraspberryDIY
O mais interessante é que essa já é a segunda versão do projeto. Cerca de um mês antes, o criador havia apresentado seu primeiro protótipo. Depois de receber sugestões de outros usuários, decidiu redesenhar boa parte do equipamento.
Câmera utiliza bateria de 10.000 mAh e tela integrada
Uma das características que mais chamam a atenção é a construção do corpo. O criador modelou a estrutura principal e os painéis frontal e lateral, adaptando cada peça aos componentes que já possuía.
A fabricação foi realizada em uma impressora 3D, utilizando filamentos PLA nas cores branco e carvão. Segundo o autor, as peças foram produzidas com resolução de camada de 0,16 mm e preenchimento de 90%, o que aumentou o tempo necessário para a impressão.
Mesmo assim, todo o processo levou aproximadamente dez horas.
O equipamento também conta com uma bateria interna de 10.000 mAh, saída USB-C de 5 V e botões de acesso rápido. Entre os controles disponíveis estão ajustes relacionados à taxa de quadros por segundo (FPS), sensibilidade ISO e balanço de branco.
Outra novidade importante é a integração de uma tela Waveshare de 4 polegadas diretamente ao corpo da câmera.
Na versão anterior, o monitor precisava ser transportado separadamente, algo que dificultava a utilização do equipamento, especialmente com lentes de foco manual.
Agora, o usuário consegue visualizar o enquadramento e acessar os controles de captura diretamente pela tela.
Criador precisou modificar o sistema de lentes
Uma das principais reclamações sobre o primeiro protótipo estava relacionada ao uso de um adaptador para lentes Canon EF.
Devido ao fator de corte do sensor, o enquadramento ficava muito fechado, obrigando o fotógrafo a se afastar bastante dos objetos que pretendia registrar.
Para solucionar o problema, o entusiasta adotou uma montagem padrão C/CS, mantendo a possibilidade de utilizar adaptadores compatíveis.
A câmera também ganhou um sistema de iluminação indicativa acima do sensor. O pequeno LED informa o estado do equipamento, sinalizando gravações e piscando quando uma fotografia é capturada.
Outra melhoria foi a inclusão de um giroscópio, utilizado para auxiliar no nivelamento da imagem. O recurso funciona em conjunto com o ApertarOS, software responsável pela interface e pelo controle das funções da câmera.
O suporte inferior também foi reposicionado para oferecer maior estabilidade durante a utilização com tripés.
Projeto ainda possui limitações, mas impressiona pelo acabamento
Apesar da aparência profissional, o próprio criador faz questão de lembrar que se trata de um projeto experimental.
A câmera utiliza um sensor Sony IMX477, conhecido por sua aplicação em módulos de câmera para Raspberry Pi. Embora permita produzir imagens interessantes, ele não oferece necessariamente a mesma qualidade ou versatilidade de sensores maiores utilizados em câmeras profissionais.
O autor reconhece essas limitações, mas destaca que determinadas condições de iluminação e reprodução de cores podem produzir resultados visualmente interessantes.
Ele também pretende compartilhar fotografias capturadas com o equipamento, permitindo que outros entusiastas avaliem a qualidade das imagens.
Por enquanto, o que mais impressiona é o acabamento do conjunto. Com corpo personalizado, controles físicos e tela integrada, a câmera demonstra como a combinação de computação compacta e impressão 3D permite desenvolver dispositivos bastante elaborados fora de um ambiente industrial.
E, pelo que o criador revelou, o projeto ainda pode receber novas melhorias com a ajuda da comunidade.
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