A rede americana Micro Center deixou de exibir etiquetas de preço em módulos de memória RAM e passou a informar o valor apenas no balcão, em tempo real, alegando forte volatilidade do mercado. A mudança é mais um sintoma da disparada global no custo da memória, que já transforma a RAM em um dos componentes mais caros na hora de montar um PC.
Micro Center adota preço dinâmico para RAM
Em vez de etiquetas tradicionais, algumas lojas passaram a exibir avisos orientando o consumidor a perguntar ao atendente quanto custa o produto no momento da compra.
Relatos publicados por clientes no Reddit mostram placas de memória expostas sem qualquer preço visível, acompanhadas apenas de comunicados que citam a “volatilidade do mercado”. Na prática, isso significa que o valor pode mudar com alta frequência, seguindo de perto as variações impostas pelos distribuidores e fabricantes.
Sensação de desconfiança entre consumidores
A estratégia remete ao comportamento de ativos como ouro e outras commodities, que têm cotação diária e não costumam ficar presos a tabelas estáticas no varejo. Para o consumidor comum, porém, a experiência é incomum: quem vai montar ou atualizar o PC deixa de ter uma referência clara de preço antes de iniciar a conversa com o vendedor.
Esse tipo de prática tende a gerar desconfiança, sobretudo entre usuários com menos familiaridade com hardware. Sem transparência nas etiquetas, cresce a sensação de que a loja pode ajustar valores caso a caso, aproveitando a falta de informação de parte do público.
Alta global da RAM pressiona o mercado de PCs
A mudança no comportamento das lojas acontece em meio a um dos ciclos de alta mais agressivos já vistos no mercado de memória. Relatórios de consultorias apontam que os preços de contratos de DRAM em 2025 já acumulam alta próxima de 170% em relação ao ano anterior, com alguns módulos DDR5 mais que dobrando de valor em poucos meses. Grandes fabricantes direcionam cada vez mais capacidade para atender data centers e servidores de inteligência artificial, o que reduz a oferta de memória para PCs, notebooks e smartphones e puxa os preços para cima em toda a cadeia.
A pressão não é só momentânea: projeções indicam que os contratos de DRAM devem continuar subindo no fim de 2025 e ao longo de 2026, com estimativas de aumentos adicionais na casa de 18% a 23% por trimestre em alguns cenários. Como a memória já representa entre 10% e 20% do custo de produção de um notebook ou PC, esses reajustes são suficientes para elevar o preço final dos equipamentos em até 5%–15% e forçar cortes de configuração, especialmente nos modelos de entrada e intermediários.
