Prepare o bolso: Preço de SSDs deve disparar até 38% devido a escassez artificial criada por fabricantes

Samsung e SK hynix reduzem produção para forçar alta de preços. Entenda a 'escassez planejada' que deixará SSDs e memórias mais caros em 2026.

A Samsung Electronics e SK hynix reduziram a produção de wafers NAND mesmo com demanda explosiva de servidores de IA, priorizando margens sobre volume. A estratégia coincide com necessidades gigantescas dos chips NVIDIA Vera Rubin e deve elevar preços de SSDs e módulos flash em 33–38% já no primeiro trimestre.

Dados da Omdia obtidos pelo Chosun Biz revelam um movimento contraintuitivo dos dois gigantes coreanos que dominam 60% do mercado global de NAND. Samsung cortou a produção de wafers de 4,9 milhões em 2025 para 4,68 milhões este ano — uma redução de 4,5% e menor até que o nível de 2024, quando a empresa já havia implementado cortes por queda de rentabilidade. SK hynix seguiu caminho similar: de 1,9 milhão para 1,7 milhão de wafers, encolhimento de 10%.

O paradoxo da abundância

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A decisão soa estranha num momento em que NVIDIA projeta embarcar 30 mil unidades de seu acelerador Vera Rubin em 2026 e 100 mil em 2027. Cada sistema Vera Rubin requer 1.152 terabytes de SSDs, dez vezes mais que a geração Blackwell anterior, para sustentar operações de Inference Context Management Storage (ICMS), segundo estimativas do Citi Securities. Isso se traduz em demanda bruta de 34,6 milhões de TB este ano e 115,2 milhões de TB em 2027, o equivalente a 9,3% da oferta global projetada.

A lógica por trás do corte é dupla. Primeiro, a transição técnica de células TLC (3 bits por célula) para QLC (4 bits por célula), tecnologia 33% mais densa e preferida para cold storage em datacenters AI, exige reconfiguração de equipamentos, períodos de estabilização e gera yield menor nas fases iniciais. Wafers passam mais tempo na linha de produção durante essa adaptação, reduzindo naturalmente o throughput mensal mesmo que a saída de bits (não wafers) possa eventualmente aumentar. Segundo, DRAM continua oferecendo margens superiores, especialmente memória HBM (High Bandwidth Memory) para chips de IA, deslocando prioridade de investimento.

A sombra chinesa e o jogo de mix

YMTC, fabricante chinês sob sanções dos EUA desde 2022, segue o caminho oposto. A empresa pulou de 1,21 milhão de wafers em 2024 para projeção de 1,51 milhão em 2025 e planeja atingir 150 mil wafer starts por mês (WSPM) — cerca de 12% do mercado global atualmente, com meta de 15% até o fim de 2026. Diferente da líder sul-coreana, que já domina processos de 200+ camadas e nós avançados, YMTC opera principalmente no segmento de NAND commodity para mercados de PC e mobile na China.

Executivos de Samsung e SK hynix enxergam o movimento chinês e agem cirurgicamente: cortam fornecimento de NAND de baixa margem para mobile/PC (onde YMTC compete agressivamente com preços) e redirecionam mix para produtos enterprise de alto valor agregado — SSDs de datacenter, módulos para servidores, storage de missão crítica. O resultado? Déficit estrutural que obriga hyperscalers e CSPs (Cloud Service Providers) a travarem contratos de longo prazo, alguns já garantindo alocação até 2027

O preço do timing perfeito

TrendForce projeta salto de 33 a 38% nos preços de contratos NAND já no primeiro trimestre de 2026, enquanto a IDC aponta crescimento de bit supply abaixo da média histórica (17% vs 20%+ típicos). O timing não poderia ser mais cirúrgico para Samsung e SK hynix, que enfrentaram anos de rentabilidade negativa em NAND e agora surfam numa “super boom” de memória onde cada ponto percentual de preço impacta bilhões de dólares em margem de operação.

Resta aos integradores de sistema, ODMs e até consumidores finais absorver a conta. Analistas da indústria de semicondutores ouvidos pelo Chosun Biz admitem incerteza sobre se os cortes são estratégicos ou meramente técnicos (efeito colateral da transição QLC), mas concordam num ponto: “qualquer que seja a natureza, o ganho para Samsung e SK hynix será máximo em 2026”.

Traduzindo: quem precisar de armazenamento baseado flash nos próximos 18 meses vai pagar o preço da escassez planejada.

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Editor-chefe no Hardware.com.br/GameVicio Aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
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