PS5 desbloqueado roda discos originais de PS2 e mostra que retrocompatibilidade era possível
O desbloqueio do PS5 que estourou nas comunidades de homebrew há algumas semanas continua gerando consequências que vão muito além da pirataria. A versão mais recente desse movimento trouxe algo concretamente revelador: é possível inserir um disco de PS2 ou PS3 no drive do PS5 e jogar o título rodando em emulação, sem qualquer intervenção da Sony. O hardware já suportava isso. A pergunta que ficou no ar, desconfortável para a fabricante, é por que isso nunca foi habilitado oficialmente.
Os projetos que tornaram isso possível têm nomes familiares para quem acompanha a cena de emulação. O PS5SX2 é um port do PCSX2, o emulador de PS2 consolidado no PC, adaptado para rodar diretamente no PS5 em modo desbloqueado. Ele lê discos físicos inseridos no drive nativo do console.
Testes realizados pelo canal MVG indicam que rodar o jogo diretamente do disco pode gerar algumas travadas; instalar o conteúdo no armazenamento interno do console entrega uma experiência mais estável. O RPCS3-5, por sua vez, é um port do RPCS3, o emulador de PS3 para PC, com suporte a discos físicos de PS3 lidos pelo mesmo drive.
Um detalhe que levanta curiosidade nessa historia: o PS5SX2 lista Claude, a IA da Anthropic, como o maior contribuidor do port. Outro capítulo do fenômeno do vibe coding chegando à emulação retro, para o bem ou para o mal.
O drive do PS5 já lia esses discos. Sempre leu.
O ponto que torna essa revelação politicamente complicada para a Sony é simples: o drive do PS5 lê DVDs e Blu-rays nativamente. Os jogos de PS2 vieram em DVD. Os de PS3, em Blu-ray. A infraestrutura de leitura estava lá desde o lançamento do console.
Versões anteriores do desbloqueio já permitiam rodar jogos de PS2 no PS5, mas exigiam que cada título fosse empacotado usando uma versão hackeada do emulador oficial da Sony, um processo trabalhoso que não se parecia em nada com retrocompatibilidade real. O que o cenário atual demonstra é diferente: inserir o disco e jogar, como se o console suportasse isso nativamente. Porque, de fato, o hardware suporta.
Para os jogos de PS1, há um limite físico real: o drive do PS5 não possui laser de CD, apenas de DVD e Blu-ray, o que inviabiliza a leitura de discos CD-ROM originais de PS1, e também de alguns jogos de PS2 lançados em CD. A solução encontrada pela comunidade é elementar: qualquer drive USB externo barato resolve o problema, já que o console tem portas USB disponíveis.
A conta que a Sony prefere não apresentar
A Sony construiu seu próprio emulador de PS2 para distribuir títulos clássicos na PlayStation Store. Sabe como usar a tecnologia. A pergunta que o desbloqueio torna impossível de ignorar é por que a retrocompatibilidade com discos físicos nunca foi habilitada em um console cujo drive já lê esses formatos. A resposta mais direta aponta para o modelo de negócios: o mercado de discos usados de PS1, PS2 e PS3 não gera absolutamente nenhuma receita para a fabricante.
O PlayStation Plus, com seu catálogo de clássicos por assinatura, gera. Com a Sony confirmando o encerramento da produção de discos físicos para jogos novos em 2028 e analistas apontando que o objetivo real da empresa é o controle total de um mercado digital fechado, a omissão da retrocompatibilidade nativa dificilmente parece um descuido técnico.
Para o entusiasta que tem uma prateleira cheia de discos de PS2 e PS3, o desbloqueio é uma prova concreta de que o hardware nunca foi o obstáculo. O obstáculo sempre foi a decisão de negócio.
Fonte: GamesRadar
Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
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