“Receita para o desastre”: senadora dos EUA critica plano de Trump para deixar empresas de IA se autorregularem

Elizabeth Warren criticou o plano de autorregulação da IA defendido por Trump. Outros democratas e republicanos também divergem sobre como controlar o setor.

A decisão de Donald Trump de apostar na autorregulação das grandes empresas de inteligência artificial provocou críticas entre políticos americanos. Uma das reações mais diretas veio da senadora democrata Elizabeth Warren, que resumiu sua posição em uma frase publicada após o encontro do presidente com líderes das maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos: “Autorregulação? Isso é uma receita para o desastre.”

 

Trump reuniu ontem, 29 de setembro, nomes ligados a empresas como Meta, Google, Nvidia, OpenAI, Anthropic e xAI. Do encontro saiu o chamado Joint Commitment on Frontier Responsibilities, um acordo voluntário pelo qual as companhias assumem compromissos para controlar os riscos de seus próprios sistemas de IA.

Trump reuniu Zuckerberg, Musk, Jensen Huang e outros líderes das big tech: 5 pontos que marcaram o encontro

Empresas deverão fiscalizar seus próprios sistemas

O acordo prevê diferentes camadas de segurança, incluindo controles internos, equipes responsáveis por verificar salvaguardas, avaliações de auditores externos e comitês independentes ligados aos conselhos das empresas. O problema apontado pelos críticos está justamente na forma de aplicação dessas medidas: o compromisso não possui a mesma força de uma lei ou regulamentação federal obrigatória.

Trump classificou o acordo como “moralmente vinculante” e afirmou que está observando uma “tremenda autorregulação” entre as empresas. Ele também sinalizou que outras formas de supervisão ainda podem surgir no futuro.

Warren já pressionava o governo antes da reunião

A crítica da senadora não surgiu apenas em reação ao encontro.

No dia 28 de setembro, Warren e o senador democrata Richard Blumenthal enviaram uma carta ao governo Trump questionando justamente a dependência de processos voluntários para testar e monitorar sistemas avançados de IA.

Os dois argumentaram que recentes incidentes envolvendo agentes autônomos mostram a necessidade de testes independentes, investigações e supervisão federal mais rigorosa. Segundo os senadores, medidas voluntárias e a fiscalização feita pelas próprias empresas “claramente não estão funcionando”.

Warren também vinha defendendo publicamente que as regras para inteligência artificial deveriam ser definidas por representantes eleitos e não exclusivamente pelas empresas responsáveis pelo desenvolvimento da tecnologia.

Republicanos também não têm uma posição única

Entre os republicanos também existem diferenças importantes sobre quanto o governo deveria intervir. O presidente da Câmara, Mike Johnson, está mais próximo da abordagem adotada por Trump. Antes da reunião, disse esperar que as salvaguardas fossem voluntárias e argumentou que uma regulamentação ampla poderia prejudicar os Estados Unidos na disputa tecnológica com a China. Depois do encontro, afirmou que o Congresso continuaria analisando o tema, mas não se comprometeu com uma nova legislação.

O senador republicano Ted Cruz, presidente do Comitê de Comércio do Senado, também rejeitou a proposta apresentada por Warner. Cruz afirmou que o projeto concentraria autoridade excessiva no novo conselho e no Departamento de Comércio e defendeu que uma legislação ampla seja construída de maneira bipartidária. Ao mesmo tempo, afirmou estar trabalhando com outros senadores em uma proposta específica para riscos catastróficos relacionados à IA.

Já o republicano Josh Hawley adota uma posição diferente. Em texto publicado no mesmo dia da reunião, ele defendeu responsabilizar empresas quando agentes de IA forem desenvolvidos de maneira imprudente e anunciou uma proposta para deixar explícito que leis contra invasões de sistemas também podem atingir companhias ou usuários que empreguem agentes para cometer crimes.

Hawley também defendeu testes obrigatórios antes do lançamento de modelos avançados, especialmente quando houver riscos relacionados à segurança nacional.

A discussão não se resume a democratas defendendo regulamentação e republicanos apoiando autorregulação. No Congresso, as propostas vão de compromissos voluntários a testes obrigatórios e responsabilização das empresas.

Postado por
Editor-chefe no Hardware.com.br Aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @williamrplaza Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
Siga em:
Compartilhe
Deixe seu comentário
Assine nossa Newsletter
Assine nossa newsletter e receba nossa seleção de conteúdo sobre tecnologia, games, IA e internet em seu email.
Veja também
Publicações Relacionadas
Img de rastreio
Localize algo no site!