Histórico! Técnicos brasileiros salvam RTX 5070 Ti com buraco no PCB e fazem a placa bater recorde mundial

Trio brasileiro salvou RTX 5070 Ti com buraco no PCB usando placa de RTX 2080 Ti e cravou 11.106 pontos no Superposition 8K — top 1 mundial.

Uma GeForce RTX 5070 Ti com buraco no PCB, alimentada por um PCB de RTX 2080 Ti e reforçada com fios de “chuveiro”, acaba de cravar um recorde mundial no benchmark Superposition em 8K. O trio brasileiro Paulo Gomes, Enzo Túlio (1155 do ET) e Sidnelson transformou sucata em plataforma de overclock extremo.

Uma live de pouco mais de sete horas colocou o Brasil no topo do ranking mundial do Superposition 8K com a RTX 5070 Ti mais improvável da história: uma placa que sofreu dano elétrico catastrófico a ponto de abrir um buraco no PCB e destruir boa parte do VRM. Em vez de descartar o hardware, Paulo Gomes reencarnou a GPU usando o PCB de uma ASUS RTX 2080 Ti como base de alimentação, criando um “Frankenstein” elétrico que, refinado em parceria com Enzo Túlio (1155 do ET) e Sidnelson, acabou superando projetos perfeitamente íntegros no ranking global.

De sucata carbonizada a plataforma de teste extremo

Meses atrás, a história começou com uma RTX 5070 Ti que chegou ao laboratório de Paulo Gomes praticamente condenada, com vários módulos de VRM destruídos e um rasgo no PCB na região de alimentação. O caminho mais simples seria o lixo, mas o modder decidiu enxergar a GPU como um “núcleo bom com corpo ruim” e testou diferentes formas de transplantar alimentação até estabilizar tensões básicas

O setup da live e o gargalo escondido no PCIe

A live mais recente começou em um cenário longe do ideal: a RTX 5070 Ti  estava montada sobre o PCB da RTX 2080 Ti, mas só conseguia entregar vídeo em resoluções baixas e sofria uma queda de tensão de cerca de 400 mV sob carga, o que derrubava desempenho para algo próximo de uma RTX 3070. Em termos práticos, isso significa que, mesmo com uma GPU de geração superior, a perda de tensão nas linhas NVVDD/MSVDD transformava o potencial de topo de linha em performance de segmento intermediário.

Para piorar, o sistema inicial rodava em PCIe 4.0 operando em x4, limitando a banda efetiva a aproximadamente 8 GB/s, quando um slot x16 em PCIe 3.0 já entrega cerca de 16 GB/s. Em benchmarks em 8K, essa diferença de banda entre GPU e CPU não é apenas detalhe de ficha técnica: ela impacta diretamente a estabilidade de frames e a capacidade da placa de manter clocks elevados sem esbarrar em gargalos de comunicação

Ainda no começo da sessão, a equipe resolveu três travas críticas: corrigiu sinais de data/clock para restaurar vídeo estável em 1080p, contornou conflitos de driver no Windows que derrubavam a placa em tela preta e reforçou o “elo” elétrico entre 2080 Ti e 5070 Ti, soldando fios adicionais nas linhas de NVVDD, MSVDD e GND. O resultado prático desses ajustes foi reduzir perdas por resistência nos cabos, o que diminui aquecimento parasita e melhora a eficiência da entrega de energia na hora em que o clock sobe.

O momento da virada: banda dobrada e recorde em 8K

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Com a placa finalmente estável o bastante para rodar jogos, o trio decidiu usar o Unigine Superposition em 8K como termômetro de desempenho. Nas primeiras passadas, o score ficava em cerca de 90% de uma RTX 5070 Ti original, mostrando que a gambiarra elétrica ainda custava um pedaço de performance

Em meio a ajustes de clock e tensões, o time enfrentou efeitos colaterais típicos de overclock extremo: houve teste em que a GPU saltou de 50 °C para 80 °C em aproximadamente um segundo, enquanto um dos fios de 12 V se aproximava perigosamente dos 100 °C. Na prática, isso deixa claro que o limitante não era só o silício da NVIDIA, mas também a capacidade térmica e a resistência dos cabos improvisados, exigindo câmera térmica, monitoramento constante e margem de segurança para evitar derretimento físico.

Outro desafio era a ausência de telemetria de consumo: devido ao dano original, a 5070 Ti não conseguia reportar power draw pelos meios tradicionais. Para contornar o problema, Paulo Gomes desenvolveu um software externo de medição que acompanha a corrente nas linhas de alimentação, criando uma espécie de painel de consumo paralelo. Isso é crucial quando se está soldando fios de “chuveiro” numa placa de vídeo: saber se a placa está puxando 250 W ou 350 W muda completamente o risco de esquentar demais o cobre e partir o cabo no meio do benchmark.

