O que legisladores, bloqueios de ISP e até o próprio Google não conseguiram fazer em quase duas décadas, os mísseis russos quase conseguiram: tirar o 1337x do ar. O popular tracker de torrents, que carrega 19 anos de história e resiste a tentativas de derrubada desde os tempos em que o MPAA ainda acreditava que pressionar governos resolveria o problema da pirataria, ficou fora do ar por conta de ataques a data centers na Ucrânia, conforme reportado pelo Tom’s Hardware. O NordicQuality, tracker nórdico hospedado na mesma região, sofreu o mesmo destino pelo mesmo motivo.
O 1337x acumulou meses enfrentando ataques DDoS, mas a situação atual é que a infraestrutura que resistiu a ataques cibernéticos não pôde fazer nada contra explosões físicas. Máquinas da rede do tracker foram colocadas offline por impacto direto. Ambos os sites voltaram a operar, mas a estabilidade do serviço segue incerta enquanto a situação na Ucrânia não se normaliza.
A dificuldade em identificar exatamente qual provedor hospedava as máquinas dos trackers é desconhecida, pois esse tipo de site raramente expõe seus servidores diretamente à internet, preferindo se esconder atrás de redes de distribuição de conteúdo como o Cloudflare. Isso protege contra ataques DDoS, mas não contra explosões.

O mapa dos data centers destruídos em Kyiv
Os ataques não foram focados contra infraestrutura de pirataria. O alvo era a capacidade computacional ucraniana como um todo. A Virtual Systems reportou ataques em 23 de setembro que derrubaram duas de suas instalações. A MiroHost Ukraine foi completamente destruída. Ataques à CosmoNova tiraram canais de televisão do ar. A DataGroup e a CityHost também foram atingidas.
A sede da KyivStar em Kyiv levou um impacto direto, e autoridades russas afirmam ter atingido também a Vodafone Ukraine. A concentração dos ataques na capital levou várias dessas empresas a mover operações para outras regiões do país ou para o exterior.
19 anos sobrevivendo ao que ninguém conseguia derrubar
O histórico do 1337x é o de um site que tem mais vidas do que parece razoável. Sobreviveu a bloqueios de ISP em múltiplos países, foi removido do índice do Google e resistiu a pressões legais de todo tipo. Hoje figura como o segundo tracker de pirataria mais visitado do mundo, com entre 40 e 50 milhões de visitas mensais, o que por si só é um dado que expõe a eficácia real das abordagens legislativas e corporativas de combate à pirataria.

A escolha da Ucrânia, da Rússia e de outros países do Leste Europeu como sede de hospedagem para esse tipo de site não é aleatória. A região historicamente oferece uma combinação conveniente: legislação de direitos autorais menos rigorosa, responsabilidade legal difusa e dificuldade estrutural em identificar operadores de sites. Esse quadro, contudo, está mudando no caso ucraniano.
O país está alinhando progressivamente sua postura legal à da União Europeia, provavelmente como parte de sua candidatura ao bloco, o que deve tornar o território menos atrativo para esse segmento nos próximos anos.
Fonte: Tom’s Hardware
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