Jensen Huang relembra como a SEGA ajudou a salvar a NVIDIA da falência: “O Japão e a Sega permanecerão para sempre em meu coração”

Durante um evento no Japão, Jensen Huang relembrou como a SEGA ajudou a salvar a NVIDIA da falência e declarou que o país e a empresa permanecerão para sempre em seu coração.

A expectativa era de um evento voltado para inteligência artificial, novos computadores e a expansão da plataforma RTX Spark no Japão. Mas Jensen Huang resolveu começar por outro assunto.

No palco, em Tóquio, o CEO da NVIDIA deixou as especificações técnicas em segundo plano e voltou quase trinta anos no tempo para agradecer publicamente à Sega por uma decisão que, segundo ele, mudou o destino da empresa. O momento aconteceu durante uma apresentação que reuniu alguns dos principais nomes da indústria japonesa de games. Ao lado de Huang estavam Haruki Satomi, presidente e CEO da Sega Sammy Holdings; Shuji Utsumi, presidente da Sega Corporation; Yu Suzuki, criador de Virtua Fighter; e Shoichiro Irimajiri, ex-presidente da Sega Enterprises. Foi justamente para Irimajiri que Huang dirigiu boa parte de seu discurso.

 

 “Sem a Sega e o apoio deles naquela época, a NVIDIA não existiria hoje”.

A frase resume uma história que já contamos aqui no Hardware.com.br. A SEGA fez nos anos 90 um investimento de US$ 5 milhões que foi determinante para salvar a NVIDIA da falência. 

Você sabia? A SEGA salvou a NVIDIA da falência nos anos 90; conheça essa história

Um evento sobre o futuro que começou olhando para o passado

O encontro em Tóquio tinha um objetivo claro. A NVIDIA apresentou oficialmente ao público japonês o RTX Spark, sua nova plataforma voltada para PCs com Windows baseados em arquitetura Arm, capaz de executar cargas de trabalho de inteligência artificial localmente. A companhia também anunciou uma colaboração com a Sega para otimizar jogos da desenvolvedora para a nova plataforma, começando por Virtua Fighter Crossroads, exibido durante o evento rodando em um protótipo equipado com o novo hardware. A empresa japonesa confirmou que Virtua Fighter Crossroads será um dos primeiros jogos adaptados para explorar os recursos do RTX Spark, incluindo aceleração por IA e tecnologias gráficas da NVIDIA.

Mas Huang decidiu interromper esse roteiro para contar uma história iniciada quando a empresa ainda lutava para sobreviver. Em vez de abrir a apresentação falando sobre chips, bilhões de parâmetros ou desempenho em inteligência artificial, preferiu dedicar os primeiros minutos a agradecer pessoas que estavam sentadas ao seu lado no palco.

Quando a NVIDIA era apenas uma startup

Antes de se tornar protagonista da corrida pela inteligência artificial, a NVIDIA era uma empresa pequena tentando encontrar espaço em um mercado dominado por fabricantes muito maiores. Fundada em 1993, a companhia apostava que os gráficos tridimensionais seriam o futuro dos computadores pessoais.

A SEGA enxergou potencial nessa tecnologia. Da parceria nasceu o NV1, primeiro chip multimídia desenvolvido pela NVIDIA e utilizado em placas para PC compatíveis com tecnologias da fabricante japonesa.

O projeto, porém, seguiu um caminho diferente daquele adotado pelo restante da indústria. Enquanto a Microsoft consolidava o DirectX baseado em polígonos triangulares, o NV1 utilizava superfícies quadráticas. Tecnicamente era uma abordagem sofisticada, mas acabou isolada do padrão que dominaria o mercado. O fracasso comercial colocou a jovem empresa em uma situação extremamente delicada.

“Vim para o Japão em 1994 e conheci o Sr. Irimajiri e o Sr. Suzuki. Naquela época, a NVIDIA ainda estava em seus primórdios. Tínhamos acabado de começar a fazer jogos com gráficos 3D, mas ninguém estava tentando fazer jogos 3D para PCs, e eles só existiam em fliperamas”, relembrou Jensen.

A decisão que mudou a história

Quando a parceria envolvendo o NV1 chegou ao fim, a SEGA poderia simplesmente encerrar a relação, mas não foi o que aconteceu. A gigante japonesa resolveu investir cerca de US$ 5 milhões na NVIDIA.  O valor não representava apenas um aporte financeiro, na verdade o efeito prático era “comprar tempo”. 

Tempo para manter engenheiros, desenvolver uma nova arquitetura, uma segunda chance.  Poucos anos depois surgiriam chips como o RIVA 128 e, posteriormente, a linha GeForce, responsável por transformar a NVIDIA em uma das principais fabricantes de processadores gráficos do mundo.

Durante o evento em Tóquio, Huang voltou a afirmar que aquele investimento foi determinante para a sobrevivência da companhia.

A inversão de papéis

E ainda existe um detalhe curioso nessa história, quando a Sega decidiu apostar na NVIDIA, era uma das empresas mais influentes da indústria de videogames. A NVIDIA era apenas uma startup tentando sobreviver, mas hoje a relação é praticamente inversa.

A fabricante americana tornou-se uma das empresas mais valiosas do planeta, impulsionada pela explosão da inteligência artificial.

A SEGA continua sendo uma desenvolvedora respeitada, dona de franquias importantes e presença constante no mercado, mas muito distante da posição dominante que ocupava nos anos 1990.

“O Sr. Irimajiri e sua equipe me fizeram perceber que a NVIDIA havia escolhido as pessoas certas. Sr. Irimajiri, Sr. Suzuki, a amizade de vocês significa tudo para mim, e o Japão e a Sega permanecerão para sempre em meu coração. E espero que vocês se orgulhem de que ainda estamos trabalhando juntos até hoje”, concluiu Jensen.

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