Um controle inspirado no clássico gamepad do NES ganhou uma função que a Nintendo certamente não imaginava para aquele formato: virou o próprio videogame. O projeto da Logic Gate Labs coloca tela colorida, bateria, alto-falante, armazenamento e um microcontrolador dentro da carcaça, criando um portátil capaz de executar jogos de 8 bits e até Doom.
O detalhe que torna a construção ainda mais interessante é o custo. Segundo os responsáveis pelo projeto, os componentes necessários podem ser encontrados por menos de US$ 17 em fornecedores como o AliExpress. O valor, porém, corresponde às peças e não representa o preço de um produto pronto vendido comercialmente.
ESP32-S2 coube onde placas maiores não encaixavam
O principal obstáculo estava justamente no formato que torna o projeto interessante. Há pouquíssimo espaço disponível dentro de um controle de NES.
Placas ESP32 maiores não cabiam na carcaça, enquanto algumas alternativas compactas não ofereciam memória suficiente para a tarefa. A solução encontrada foi usar um ESP32-S2, pequeno o bastante para ocupar o espaço deixado pela remoção da placa original do controle. A transformação exigiu modificações físicas consideráveis. Suportes plásticos internos foram retirados para acomodar a tela, enquanto novos furos abriram espaço para conexão USB de carregamento, slot para cartão microSD, alto-falante e chave de energia.
Até a organização dos fios precisou ser pensada para economizar espaço. Uma barra feita com fio de cobre sem isolamento funciona como terra comum para diferentes componentes, reduzindo a quantidade de cabos dentro da carcaça.
O resultado preserva os botões e o formato externo característico do controle, embora a tela instalada na parte frontal entregue imediatamente que há algo diferente ali.
Jogos ficam no microSD e rodam pelo Retro-Go
Os jogos são armazenados em um cartão microSD. O sistema utiliza o framework de emulação Retro-Go adaptado para funcionar no ESP32-S2, permitindo executar títulos de plataformas de 8 bits.
O hardware também consegue enfrentar algo consideravelmente mais pesado: Doom.
Nesse caso, o projeto utiliza o PrBoom-Go com um arquivo WAD do Freedoom. O desempenho fica entre aproximadamente 5 e 15 quadros por segundo. Está muito distante das versões modernas do jogo, mas é suficiente para demonstrar até onde o pequeno ESP32-S2 pode chegar dentro de uma carcaça originalmente projetada apenas para receber botões. É justamente essa limitação que torna Doom um teste interessante. Os jogos de 8 bits são a utilização natural do portátil; o clássico da id Software funciona mais como demonstração dos limites do hardware.
A lista básica envolve o microcontrolador, uma pequena tela colorida, amplificador e alto-falante, circuito de carregamento, bateria, interruptores e conectores. Segundo o projeto, o conjunto pode ficar abaixo dos US$ 17 comprando componentes de fornecedores de baixo custo.
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