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G.SKILL culpa IA pela alta da RAM, mas não diz quando preços vão parar de subir

G.SKILL confirma alta nos preços de memória DDR5 por demanda de IA. Entenda o que está por trás do aumento e o que esperar nos próximos meses.

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A G.SKILL finalmente se pronunciou sobre o aumento agressivo nos preços das memórias DDR5 nos últimos meses. A fabricante taiwanesa confirmou o que muita gente já suspeitava: a alta está ligada à explosão de demanda por chips de memória DRAM usados em aplicações de inteligência artificial.

A declaração da empresa é curta e direta. Segundo a G.SKILL, o mercado global de DRAM está apertado. A oferta não acompanha o ritmo da procura, especialmente por parte de datacenters e fabricantes de hardware para IA. Com isso, os custos de aquisição de chips DRAM dispararam, e a empresa repassou o aumento para o consumidor final.

O que diz a G-Skill?

Memórias RAM G.Skill Trident Z Royal com iluminação RGB azul instaladas em placa-mãe de PC gamer

A nota oficial cita “restrições severas de fornecimento” e aponta a indústria de IA como motor principal da pressão. A empresa afirma que seus preços refletem os custos dos fornecedores de circuitos integrados (ICs) e que podem mudar sem aviso prévio, conforme o mercado oscilar.

O problema é que a G.SKILL não trouxe respostas para as perguntas que realmente importam: quando os preços devem estabilizar, se a empresa conseguiu garantir estoque para os próximos meses ou quanto do aumento é controlado por ela, e quanto vem de especulação no varejo.

A fabricante também não deu nenhuma projeção de alívio. Não há cronograma, nem intenção clara de segurar margens para proteger o consumidor. É basicamente um “é isso, se vira”.

O panorama da crise

Módulo de memória RAM DDR5 6400MHz com dissipador escuro e LEDs vermelhos, sobre superfície metálica iluminada em vermelho

A situação da G.SKILL não é um caso isolado. Na verdade, é só a ponta de um iceberg que envolve toda a cadeia de produção de memória DRAM, e as projeções não são animadoras.

A SK hynix, segunda maior fabricante de DRAM do mundo, projeta que a escassez de memória RAM no mercado consumidor deve se estender até 2028, segundo documentos internos vazados online. A análise mostra que tanto a SK hynix quanto a Samsung realocaram linhas de produção para atender servidores de inteligência artificial e data centers, segmentos que oferecem margens de lucro bem maiores.

Em outubro, a SK hynix admitiu publicamente que seus chips HBM (High Bandwidth Memory), usadas em servidores de IA, estão vendidas até 2026. A empresa deixou claro que será difícil resolver a escassez antes do primeiro semestre de 2027. A Samsung, por sua vez, consegue atender apenas 70% dos pedidos de DRAM que recebe atualmente.

Mesmo com promessas de investir cerca de 30% da receita em expansão de capacidade em 2026, as fabricantes deixaram claro que essas medidas não serão suficientes para equilibrar o mercado. Fábricas novas de DRAM levam no mínimo dois anos para ficarem operacionais, e a expectativa é que capacidade adicional significativa só chegue entre o fim de 2027 e 2028.

A matemática é simples e cruel: a demanda por memória deve crescer 35% em 2026, enquanto a oferta aumentará apenas 23%, segundo projeções de analistas de mercado. A TrendForce, consultoria especializada em semicondutores, projeta alta de 30% nos preços até o fim de 2025 e mais 20% no primeiro semestre de 2026, o que representaria dobrar os valores praticados no início do ano.

Europa registra alta de 252% em três meses

Os números europeus ilustram bem o tamanho do problema. Segundo análise do site alemão ComputerBase, kits de memória RAM para desktops ficaram mais de três vezes mais caros em apenas três meses. O levantamento comparou preços entre meados de setembro e meados de dezembro deste ano. Resultado: alta média de 252% no período. Em valores práticos, um kit que custava €50 em setembro pode estar saindo por €175 agora.

