Este notebook Dell era pra ser sucata, mas virou a peça central do servidor de mídia deste brasileiro

Um notebook Dell encontrado atropelado ganhou uma segunda vida como servidor de mídia. Veja como o brasileiro reaproveitou o equipamento com Linux, Docker e Jellyfin.

Um notebook Dell encontrado na rua depois de ter sido atropelado por um carro ganhou uma segunda vida improvável. Sem tela, preso à parede acima da porta de um cômodo da casa, o equipamento funciona hoje como um servidor doméstico de mídia que permanece ligado 24 horas por dia para distribuir filmes, séries e músicas entre diferentes dispositivos.

Segundo o autor da publicação no Reddit, apenas a tela havia sido destruída no acidente. Depois de instalar um SSD, ampliar a memória RAM e configurar Ubuntu Server com Docker, o antigo notebook passou a hospedar uma biblioteca acessada pela TV, pelo computador e pelo celular.

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De notebook atropelado a servidor doméstico

A ideia começou quando o pai do autor encontrou um Dell Inspiron 5458 abandonado na rua. O notebook havia sido atropelado por um carro e ficou com a tela completamente inutilizada, mas o restante do hardware continuava funcionando normalmente.

Em vez de descartar o equipamento, ele decidiu dar uma nova utilidade ao computador. O notebook recebeu um SSD de 120 GB para o sistema operacional, um pente adicional de memória, passando a totalizar 12 GB de RAM, e foi transformado em um servidor doméstico dedicado ao armazenamento e à distribuição de filmes, séries e músicas.

O SSD ficou reservado exclusivamente para o Ubuntu Server e suas configurações. Já a biblioteca de mídia foi distribuída entre um HD instalado no compartimento do antigo drive óptico (caddy) e dois HDs externos: um destinado a filmes e séries e outro dedicado às músicas.

Como a tela deixou de funcionar, o notebook também ganhou uma instalação pouco convencional. Em vez de ocupar uma mesa ou uma prateleira, ele foi fixado acima da porta do cômodo, ao lado do roteador, da fonte de alimentação e dos discos externos responsáveis pelo armazenamento. O autor explica que escolheu esse local para manter toda a estrutura escondida e aproveitar um espaço que normalmente ficaria sem uso. Segundo ele, o servidor só chama atenção quando alguém sai do quarto ou do banheiro. A solução, porém, não agradou totalmente em casa. “A patroa não gostou muito”, brincou ao responder um dos comentários da publicação.

Docker concentra todos os serviços em um único equipamento

Com o hardware pronto, o próximo passo foi instalar o Ubuntu Server e concentrar toda a infraestrutura em containers Docker.

O Jellyfin tornou-se o centro do sistema para reprodução de filmes, séries e músicas, enquanto aplicações como Sonarr, Radarr, Bazarr e Prowlarr automatizam tarefas como busca de conteúdo, gerenciamento de legendas e integração com indexadores. O servidor também executa Jellyseerr, qBittorrent, Tdarr e Navidrome, além de utilizar Samba para compartilhamento de arquivos na rede local e Tailscale para acesso remoto.

Segundo o autor, a mudança foi motivada pela troca de smartphone. Como os modelos atuais raramente oferecem suporte para cartões microSD, ele decidiu migrar toda a biblioteca musical para o servidor e passou a acessá-la pelo aplicativo Symfonium.

ChatGPT e Claude serviram como “professores”

O projeto tem outro detalhe curioso: seu criador afirma que nunca havia utilizado Linux antes de montar o servidor. Praticamente toda a configuração foi feita com ajuda do ChatGPT, desde a instalação do Ubuntu Server até a criação dos containers Docker. Alguns ajustes mais específicos e scripts de automação foram refinados posteriormente com o Claude.

Embora modelos de inteligência artificial tenham facilitado o aprendizado, a documentação oficial das aplicações continua sendo a principal referência para validar comandos e configurações mais sensíveis.

A bateria do notebook acabou virando um pequeno nobreak

As frequentes quedas de energia na região onde mora levaram o autor a criar uma automação para proteger o servidor.

Um script monitora continuamente o nível de carga da bateria do notebook. Quando ela atinge aproximadamente 8%, o sistema desmonta os discos com segurança, encerra os serviços em execução e desliga automaticamente o computador, reduzindo o risco de corrupção dos dados. Quando a energia retorna, basta iniciar novamente o notebook para que os discos sejam montados e todos os serviços voltem a funcionar normalmente.

Nesse tipo de projeto, a bateria integrada acaba funcionando como uma pequena camada extra de proteção, algo que computadores de mesa normalmente só conseguem oferecer com o auxílio de um nobreak.

O único inconveniente aparece quando falta energia

Se a bateria ajuda a proteger o servidor, a tela quebrada continua impondo uma limitação curiosa.

Sempre que o notebook precisa ser ligado manualmente, o proprietário sobe em uma cadeira para retirar o equipamento do suporte preso à parede. Como não consegue visualizar o menu da BIOS, ele realiza todo o procedimento praticamente de memória.

Segundo o relato, basta ligar o notebook, pressionar F9, apertar três vezes a seta para baixo e confirmar o boot pelo SSD. Só depois disso o computador volta para o suporte acima da porta e o restante da administração passa a ser feito remotamente.

 

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Editor-chefe no Hardware.com.br/GameVicio Aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
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