Você sabia que a Microsoft tentou comprar Nintendo em 2000?

Em 2000, Microsoft tentou comprar a Nintendo e propor parceria técnica. Executivos japoneses riram da proposta. Relembre essa história.

Há quase 25 anos, antes mesmo de lançar o primeiro Xbox, a Microsoft enviou executivos ao Japão com uma proposta ousada: comprar a Nintendo ou, no mínimo, firmar uma parceria técnica que mudaria para sempre o mercado de consoles. A resposta? Risadas. Muitas risadas.​

A história veio à tona em 2021, quando ex-executivos da Microsoft relembraram as tentativas de aquisição em entrevista à Bloomberg e no museu digital do 20º aniversário do Xbox. Kevin Bachus, ex-diretor de relações com terceiros, resumiu o episódio: “Steve [Ballmer, então CEO da Microsoft] nos fez marcar uma reunião com a Nintendo para saber se eles considerariam ser comprados. Eles apenas riram na nossa cara. Tipo, imagine uma hora com alguém só rindo de você. Foi esse tipo de reunião”.

Duas tentativas, nenhum acordo

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A primeira aproximação aconteceu em outubro de 1999, quando Rick Thompson, vice-presidente de hardware da Microsoft, enviou uma carta formal para Jacqualee Story, executiva da Nintendo of America. O documento, revelado no acervo digital do Xbox, mostra que a Microsoft havia se reunido com Genyo Takeda, chefe de hardware da Nintendo, e com Hiroshi Yamauchi, então presidente da empresa.

A segunda tentativa foi em janeiro de 2000 e seguiu outro caminho. Bob McBreen, chefe de desenvolvimento de negócios da Microsoft, recebeu executivos da Nintendo em Redmond para apresentar as especificações técnicas completas do Xbox. A proposta era clara: Microsoft cuidaria do hardware; Nintendo, dos jogos. “A ideia era: ‘Ouça, vocês são muito melhores na parte dos jogos com o Mario e tudo mais. Por que não deixam a gente cuidar do hardware?'”

Mas a Nintendo recusou ambas as ofertas.

A Nintendo não foi o único alvo

A estratégia de aquisições agressivas não era novidade para a Microsoft. Entre 1999 e 2000, a empresa tentou comprar pelo menos quatro grandes nomes da indústria antes de lançar o Xbox.

A Electronic Arts foi a primeira abordada e disse “não, obrigado”. A Square (que ainda não era Square Enix) quase fechou negócio em novembro de 1999. Microsoft e o CEO da Square jantaram com Steve Ballmer em Tóquio e chegaram a assinar uma carta de intenção. No dia seguinte, na sala de reunião, o banco da Square declarou que o preço oferecido pela Microsoft era baixo demais. “Juntamos nossas coisas e fomos para casa. Foi o fim da Square”, disse McBreen

A Midway Games, dona da franquia Mortal Kombat, também esteve nas conversas, mas a Microsoft não conseguiu estruturar uma compra focada apenas nos jogos, sem carregar divisões de vendas e marketing ou romper contratos com a PlayStation.

Se a Microsoft fracassou em comprar grandes estúdios nos anos 2000, o roteiro mudou radicalmente nas últimas décadas. A empresa adquiriu a Bungie em 2000 (que depois vendeu), comprou a Mojang (Minecraft) em 2014, a ZeniMax Media (Bethesda) por US$ 7,5 bilhões em 2020 e fechou a compra da Activision Blizzard por US$ 68,7 bilhões em outubro de 2023. Esta última foi a maior aquisição da história da indústria de games e transformou a Microsoft na terceira maior empresa de jogos do mundo em receita, atrás apenas de Tencent e Sony.

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