Tudo é uma questão de escolha. A Red Hat fez algumas escolhas lá no longínquo início deste ano que estão rendendo algumas ‘conseqüências amargas’. A compra da JBoss tornou-a concorrente da IBM e da Oracle no campo dos Bancos de Dados. De quebra,
atingiu a Microsoft de raspão.
Nem bem o ano das fatídicas escolhas finda, vemos a Microsoft se aliar à Novell em uma empreitada que visa a fornecer a usuários corporativos a possibilidade de rodar o ambiente Windows e Linux (da Novell, obviamente) em um mesmo sistema.
Cabe, aqui, um (não tão) breve comentário sobre o assunto Microsoft/Novell, para quem viveu profissionalmente parte dos anos 80 e 90 e presenciou vários capítulos de um namoro esquisito que estas duas companhias tinham. A Novell, detentora de softwares
de tecnologia de redes, se notabilizou por oferecer o que os pobres sistemas operacionais da MS não podiam oferecer. Era muito comum, quando as coisas estavam funcionando, a empresa estar usando uma rede Novell, junto com Windows (nos desktops). A
Microsoft foi, aos poucos (e eu acho que, se os executivos da Novell perceberam, não fizeram muita coisa para evitar o desastre), melhorando a parte de rede de seu sistema operacional. O golpe mais duro foi o lançamento do Windows NT 4.0 – a Microsoft já
se sentia independente da Novell – e a expulsou de casa.
A Novell tentou se erguer. Em vão, o estrago já estava feito. Chegaram, em 1993, a lançar o Novell DOS 7.0 – que era multiusuário e multitarefa! Mas aí o Linux já estava chegando.
Àquela época eu alertava um colega de trabalho – um negócio bom pra Novell seria partir pro Linux. Levar todo o seu know how pra lá. Isto só veio a se concretizar 10 anos mais tarde! Isto é muito tempo, convenhamos, para alguém ficar se amargurando com
o fim de um relacionamento – e o Linux ali, cheio de amor e carinho pra dar. Hoje ela volta a olhar para o seu velho amor, a Microsoft. Estarão cicatrizadas as feridas? Será que ela aprendeu? Adquiriu amor-próprio?
Voltando ao assunto da Red Hat, que está vendo a Oracle anunciar suporte total aos usuários Red Hat – exatamente onde ela ganha o seu dinheiro. Nada, contudo, está tão ruim que não possa piorar – a IBM é sua parceira histórica (até agora) e tem um
banco de dados que ela adora vender…