A GoPro terminou o segundo trimestre de 2026 com um problema que vai muito além de vender menos câmeras. A companhia registrou prejuízo líquido de US$ 51 milhões, enquanto a receita caiu 31% em um ano, e mantém aberto um processo que pode resultar até na venda da empresa.
O resultado mostra o tamanho da pressão sobre uma marca que durante anos praticamente definiu o mercado de câmeras de ação. No trimestre encerrado em junho, a receita da GoPro ficou em US$ 104,9 milhões, contra US$ 152,6 milhões no mesmo período de 2025. A parte mais preocupante está justamente no negócio que tornou a empresa famosa: a receita de hardware caiu quase 40%, de US$ 126,4 milhões para US$ 76 milhões.
GoPro vendeu apenas 291 mil câmeras no trimestre
A quantidade de câmeras vendidas ao consumidor também encolheu. Foram aproximadamente 291 mil unidades, queda de 38% na comparação anual. O prejuízo GAAP, por sua vez, saltou de US$ 16 milhões para US$ 51 milhões.
Nem mesmo a chegada das novas MISSION 1 e MISSION 1 PRO, cujos envios começaram em maio, conseguiu alterar os números do trimestre, embora elas tenham passado pouco tempo efetivamente disponíveis dentro do período analisado.
Existe, porém, uma área crescendo. A receita de assinaturas e serviços avançou 11%, chegando a US$ 29 milhões e representando 28% de todo o faturamento. Desse total, US$ 2 milhões vieram do programa de licenciamento de conteúdo para inteligência artificial da GoPro.
O crescimento dos serviços, contudo, ainda é pequeno diante da retração do hardware.
A situação financeira tornou a busca por uma saída mais urgente
O balanço apresentado à SEC ajuda a dimensionar o problema. A GoPro encerrou junho com US$ 27,3 milhões em caixa, ante US$ 49,7 milhões no fim de 2025. Nos primeiros seis meses de 2026, a companhia teve saída operacional de caixa de US$ 47,4 milhões.
A própria GoPro afirmou no documento que permanece uma “dúvida substancial” sobre sua capacidade de continuar operando durante os 12 meses seguintes à emissão das demonstrações financeiras. A companhia também declarou que, pelas projeções atuais, não espera ter liquidez suficiente para cumprir determinadas obrigações financeiras sem novas medidas.
Em maio, o conselho já havia iniciado oficialmente uma revisão de alternativas estratégicas, incluindo uma possível venda ou fusão da GoPro. Dois meses depois, o fundador e CEO Nicholas Woodman concordou em fornecer US$ 20 milhões em financiamento adicional.
A empresa que ajudou a transformar action cams em uma categoria global agora precisa encontrar uma forma de fazer sua marca, seus serviços e suas novas câmeras sustentarem um negócio cujo principal produto continua encolhendo.
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