Esse fã de Death Stranding construiu o Odradek e fez o equipamento funcionar de verdade

Um desenvolvedor recriou o Odradek de Death Stranding com Raspberry Pi e IA local. O dispositivo reconhece objetos, responde a comandos de voz e movimenta suas hastes em tempo real

O equipamento conhecido pelos jogadores de Death Stranding como Odradek ganhou uma versão funcional fora do universo do game. Um desenvolvedor publicou no Reddit um projeto que reproduz o visual do dispositivo utilizando um Raspberry Pi 5, um acelerador de inteligência artificial Hailo-10H e um conjunto de modelos de IA executados localmente para reconhecer objetos e responder a comandos de voz.

Functional Odradek from Death Stranding using Pi 5 8GB and AI HAT+2
by
u/brenpoly in
raspberry_pi

 

Em vez de servir apenas como réplica decorativa, o equipamento movimenta automaticamente suas hastes para acompanhar objetos detectados pela câmera instalada na estrutura. O autor compartilhou fotos do projeto, um vídeo de demonstração e detalhes da arquitetura de hardware e software utilizada.

Como o projeto foi construído

No centro do sistema está um Raspberry Pi 5 de 8 GB, responsável por executar os modelos de inteligência artificial e controlar boa parte do fluxo de processamento.

O computador trabalha em conjunto com uma Camera Module v3 e um AI HAT+2, placa equipada com o acelerador Hailo-10H, voltado para aplicações de visão computacional diretamente no dispositivo.

Segundo o desenvolvedor, o movimento do Odradek é realizado por um braço robótico instalado na estrutura. A parte mecânica é controlada por um Seeed Studio XIAO ESP32-C6, microcontrolador responsável pelos atuadores, motores e iluminação presentes no equipamento.

As imagens publicadas mostram que o projeto preserva a aparência característica do acessório de Death Stranding, incluindo as lâminas articuladas que se movimentam enquanto o sistema acompanha objetos detectados pela câmera.

IA local interpreta comandos de voz antes de procurar objetos

O funcionamento do dispositivo depende de uma cadeia de processamento composta por diferentes modelos de IA.

Primeiro, o sistema permanece aguardando uma palavra de ativação utilizando o openWakeWord. Quando um comando é detectado, o áudio é transcrito localmente pelo Whisper.

O texto gerado é enviado ao modelo Qwen3 1.7B Instruct, que interpreta o pedido do usuário e converte a solicitação em uma categoria compatível com o conjunto de dados COCO, amplamente utilizado em visão computacional.

Esses identificadores são então enviados ao YOLOv11n, responsável por localizar o objeto na imagem capturada pela câmera. Quando o alvo é encontrado, o braço robótico movimenta o Odradek para acompanhá-lo em tempo real.

Segundo o autor, todo esse fluxo foi desenvolvido para funcionar localmente, reduzindo a dependência de serviços em nuvem

A referência a Death Stranding vai além da aparência

No universo criado por Hideo Kojima, o Odradek é utilizado para detectar os chamados BTs (Beached Things), criaturas invisíveis que representam uma das principais ameaças do jogo.

O desenvolvedor decidiu adaptar esse conceito para o mundo real.

Em vez de procurar entidades fictícias, o equipamento realiza varreduras em busca de identificadores Bluetooth. O objetivo inicial era detectar óculos inteligentes próximos e usar essas informações para direcionar automaticamente a busca por pessoas utilizando esse tipo de dispositivo.

Essa adaptação faz referência direta ao funcionamento do equipamento dentro do jogo, mantendo a proposta original do acessório enquanto explora aplicações reais de visão computacional.

Uma limitação do Hailo-10H mudou os planos do projeto

Apesar de o sistema já funcionar para rastrear objetos, o criador afirma que encontrou uma limitação durante o desenvolvimento.

Segundo ele, os modelos atualmente disponíveis para o Hailo-10H não oferecem os mesmos recursos de pós-processamento presentes em modelos compatíveis com o acelerador Hailo-8, utilizado na geração anterior do AI HAT para Raspberry Pi.

Por causa dessa diferença, ele não conseguiu implementar da forma planejada a detecção automática de pessoas utilizando óculos inteligentes, recurso que pretendia integrar ao sistema baseado em Bluetooth.

Ao final da publicação, o autor pede sugestões da comunidade para contornar essa limitação utilizando modelos compatíveis com o hardware disponível.

Raspberry Pi continua impulsionando projetos de IA embarcada

Nos últimos anos, o Raspberry Pi passou a receber suporte crescente para aceleradores dedicados à inteligência artificial, permitindo executar modelos de visão computacional diretamente no dispositivo sem depender de servidores externos.

A combinação entre placas como o AI HAT+, modelos compactos de linguagem e detectores de objetos abriu espaço para projetos que unem robótica, automação residencial e agentes físicos capazes de interpretar comandos de voz e interagir com o ambiente.

O projeto inspirado em Death Stranding demonstra como essas ferramentas podem ser combinadas em um único sistema, utilizando hardware relativamente acessível e software de código aberto para transformar um equipamento fictício em um dispositivo funcional.

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Editor-chefe no Hardware.com.br/GameVicio Aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
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