O aumento não ficou restrito à RAM. SSDs registraram alta média de 42% no período analisado. Modelos de entrada com 1 TB de capacidade, que vinham caindo de preço nos últimos anos, agora se aproximam da marca de €100 na Europa. Até os discos rígidos tradicionais (HDs) subiram cerca de um terço em três meses.

Módulo de memória RAM DDR com chips Infineon sobre placa de circuito verde, em close sobre fundo escuro

A Micron, uma das maiores produtoras globais de memória, anunciou recentemente que vai descontinuar a marca Crucial, voltada justamente para o público geral. A decisão reforça a tendência de concentração nas demandas corporativas. Segundo o ComputerBase, pedidos de consumidores finais estão sendo atendidos “por último” na fila de produção.

Dell e Lenovo repassam custos: PCs até 20% mais caros

Notebook Dell XPS 13 de tela aberta sobre mesa de vidro escuro, exibindo papel de parede de praia com falésias e mar azul

O mercado de PCs se aproxima de mais um reajuste de preços. Gigantes como Dell e Lenovo já se movimentam para repassar o impacto ao consumidor. Segundo a TrendForce, a Dell comunicou a parceiros e distribuidores que pretende aumentar seus preços entre 15% e 20% ainda neste mês. A Lenovo segue caminho parecido e deve atualizar sua tabela no início de 2026.

Para os fabricantes, o aumento da memória pesa mais do que parece. Executivos da HP lembram que o componente representa entre 15% e 18% do custo total de um PC. Qualquer oscilação significativa impacta margens e estratégias comerciais. Ainda assim, o setor tenta evitar repassar todo o aumento de uma só vez, por medo de frear a demanda.

Mas a TrendForce já ajustou suas projeções: em vez de um crescimento de 1,7% nas vendas de notebooks em 2026, o cenário agora é de retração de 2,4%. Os próximos trimestres devem trazer um mercado mais cauteloso, especialmente no segmento de PCs e laptops “AI-ready”, que exigem mais memória e hardware avançado.

Fabricantes seguram produção com medo de excesso de oferta

Samsung e SK hynix, responsáveis por mais de 70% da produção global de memória DRAM, avisaram que não pretendem ampliar agressivamente a oferta no curto prazo, mesmo com a demanda em alta. Em meio a um “superciclo” de memória, com a demanda por DRAM em níveis recordes puxada por IA e data centers, o mercado convive com estoques apertados e preços em forte alta.

Relatos da imprensa sul-coreana apontam que Samsung e SK hynix avaliam com cautela qualquer plano de expansão agressiva de capacidade. As empresas argumentam que investimentos pesados agora poderiam resultar em excesso de oferta caso o entusiasmo em torno da IA perca força alguns anos à frente.

A decisão passa por um receio bem conhecido na indústria de semicondutores: o risco de excesso de oferta. Quando fabricantes investem pesado em novas fábricas e a demanda esfria, o resultado costuma ser um mercado abarrotado de chips e uma queda brusca de preços.

Sapphire aposta em estabilização em 8 meses

Nem todo mundo na indústria vê um cenário tão prolongado. Em entrevista ao canal Hardware Unboxed, o gerente de relações públicas da Sapphire, Edward Crisler, desencorajou a “compra por pânico” de memória e outros componentes de PC. Segundo ele, a incerteza é hoje tão nociva quanto a própria falta de chips, alimentando um ciclo em que consumidores correm para comprar “antes que piore” e ajudam a encarecer ainda mais o mercado.

Crisler comparou o momento atual da DRAM à “era das tarifas” no início do ano, quando o temor de novas taxações sobre hardware levou a uma corrida às lojas antes mesmo de qualquer mudança prática. Para o executivo, a situação tende a se repetir caso os gamers reajam apenas com medo.

Apesar do clima de aperto, o representante da Sapphire afirma acreditar que o mercado começará a se estabilizar dentro de seis a oito meses. Ele ressalta que isso não significa necessariamente retorno a preços baixos, mas um ambiente menos volátil. Para quem já tem um PC relativamente recente, segundo Crisler, faz mais sentido “relaxar, jogar e aproveitar o sistema atual” do que entrar numa corrida para garantir RAM a qualquer custo.

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Foto de William R. Plaza
Postado porWilliam R. Plaza

Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br

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