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PlayStation muda de rumo após o fracasso de Concord; entenda

Após o fracasso milionário de Concord, a PlayStation muda de estratégia e aposta em franquias duradouras como Astro Bot.

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O contraste entre dois lançamentos recentes da Sony escancara os caminhos possíveis, e os riscos,  da indústria de games. De um lado, Astro Bot, que já vendeu mais de 2,3 milhões de cópias e acumulou prêmios internacionais. Do outro, Concord, o grande fiasco da  PlayStation Studios, com servidores desligados apenas duas semanas após a estreia e o estúdio Firewalk dissolvido. O choque de resultados forçou a empresa a reavaliar suas prioridades.

Quando US$ 250 milhões evaporam em 14 dias

Arte promocional de jogo de tiro com quatro personagens futuristas armados, incluindo um alienígena verde, um homem de cabeça vermelha e uma mulher com arma de…

O investimento em Concord girou em torno de US$ 250 milhões. A ambição era clara: conquistar espaço no disputado mercado de jogos como serviço, território que consagrou gigantes como Fortnite e Call of Duty: Warzone. O problema é que a saturação desse modelo tornou praticamente impossível criar diferenciação. O resultado foi um dos colapsos mais rápidos e caros da história recente dos games.

O contraponto é imediato: Astro Bot, desenvolvido com um orçamento muito menor, mostrou que criatividade e identidade própria ainda são capazes de gerar impacto sem depender de cifras bilionárias. A própria Sony reconhece o jogo como um dos seus sucessos mais empolgantes dos últimos tempos. 

Astro Bot, robô branco e azul de cabeça preta com olhos luminosos, acenando em um cenário espacial com inimigos coloridos e pequenos robôs ao redor

Supervisão mais rígida na linha de produção

Hermen Hulst, CEO da PlayStation, reconheceu publicamente que a empresa não pode repetir erros dessa escala. A nova diretriz é simples: ampliar testes em todas as etapas, estimular a comunicação entre os estúdios e reforçar a supervisão da liderança.

“Não quero que nossos times joguem sempre pelo seguro, mas se for para falhar, que seja cedo e com custos baixos”, afirmou Hulst em entrevista ao Financial Times.

Curiosamente, essa postura contrasta com a lógica dominante em outra indústria criativa: o cinema. Nos últimos anos, Hollywood tem preferido jogar pelo seguro, evitando riscos em busca de retornos previsíveis. Entre 2022 e 2026, apenas 10 % dos filmes de grandes estúdios nasceram de desenvolvimento interno, o restante veio de franquias já conhecidas, remakes ou adaptações prontas. Não por acaso, as maiores bilheteiras da última década foram dominadas por continuações, spin-offs e reboots. É uma estratégia de contenção de danos: reduzir a chance de erro ao mínimo, mesmo que isso signifique abrir mão da originalidade.

Hulst propõe o caminho inverso. Ele não quer estúdios paralisados pelo medo do fracasso, mas sim equipes capazes de experimentar, desde que sob supervisão, com testes rigorosos e custos controlados. Para Jason Connell, diretor de arte da Sucker Punch (Ghost of Yōtei), esse alinhamento entre estúdios é vital: compartilhar informações evita sobreposições criativas e pode poupar milhões em investimentos equivocados.

Ainda assim, há um ponto de cautela: discurso e prática nem sempre caminham juntos. Resta acompanhar se a PlayStation realmente aplicará essa filosofia em seus próximos lançamentos — ou se, pressionada por resultados financeiros, acabará caindo na mesma armadilha de outras indústrias criativas que sacrificam inovação em nome da previsibilidade.

Menos live service, mais franquias memoráveis

O colapso de Concord acelerou uma guinada estratégica. A PlayStation deve reduzir sua aposta em jogos como serviço e concentrar esforços em novas IPs com potencial para virar franquias de longo prazo.

A agenda de lançamentos já reflete essa virada:

  • Ghost of Yōtei e Lost Soul Aside chegam em 2025.

  • Em seguida, virão Marvel Tokon: Fighting Souls e Saros, da Housemarque.

Ainda assim, pairam dúvidas sobre projetos em andamento, como Marathon da Bungie, que sofre com atrasos e cortes internos.

A lição para o futuro da PlayStation

O episódio evidencia que não basta investir pesado para garantir sucesso. Supervisão mais próxima, foco em experiências criativas e menor dependência de modismos podem ser o caminho para manter a relevância da marca em um mercado em constante transformação.

Qual a sua opinião sobre o atual momento da PlayStation? Comente abaixo.

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Foto de William R. Plaza
Postado porWilliam R. Plaza

Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br

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