O diretor Zach Cregger deu a declaração que os fãs de Resident Evil precisavam ouvir: ele não vai tentar recriar Leon S. Kennedy no cinema. Em entrevista ao canal do ScreenRant, Cregger explicou a lógica por trás da escolha de usar personagens originais em seu filme da franquia, e o raciocínio revela um entendimento da série que as adaptações anteriores nunca demonstraram ter.
Leon existe nos jogos, e ponto final

“Eu não vou conseguir melhorar o Leon. Sinto que o Leon existe nos jogos, e qualquer ator que eu escale, qualquer corte de cabelo que eu dê a ele, qualquer fala que eu escreva, simplesmente não vai ser o Leon, porque o Leon existe”, disse Cregger na entrevista. A declaração soa simples, mas carrega uma consciência que os filmes de Paul W.S. Anderson nunca tiveram: personagens construídos ao longo de décadas de jogabilidade, cutscenes e fãs dedicados não são ativos transferíveis para o cinema sem custo. Eles têm peso próprio, e qualquer casting inevitavelmente vai disputar espaço com a versão que cada jogador já tem na cabeça.
A solução de Cregger é cirúrgica: contar uma história original que habita o universo dos jogos, respeita suas regras e, principalmente, captura a experiência de jogá-los. “O que prefiro fazer é contar uma história original que viva no mundo dos jogos, que obedeça largamente às regras dos jogos, mas que pareça mais com a experiência que você tem quando está jogando”, explicou o diretor.
Survival horror, não survival action
A distinção que Cregger faz entre survival horror e survival action é, provavelmente, o diagnóstico mais preciso já dado sobre o fracasso das adaptações anteriores da franquia. Ver uma personagem levitar por um corredor cheio de lasers vermelhos ou executar acrobacias sobre-humanas funciona como fantasia de poder quando o jogador está no controle, mas no cinema vira constrangimento. O espectador não tem a agência que transforma aquele momento em satisfação, então o que sobra é só o absurdo.
A aposta no horror de sobrevivência é mais inteligente porque ancora o filme na vulnerabilidade, não na competência. “O que os jogos fazem bem é construir essa atmosfera incrível, esse pavor, essa tensão enquanto você avança pelos cenários, e as coisas escalam, e escalam, e escalam. Você sempre sente que não tem recursos suficientes, que está ferido e que o mundo inteiro está completamente contra você. É isso que torna Resident Evil tão agradável para mim. É para isso que esse filme foi construído, para dar a você aquela tensão de dread lento e escalada que os jogos aperfeiçoaram”, disse Cregger.
O fã que sabe o que não pode fazer
Cregger também foi direto sobre sua relação com os filmes anteriores: ele não os assistiu. “Eu sou um fã enorme dos jogos, estou fazendo esse filme para celebrar os jogos. Não vou canibalizar os personagens e as histórias que os jogos já fazem tão bem.” A escolha de não consumir as adaptações anteriores pode parecer arrogante, mas lida de outra forma é uma precaução criativa legítima: o diretor está deliberadamente evitando contaminar sua visão com decisões que ele mesmo reconhece que não teria tomado.
Fonte: PC Gamer
Quer reencontrar Leon? Então a melhor experiência continua sendo nos jogos
Se Zach Cregger acredita que ninguém consegue substituir Leon S. Kennedy no cinema, a melhor forma de reviver um dos personagens mais icônicos da franquia continua sendo nos games. Em Resident Evil Requiem, Leon retorna em uma nova história repleta de tensão, exploração e combates que preservam a essência do survival horror. Para quem terminou a leitura com vontade de acompanhar o agente mais querido da série, este é o lugar certo para fazer isso.