Irã intensifica perseguição a usuários do Starlink durante apagão nacional de internet

Caçada às antenas Starlink no Irã: regime persegue manifestantes após apagão nacional. Mais de 2.500 mortos e Trump planeja intervenção

Resumo rápido!

O regime iraniano iniciou uma caçada sistemática aos terminais de satélite da Starlink após manifestantes burlarem o bloqueio oficial de internet imposto pelo governo. Com mais de 2.000 mortos e 10 mil detidos, a situação escalou para o que especialistas classificam como “guerra eletrônica” — enquanto Elon Musk oferece o serviço gratuitamente e Donald Trump avalia intervenção estratégica no país persa.


 

Já alguns dias, agentes do regime iraniano começaram operações porta a porta na zona oeste de Teerã para localizar e confiscar antenas do Starlink . A ofensiva representa uma mudança tática significativa: pela primeira vez, as autoridades não estão apenas bloqueando infraestrutura local, mas perseguindo ativamente tecnologia de comunicação por satélite que opera fora do controle estatal .

Amir Rashidi, diretor de direitos digitais do Miaan Group (organização sem fins lucrativos sediada nos EUA), relatou que as interrupções são cronometradas com precisão cirúrgica, intensificam-se justamente nas áreas e horários onde ocorrem protestos, especialmente durante a noite, quando os manifestantes se concentram . Essa estratégia de “apagão seletivo” visa impedir que imagens da repressão brutal cheguem às redes sociais globais .

O apagão que derrubou 90% da Internet Nacional

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Na quinta-feira, 8 de janeiro, o Irã executou um dos maiores blackouts de internet já registrados no país . Dados da Cloudflare, empresa especializada em monitoramento de tráfego global, indicaram queda de aproximadamente 90% na conectividade naquela noite . A medida ocorre em meio a protestos massivos que já duram semanas, iniciados por causa da grave crise econômica e da desvalorização brutal do rial iraniano, moeda nacional esfacelada por anos de sanções internacionais e pela recuperação da guerra contra Israel em junho de 2025 .

O número oficial de vítimas é nebuloso justamente pela censura informacional: o HRANA (Human Rights Activists News Agency), grupo de direitos humanos baseado nos EUA, já verificou 2.571 mortes até 14 de janeiro — incluindo 2.403 manifestantes, 147 forças de segurança e 21 civis.

Na terça-feira (13), um oficial iraniano não identificado admitiu à Reuters cerca de 2.000 mortos, culpando, paradoxalmente, os “terroristas” manifestantes pelas baixas. Cerca de 10 mil pessoas já foram detidas, mas os dados são imprecisos devido à dificuldade em verificar informações com as restrições governamentais

O bilionário Elon Musk passou a oferecer o serviço de internet via satélite da Starlink gratuitamente para o Irã, segundo apurou a Bloomberg . A confirmação veio de Ahmad Ahmadian, diretor-executivo do grupo americano Holistic Resilience, que trabalha diretamente com iranianos para garantir acesso à rede.

Esse movimento não é novidade para a Starlink. Em 2023, ele liberou acesso gratuito à Ucrânia logo após a invasão russa; mais recentemente, ofereceu banda larga sem custo para venezuelanos após os Estados Unidos deterem Nicolás Maduro no início de 2026 . A SpaceX não respondeu ao pedido de comentário sobre a operação iraniana.

Trump avalia “envio massivo” de Terminais

O presidente Donald Trump ameaçou intervir diretamente na crise iraniana, gerando reações duras das autoridades de Teerã . Nesta terça-feira (13), Trump se reuniu com assessores para avaliar opções de ação americana, uma das principais propostas em discussão é o envio em larga escala de terminais Starlink para o país persa . 

A estratégia representa um desafio direto ao regime: diferentemente de cabos submarinos ou torres de celular que podem ser desligadas, a rede de satélites em órbita baixa do Starlink opera além do alcance físico das autoridades iranianas. O serviço já era oficialmente proibido no Irã antes dos protestos, mas a proibição se mostrou ineficaz diante da tecnologia distribuída.

A “guerra eletrônica” que esconde atrocidades

Amir Rashidi, diretor de direitos digitais do Miaan Group, relatou que as interrupções são cronometradas com precisão cirúrgica — intensificam-se justamente nas áreas e horários onde ocorrem protestos, especialmente durante a noite, quando os manifestantes se concentram.

Essa estratégia de “apagão seletivo” visa impedir que imagens da repressão brutal cheguem às redes sociais globais. Para os manifestantes, a publicação de vídeos e fotos é uma das poucas maneiras de denunciar a brutalidade experimentada nas ruas. Cada vídeo que escapa do cerco digital representa uma derrota informacional para o governo iraniano.


 

Ao intensificar o bloqueio, as autoridades inadvertidamente transformaram o Starlink em símbolo de resistência tecnológica, e agora precisam travar uma guerra porta a porta contra antenas parabólicas que, diferentemente de torres de celular, cabem em mochilas e podem ser reinstaladas em minutos.

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Editor-chefe no Hardware.com.br/GameVicio Aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
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