O desaparecimento da mídia física no ecossistema PlayStation seria menos uma questão tecnológica e mais uma decisão de negócios. Essa é a avaliação de Rhys Elliott, diretor de pesquisa da consultoria Alinea Analytics, ao comentar por que fabricantes de consoles têm incentivos financeiros para concentrar suas vendas no formato digital.
Sony has announced that, from January 2028, it’ll stop producing physical discs for all new games releasing on PlayStation consoles.
This is all about control. Everything Sony gains from killing the disc flows from the fact that a disc is a unit of value the platform holder… pic.twitter.com/L7NBu14Fof
— Rhys Elliott (@superhys) July 1, 2026
Segundo Elliott, o principal motivo seria o controle sobre a receita gerada por cada jogo vendido. Um disco físico rende dinheiro para a Sony apenas na primeira venda. Depois disso, ele pode ser revendido, alugado ou emprestado inúmeras vezes sem que a fabricante receba qualquer participação financeira.
No ambiente digital, essa dinâmica muda completamente. Sem um mercado de usados, cada consumidor que quiser adquirir um jogo precisará comprá-lo diretamente na loja oficial ou esperar por uma promoção oferecida pela própria plataforma.
Outro ponto destacado pelo analista envolve os preços. Jogos físicos seguem a lógica tradicional de oferta e demanda. Com o passar dos meses, cópias usadas costumam aparecer por valores inferiores aos praticados nas lojas digitais, criando uma referência de preço que limita o poder das fabricantes para definir quanto um título deve custar.
Na avaliação de Elliott, a eliminação da mídia física ampliaria esse controle comercial, embora isso ocorresse em detrimento de algumas opções disponíveis aos consumidores, como revenda, empréstimo e colecionismo.
Nem tudo seria negativo para os estúdios
O analista afirma que desenvolvedores também poderiam obter algumas vantagens em um mercado totalmente digital.
Produzir uma edição física exige que o estúdio entregue uma versão considerada final para certificação com meses de antecedência, permitindo a fabricação e distribuição dos discos. Na prática, segundo Elliott, equipes frequentemente montam uma versão apenas estável o suficiente para passar pelo processo de certificação e continuam trabalhando até o lançamento, distribuindo posteriormente um patch no primeiro dia.
Sem a necessidade de fabricar discos, esse cronograma ficaria mais flexível. Os estúdios poderiam dedicar mais tempo ao polimento do jogo antes da estreia, reduzindo parte da pressão existente nas etapas finais do desenvolvimento
O impacto sobre as lojas especializadas
A possível redução da mídia física também afetaria diretamente o varejo especializado.
Durante décadas, lojas de games dependeram do mercado de usados para manter margens de lucro saudáveis. Enquanto os jogos novos costumam oferecer retorno financeiro limitado para os varejistas, títulos seminovos representam uma fonte muito mais rentável de receita.
Elliott cita sua própria experiência trabalhando na rede britânica GAME entre 2006 e 2013 para ilustrar esse modelo. Segundo ele, boa parte das metas comerciais estava ligada justamente à venda de jogos usados.
Com a distribuição migrando totalmente para códigos digitais ou downloads, esse diferencial desaparece. Para o consumidor, deixam de existir benefícios como revenda, empréstimo ou formação de coleção física. Para muitas lojas especializadas, isso significaria perder um dos principais pilares de sustentação do negócio.
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