O Google planeja tornar o YouTube em uma plataforma de comércio online para rivalizar com as principais empresas do ramo.
Recentemente, a gigante do vale do silício solicitou aos criadores de conteúdo do YouTube a marcação dos produtos apresentados em seus vídeos. Além disso, há um mecanismo de rastreio para que os dados sejam entregues às ferramentas de compra e análise do Google.
Segundo um porta-voz do YouTube, esses testes estão sendo feitos em alguns canais de criadores de conteúdo da plataforma, que terão total controle sobre os produtos que aparecem em seus vídeos.
A meta desse plano do Google é de tornar a vasta biblioteca de vídeos do YouTube em um gigantesco catálogo de produtos, onde os espectadores possam analisar e comprar os itens mostrados. Uma integração com a plataforma de vendas americana, Shopify, está sendo realizada para tornar essa funcionalidade possível.
Apesar de ser uma ação em desenvolvimento, essa mudança no formato do YouTube pode inserir de vez o Google no comércio online. Portanto, o Mercado Livre e a Amazon que se cuidem, pois, a grande vantagem do Google é a quantidade de material para ser transformado em produto.
Estratégia do YouTube
A lista de possibilidades inclui tutoriais de maquiagens, receitas culinárias, unboxing e teste de produtos, além de muitos outros. Canais com essa linha de produção de conteúdo podem se tornar os outdoors para essa transformação do YouTube.
:upscale:():format:(jpeg)/@/static/wp/2020/10/13/unboxing.jpg?fit=scale)
Além disso, esse ‘novo’ YouTube pode alterar a principal fonte de receita da plataforma, a publicidade, que, sofreu uma queda exponencial. Pois, a pandemia do novo coronavírus afetou vários mercados, que diminuíram o orçamento para a publicidade.
Por outro lado, durante a pandemia, houve a explosão do comércio online, que deixou o Google observando as companhias rivais festejarem.
Embora não se saiba como o YouTube versão e-commerce irá gerar receita, o formato de taxar os criadores de conteúdo pode ser um caminho.
Há alguns meses, o YouTube introduziu novas fontes de receita, que interagem diretamente com os ganhos dos criadores. Um exemplo é a taxa de 30% que a plataforma cobra no sistema de assinaturas (‘seja membro’), em que o espectador paga uma taxa mensal para ter conteúdos exclusivos do canal.
Google virando e-commerce
Há algum tempo, o Google procura alternativas de receita além da publicidade, sobretudo em plataformas como o YouTube.
No início deste ano, com o surgimento da pandemia, o Google viu suas receitas de publicidades caírem em 8% enquanto o ramo de e-commerce subia cada vez mais.
Um exemplo é o crescimento de 11% das vendas do Facebook Inc., que conseguiu inserir ferramentas de comércio no Facebook e no Instagram com muito sucesso.
:upscale:():format:(png)/@/static/wp/2020/10/13/Instagram-Shopping-Checkout.png?fit=scale)
É até desnecessário citar a Amazon, a empresa do homem mais rico do mundo, que cresceu 40% durante a pandemia. Portanto, isso foi o bastante para que o Google abrisse os olhos para o comércio online.
Em julho deste ano, na época em que as ações da empresa caíram, o Google anunciou alterações em seu setor de pagamentos e e-commerce. A integração com o Shopify também visa atrair comerciantes para o Google Shopping, que agora conseguem gerenciar seu estoque.
A intenção é atrair os vendedores da Amazon para o Google Shopping, fazendo com o que a ferramenta funcione como buscador, bem como plataforma direta de vendas.
O YouTube começou o teste de integração com o Shopify no fim do ano passado, permitindo que criadores de conteúdo colocassem no máximo 12 produtos. Os produtos ficariam em um carrossel logo abaixo de onde está o vídeo principal.
Segundo executivos da empresa, o YouTube será a ferramenta principal nessa jornada rumo ao e-commerce.
O CEO Sundar Pichai acredita que a mina de ouro seja a quantidade de vídeos de unboxing, que podem instantaneamente se tornar em produtos.