Hacker usa IA para invadir mais de 100 sites de grandes empresas
Um hacker de língua chinesa usou o Carin, uma plataforma open source de resolução de problemas baseada em agentes de inteligência artificial, para invadir mais de 100 sites de empresas de grande porte, incluindo a fabricante de equipamentos agrícolas Deere e a SharkNinja, conhecida por seus eletrodomésticos.
O caso, reportado pela Reuters, foi identificado por Snorre Fagerland, pesquisador principal de ameaças da empresa de segurança NorForge, que monitorava instâncias do Carin expostas inadvertidamente na internet.
Em outubro de 2026, o episódio joga luz sobre uma tendência que o setor de segurança vinha sinalizando há meses: agentes de IA não são apenas ferramentas de produtividade corporativa, são multiplicadores de capacidade ofensiva.
Menos de 100 caracteres, mais de 1.200 alvos
O detalhe mais perturbador do caso não está nos alvos atingidos, mas na economia de esforço do atacante. Segundo o relato da Reuters, o hacker utilizou menos de 100 caracteres em chinês para instruir seus agentes, que por conta própria tentaram comprometer mais de 1.200 sites diferentes até a semana encerrada em 18 de outubro de 2026. Alvos incluíam empresas dos Estados Unidos, Canadá, Austrália e plataformas de e-commerce japonesas.

O Carin, por ser uma plataforma open source, tem instâncias que acabam expostas publicamente sem a devida configuração de segurança. Fagerland observou múltiplos atores mal-intencionados operando a partir dessas brechas, mas o hacker chinês se destacou pela produtividade. A lógica operacional é direta: com instruções mínimas, os agentes executam o trabalho pesado de reconhecimento e exploração de forma autônoma, liberando o operador para outras tarefas sem necessidade de supervisão contínua.
“Não é coisa de amador”
Fagerland deixou claro que o nível técnico das táticas observadas está bem acima do amadorismo. Em um caso documentado, os agentes vasculharam registros públicos para mapear a infraestrutura do alvo, localizaram um painel de controle exposto, identificaram uma vulnerabilidade e a exploraram para forçar a execução de comandos maliciosos, tudo de forma encadeada e sem intervenção humana em cada etapa.
“Não é fácil chegar a soluções como essa”, disse Snorre Fagerland à Reuters. “Não é coisa de amador.”
A SharkNinja informou à Reuters que o ataque afetou apenas um site utilizado para informações de suporte a produtos, sem maiores consequências. Outras empresas monitoradas por Fagerland não tiveram a mesma sorte: um dos hackers rastreados conseguiu roubar dados de cartão de crédito, enquanto outro tentou desviar fundos de criptomoedas, embora não tenha sido confirmado se essa última operação foi bem-sucedida.
O Carin como vetor: o problema da exposição involuntária
O Carin já havia chamado atenção de pesquisadores de segurança antes deste episódio, justamente por sua popularidade em comunidades de hacking. A plataforma, projetada para encadear agentes de IA em fluxos de resolução de problemas complexos, é funcionalmente poderosa, o que a torna atraente tanto para desenvolvedores legítimos quanto para quem opera no lado errado da linha.
O problema concreto identificado aqui não está no Carin em si, mas nas instâncias mal configuradas que ficam acessíveis publicamente, transformando uma ferramenta de produtividade em ponto de entrada para operações ofensivas.O padrão de ataque baseado em agentes autônomos de IA representa uma mudança estrutural no panorama de ameaças, não apenas uma evolução incremental.
A barreira de entrada para comprometer sistemas corporativos caiu de forma significativa, pois um atacante com conhecimento básico pode delegar a etapa mais técnica do trabalho, o reconhecimento e a exploração de vulnerabilidades, para agentes que operam em escala, em paralelo e sem pausas.
Fonte: Tom’s Hardware
Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
Newsletter do Hardware
Tecnologia, games, IA e internet: nossa seleção de conteúdo direto no seu e-mail.
Inscrição feita!As próximas edições chegam no seu e-mail.

