A Tesla fechou um acordo bilionário com a Samsung para fabricar seus novos chips de inteligência artificial, os AI6. O contrato, estimado em US$ 16,5 bilhões, vai além da simples produção: ele simboliza a ambição de Elon Musk em controlar cada vez mais o desenvolvimento do seu próprio hardware — e desafiar gigantes como NVIDIA e TSMC com tecnologia sob medida para carros autônomos, robôs humanoides e infraestrutura de IA.
Um novo cérebro para a Tesla — e uma nova aposta para a Samsung
A parceria entre Tesla e Samsung marca o maior contrato já firmado pela montadora no setor de semicondutores. A produção dos chips AI6 ficará a cargo da Samsung Foundry na nova fábrica da empresa em Taylor, no Texas, com operações previstas para 2026.
Samsung’s giant new Texas fab will be dedicated to making Tesla’s next-generation AI6 chip. The strategic importance of this is hard to overstate.
Samsung currently makes AI4.
TSMC will make AI5, which just finished design, initially in Taiwan and then Arizona.
— Elon Musk (@elonmusk) July 28, 2025
Estes chips serão responsáveis por alimentar tecnologias cruciais para o futuro da Tesla: desde a condução totalmente autônoma dos seus veículos até o robô humanoide Optimus e data centers dedicados a tarefas de IA. Elon Musk, inclusive, afirmou publicamente que acompanhará de perto o processo na fábrica — pessoalmente, se necessário.
Essa não é a primeira colaboração entre as duas companhias. A Samsung já foi responsável pela fabricação dos chips AI4, enquanto os atuais AI5 estão sendo produzidos pela TSMC, em Taiwan e no Arizona. A escolha da Samsung para os AI6 representa um movimento estratégico: diversificar a cadeia de fornecimento e reduzir riscos operacionais diante de gargalos globais no setor.
Por que esse contrato muda o equilíbrio de forças no mercado de chips?
Além do valor expressivo — que pode ultrapassar os US$ 16,5 bilhões caso a produção escale —, o acordo oferece à Tesla um horizonte de planejamento mais estável e maior controle sobre sua linha de chips personalizados.
Essa autonomia é especialmente valiosa num momento em que a NVIDIA domina o setor com suas GPUs voltadas à IA, e a TSMC detém 67% do mercado global de fundição, segundo dados da TrendForce. Já a Samsung, embora seja a segunda colocada no segmento, amarga uma participação tímida de 8% e vem enfrentando perdas consecutivas.
O contrato com a Tesla, portanto, é uma tentativa clara de recuperação por parte da Samsung, que busca se firmar como alternativa viável à TSMC em projetos de chips avançados. O acordo é válido até 2033 e foi anunciado horas antes de as ações da empresa subirem 7% na bolsa sul-coreana.
Produção nos EUA: geopolítica, incentivos e menos dependência da Ásia
Há também uma camada geopolítica relevante nessa equação. Ao fabricar os chips em território norte-americano, a Tesla se protege contra eventuais tensões internacionais e se alinha aos incentivos do governo dos EUA para semicondutores fabricados localmente.
A fábrica da Samsung no Texas será beneficiada pelos subsídios do CHIPS Act, programa federal que estimula a reindustrialização da cadeia de tecnologia crítica no país. Isso não apenas facilita a logística da Tesla como também reforça o argumento de soberania tecnológica, especialmente num cenário em que a exportação de chips avançados para a China vem sendo restringida.
Um respiro para a Samsung após um período de baixa
O momento do acordo não poderia ser mais oportuno para a Samsung. A empresa sul-coreana prevê uma queda de 56% no lucro operacional do segundo trimestre de 2025, reflexo da desaceleração global na demanda por chips e do impacto das restrições impostas pelos EUA.
Seu setor de fundição vinha registrando baixas taxas de utilização e prejuízos acumulados, mas agora vê uma janela de recuperação com contratos estratégicos como o da Tesla e com o avanço na sua tecnologia de 2 nanômetros — área em que também negocia com nomes como Qualcomm e Preferred Networks.