A NVIDIA ultrapassou US$ 5 trilhões em valor de mercado em outubro de 2025, tornando-se a primeira companhia da história a cruzar essa marca. O feito consolidou a empresa de Jensen Huang como o principal motor da revolução global em inteligência artificial e catapultou seu CEO ao posto de oitavo homem mais rico do mundo, com fortuna estimada em US$ 179 bilhões. Mas não foi sorte ou timing perfeito que levaram a fabricante de chips gráficos a esse patamar, foi uma visão de longo prazo que Huang vem defendendo desde os anos 1990 e que ele resumiu há 22 anos.
“Eu não preciso mudar o mundo da noite para o dia. Vou mudar o mundo nos próximos 50 anos”, declarou o CEO em evento ainda no início dos anos 2000. A lógica é simples: não adianta construir o produto perfeito de uma vez só. O objetivo é construir um produto vencedor, manter a empresa viva e jogar de novo. Para Huang, a maioria das empresas precisa entender que o caminho é longo, que não existe o produto perfeito e que, portanto, é melhor manter o escopo confinado, a visão de longo prazo firme e a execução impecável em cada ciclo.
De chip gráfico a infraestrutura da IA
A trajetória de Jensen Huang começou em 1993, quando ele cofundou a Nvidia ao lado de Chris Malachowsky e Curtis Priem. A empresa nasceu com a missão de revolucionar o processamento gráfico em computadores, mas quase não sobreviveu aos primeiros anos — três anos após a fundação, esteve à beira do colapso. O primeiro grande acerto veio em 1999, com o lançamento da GeForce 256, a primeira GPU (unidade de processamento gráfico) do mercado, que impulsionou o crescimento do mercado de games para PC e redefiniu a computação gráfica.
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O que muitos não perceberam na época é que Huang não estava construindo apenas chips para jogos. Ele apostava que as GPUs poderiam acelerar qualquer tipo de processamento paralelo — uma visão que se materializou com o lançamento da plataforma CUDA em 2006 e, mais tarde, com a aplicação de GPUs no treinamento de redes neurais e modelos de linguagem. Quando o ChatGPT foi lançado em 2022, a Nvidia já estava pronta: seus chips eram usados por praticamente todos os grandes modelos de IA do mundo, e o valor de mercado da empresa cresceu 12 vezes desde então.
A máquina que não para de inovar
Jensen Huang transformou a Nvidia em uma das empresas mais inovadoras do planeta ao impor uma cultura de agilidade, decisões rápidas baseadas em dados e protótipos, e uma comunicação direta entre as equipes. Ele também adotou expectativas baixas como forma de sempre se preparar para falhas — uma estratégia que envolve aceitar a possibilidade de errar e transformar essa vulnerabilidade em vantagem competitiva. Para Huang, o medo constante de que tudo pode desmoronar é o que o impulsiona a seguir em frente
Essa filosofia rendeu frutos concretos. Em dezembro de 2025, a NVIDIA conquistou uma vitória estratégica ao garantir autorização do presidente Donald Trump para vender chips H200 de inteligência artificial para a China, em troca de 25% da receita das vendas. O movimento pode permitir que a empresa recupere bilhões de dólares em negócios perdidos no mercado chinês e reforça a capacidade de Huang de construir relações políticas estratégicas. Além disso, a companhia anunciou em outubro uma parceria de US$ 1 bilhão com a Nokia para desenvolver redes móveis 6G baseadas em IA, expandindo sua atuação para infraestruturas de conectividade.
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