O passo que mais mexeu no desempenho veio da placa-mãe: a equipe trocou o sistema original baseado em Intel Core de 13ª geração, limitado a PCIe 4.0 x4, por uma plataforma com AMD Ryzen 5 3600 em PCIe 3.0 x16. Ao dobrar a largura de banda disponível entre CPU e GPU, os modders removeram um gargalo estrutural do teste, o que permitiu à 5070 Ti Frankenstein respirar melhor em resoluções muito altas e sustentar clocks maiores sem engasgos na transmissão de dados.

A escalada de pontos: 

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Durante a live, o trio adotou um ciclo claro: ajustar, testar, medir e repetir. A sequência de scores fala por si: 8.400, depois 9.000, 9.600, 9.800, 10.600 e, enfim, quebras sucessivas da barreira dos 11 mil pontos no Superposition 8K. Cada salto vinha de microajustes combinando aumento de clock de GPU, overclock de memória e redução progressiva da queda de tensão entre a 2080 Ti e a 5070 Ti.

No vídeo compilado, dá para ver quando a placa encosta e passa a casa dos 10 mil pontos, ainda com queda de tensão significativa, e como o reforço de cabos de GND e 12 V vai aparando a diferença entre o que sai do VRM e o que chega no núcleo da GPU. Em termos práticos, reduzir o “drop” de aproximadamente 400 mV para algo em torno de 30 mV significa que, sob carga pesada, a GPU recebe quase a mesma tensão que foi configurada, o que é fundamental para manter 3,2 GHz estáveis sem crash.

Em um dado momento, um espectador da live decidiu disputar o recorde em tempo real, subindo seu próprio score no ranking para ultrapassar temporariamente o trio brasileiro. A reação foi imediata: mais ajustes de clock, refinamento de tensão, nova rodada de Superposition e recuperação do topo, num clima de “guerra fria” de pontos que manteve o chat engajado até o final do experimento.

O recorde oficial registrado no ranking do Superposition 8K e no HWBOT ficou em 11.106 pontos — esta é a marca que aparece como top 1 mundial. E eles ainbda chegaram a obter 11.150 pontos em outra rodada, mas o score validado e publicado nos rankings internacionais é o de 11.106, que coloca essa RTX 5070 Ti no topo absoluto da categoria

Clocks insanos, limites térmicos e o legado para a cena de modding

No resumo técnico do feito, a RTX 5070 Ti com PCB danificado chegou a aproximadamente 3,23 GHz de clock de GPU, com memória chegando a 36 Gbps.Traduzindo para impacto real, isso significa extrair níveis de performance que colocam essa placa improvisada na faixa alta do espectro de overclock global da geração, rivalizando com modelos premium refrigerados e tunados em condições muito mais confortáveis

A equipe comenta que alcançar 36 Gbps na memória veio “sem esforço”, com a sensação de que 38 Gbps talvez fossem possíveis se a placa permitisse subir mais, algo que hoje é reservado a projetos de elite com memórias selecionadas e PCB pensados para competição. Em termos de cenário, ver esses números em uma GPU com um buraco literal no PCB deixa claro que o gargalo principal estava no projeto elétrico improvisado e não na qualidade intrínseca do chip gráfico.

Do lado elétrico, a queda de tensão que começou próxima de 400 mV foi reduzida para algo em torno de 30 mV entre o VRM da 2080 Ti e o die da 5070 Ti. Na prática, essa melhora de quase uma ordem de grandeza na integridade de linha transforma um protótipo “apenas funcional” em um candidato real a recorde, porque a GPU passa a ter margem para operar em clocks extremos sem ser estrangulada pelo cabeamento.

Termicamente, o projeto flertou com o limite seguro: picos de temperatura em cabos de 12 V perto de 100 °C pedem atenção absoluta e mostram por que o time mantinha câmera térmica por perto e reforçava cabos conforme o consumo subia. Em termos de legado, isso reforça uma lição para a comunidade de modding: não adianta só aumentar clock; sem projeto elétrico sólido e dissipação adequada, a barreira física dos conectores e fios se torna o principal inimigo.

Além da façanha em si, o projeto reflete uma cultura de modding conhecida por “abraçar o caminho difícil”: em vez de apenas comprar uma placa nova e buscar recordes com kit de vitrine, os envolvidos assumem riscos, soldam fios grossos e brincam com limites de segurança — tudo transmitido ao vivo, com didática e senso de espetáculo. Isso gera algo que fabricantes e grandes laboratórios nem sempre conseguem entregar: transparência de processo, improviso e inspiração para uma comunidade de entusiastas que não tem orçamento infinito, mas tem curiosidade técnica e muito, muito conhecimento!

Aproveitando que estamos falando de mais um feito de Paulo Gomes e sua equipe, deixamos abaixo outras matérias que já saíram aqui no Hardware.com.br envolvendo outros testes e descobertas interessantes:

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