Técnico brasileiro encontra vazamento de metal líquido em PS5 Slim e se surpreende: “achei que fosse mito”

Técnico brasileiro encontra vazamento de metal líquido em um PS5 Slim, recupera o console após a limpeza e afirma: “achei que fosse mito”.

Um técnico brasileiro chamado Gabriel Schiavon relatou ter recebido para reparo um PlayStation 5 Slim que apresentava falhas de inicialização. Ao abrir o videogame, ele encontrou resíduos de metal líquido fora da área delimitada ao redor da APU, o chip principal do console. O caso foi publicado por Schiavon no grupo PlayStation Brasil, no Facebook. Segundo o profissional, que trabalha há alguns anos com manutenção de consoles, este foi o primeiro aparelho que chegou à sua bancada com esse tipo de problema.

Gabriel afirmou que já havia consertado inúmeros PS5 e, até então, nunca tinha encontrado pessoalmente um caso no qual o metal líquido tivesse saído da região da APU. Por esse motivo, ele considerava que os relatos sobre o material vazar e danificar o console poderiam ser um mito criado pela própria comunidade.

“Eu só tinha ouvido falar sobre PS5 em que o metal líquido vaza e mata o console. Até hoje, com inúmeros PS5 que já arrumei, nenhum veio com esse defeito, e eu achava ser um tipo de mito criado pela comunidade”, escreveu Gabriel Schiavon.

O aparelho envolvido no caso é um PS5 Slim com placa identificada como EDM-04

PS5 ligava, permanecia com a luz azul e depois passou a desligar

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De acordo com o relato, o PS5 inicialmente ligava, mas permanecia com a luz azul acesa, sem concluir normalmente o processo de inicialização. Quando Schiavon tentou ligar novamente o console para realizar testes, o aparelho emitia o sinal sonoro e desligava logo em seguida. Como esse comportamento pode ser provocado por diferentes problemas, o técnico utilizou uma conexão UART para tentar consultar os registros de erro da placa. UART é uma interface de comunicação que pode ser usada por profissionais de reparo para acessar informações de diagnóstico produzidas pelo aparelho. No caso analisado, porém, o sistema retornou um erro desconhecido.

Diante da falta de um diagnóstico conclusivo, o técnico desmontou o PS5 Slim para realizar medições diretamente na placa. Foi nesse momento que encontrou marcas e resíduos de metal líquido fora da área de contato da APU.

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As fotos publicadas por Schiavon mostram o material na região próxima à estrutura de proteção que cerca o chip.

Console voltou a funcionar depois da limpeza

O técnico afirma que realizou uma limpeza inicial antes de fotografar a placa, evitando que o material continuasse se espalhando enquanto o aparelho permanecia aberto.

Depois da remoção do resíduo, o PS5 voltou a ligar normalmente. Para Schiavon, o resultado indica que o metal líquido presente fora da área da APU estava relacionado à falha de inicialização. “O defeito saiu e o console ligou normalmente, confirmando que foi o metal líquido que ocasionou a falha. Por sorte do cliente, não matou a APU”, afirmou;

Ainda segundo o profissional, uma marca permaneceu visível na placa após o primeiro procedimento, motivo pelo qual seria necessária uma limpeza mais profunda. 

Por que o PS5 utiliza metal líquido?

Em vez de aplicar uma pasta térmica convencional entre a APU e o sistema de refrigeração, a Sony utiliza metal líquido nessa região do PS5. O material melhora a transferência do calor produzido pelo chip para o dissipador, mas exige um sistema de contenção próprio. Diferentemente das pastas térmicas mais comuns, ligas de metal líquido também conduzem eletricidade.

Por isso, o contato do material com componentes ou trilhas fora da área prevista pode provocar mau funcionamento e, dependendo do ponto atingido, danos à placa.

Ao redor da APU existe uma barreira destinada a manter o composto concentrado sobre o chip. As imagens publicadas pelo técnico mostram resíduos do lado externo dessa proteção.

Técnicos debateram se o problema foi causado por queda ou pela posição do console

A publicação recebeu vários comentários de profissionais que também afirmaram trabalhar com manutenção de videogames. Parte deles questionou se o metal líquido teria saído da área da APU durante o uso normal do console. Rodrigo Silveira, que se apresentou como técnico em games, afirmou que o material não escorreria espontaneamente para fora da proteção. Segundo ele, quando o PS5 permanece na posição vertical, a gravidade poderia apenas fazer com que o metal líquido se concentrasse na parte inferior da área protegida.

Para Rodrigo, o deslocamento mostrado nas imagens teria sido provocado por algum impacto sofrido pelo aparelho. “O metal líquido não escorre. O máximo é ficar parado na parte de baixo do protetor quando o cliente deixa o aparelho de pé devido à ação da gravidade. O que aconteceu nesse aparelho foi algum tipo de queda ou batida”, comentou.

Gabriel Schiavon respondeu que a APU fica pressionada contra o dissipador e conta com uma proteção justamente para reduzir esse risco. Ele também afirmou que o material encontrado teria passado por cima e pela lateral dessa barreira.

Segundo Gabriel, o console ainda estava lacrado e não apresentava externamente sinais de uma queda forte.

“O die fica bem justo no dissipador para evitar esse tipo de problema, junto com o protetor. Escorreu por cima e ainda pela lateral. Bem estranho: console lacrado e, por fora, sem indício de queda brusca também”, respondeu o técnico.

Outro participante da discussão, Osvaldo Henrique, também se identificou como técnico e disse já ter encontrado ocorrências semelhantes. Segundo ele, o risco existiria principalmente nos primeiros modelos do PS5, conhecidos como série 10.

Uso do PS5 na vertical ainda divide profissionais de reparo

O caso publicado por Gabriel Schiavon não é o único registro de técnicos discutindo o comportamento do metal líquido dentro do PlayStation 5.

Em uma publicação no Reddit no ano passado, um usuário que se apresentou como técnico de reparos há dez anos afirmou receber consoles utilizados na posição vertical por mais de um ano com desligamentos frequentes e problemas de superaquecimento. Segundo ele, as imagens compartilhadas mostravam o metal líquido concentrado na parte inferior da região da APU, com áreas de cobertura irregular e sinais de oxidação. O técnico reconheceu que sua amostra é naturalmente enviesada, já que recebe aparelhos com defeito, mas disse ter encontrado centenas de casos semelhantes desde o lançamento do PS5. Ele também afirmou considerar o sistema térmico do PS4 mais confiável e disse preferir pasta térmica, por entender que o metal líquido torna a manutenção mais difícil e pode provocar oxidação.

DO NOT STORE YOUR PS5 VERTICALLY
by
u/Supersmashlord in
PlayStationSolutions

 

Na mesma publicação, o autor alegou que modelos do PS5 Pro produzidos a partir de novembro de 2024 passaram a utilizar ranhuras no dissipador para reduzir o deslocamento do metal líquido provocado pela gravidade. Segundo ele, essa alteração também teria chegado aos modelos Slim produzidos a partir de novembro de 2025.

O relato também descreve uma situação diferente da observada por Gabriel. No Reddit, o técnico fala principalmente sobre a concentração do metal líquido dentro da área da APU e a consequente perda de eficiência térmica. No PS5 Slim reparado por Gabriel, o material ultrapassou a proteção e alcançado a região externa ao chip.

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Editor-chefe no Hardware.com.br/GameVicio Aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
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