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Os primeiros processadores: do 8088 ao 486

Por Carlos E. Morimoto em 20 de novembro de 2009 às 16h42

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O 286

Depois do XT, o próximo passo foi o PC AT, que foi o primeiro PC baseado no Intel 286. Ele usava uma versão de 6 MHz do processador (depois surgiram versões mais rápidas, de 8, 12 e até 16 MHz), HD de 10 MB, monitor EGA (640x350, com 64 cores) e já usava disquetes de 5¼ de 1.2 MB.

Como a memória RAM ainda era um item muito caro, existiam versões com de 256 KB a 2 MB de RAM. Embora fosse extremamente raro usar mais de 2 MB, existia a possibilidade de instalar até 16 MB:

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PC AT

Uma curiosidade é que o 286 foi lançado pela Intel em fevereiro de 1982, apenas 6 meses depois do PC original. Entretanto, o projeto do AT demorou para decolar, já que foi necessário migrar todo o projeto para o barramento de 16 bits utilizado por ele e esperar pela quena nos preços dos componentes, uma demora que foi acentuada pela burocracia e um longo período de testes antes do lançamento.

Atualmente, o período de desenvolvimento dos periféricos é muito mais curto. Quase sempre quando um novo processador é lançado, já temos placas-mãe para ele disponíveis quase imediatamente, pois o desenvolvimento é feito de forma simultânea, com a Intel e a AMD disponibilizando as especificações e versões de desenvolvimento dos chips para os fabricantes de placas vários meses antes.

Voltando ao PC AT, o 286 trouxe vários avanços sobre o 8088. Além de incorporar novas instruções, ele passou a utilizar um barramento de 16 bits, que resultou em um ganho considerável de desempenho e trouxe a possibilidade de usar periféricos mais avançados, incluindo placas de vídeo VGA e controladoras de disco mais rápidas.

Para manter compatibilidade com os periféricos de 8 bits usados no PC original e no XT, a IBM desenvolveu os slots ISA de 16 bits, que permitem usar tanto placas de 8 bits, quanto de 16 bits. As placas de 8 bits são menores e usam apenas a primeira série de pinos do slot, enquanto as placas de 16 bits usam o slot completo. Devido à sua popularidade, o barramento ISA continuou sendo usado por muito tempo. Em 2004 (20 anos depois do lançamento do PC AT) ainda era possível encontrar algumas placas-mãe novas com slots ISA, embora atualmente eles estejam extintos.

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Slots ISA, em uma placa-mãe de 386

Ao desenvolver o 286, a Intel enfrentou o velho problema da compatibilidade retroativa, já que precisava introduzir novos recursos, mas ao mesmo tempo manter a compatibilidade com os softwares escritos para o 8086 e o 8088. A solução foi oferecer dois modos de operação, baseados de modo real e modo Protegido.

No modo real, o 286 oferece as mesmas instruções suportadas pelo 8088, mantendo compatibilidade com os softwares. Operando em modo real, o 286 é capaz de acessar apenas 1 MB de memória e sofre de todas as outras limitações, mas o desempenho é melhor (o 286 é quase 4 vezes mais rápido que um 8088 do mesmo clock), graças ao clock mais alto, ao barramento de 16 bits e às muitas melhorias na arquitetura do processador.

Ao chavear para o modo protegido, ele ganha suporte a até 16 MB de RAM (apesar de ser um processador de 16 bits, o 286 usa um sistema de endereçamento de memória de 24 bits), com suporte a multitarefa, uso de memória swap e proteção de memória.

Devido à questão do BIOS, o processador usa o modo real por default, chaveando para o modo protegido ao receber uma instrução específica. O grande problema do 286 era que ao chavear para o modo protegido o processador deixava de ser compatível com as instruções de modo real, incluindo as rotinas de acesso a dispositivos do BIOS e do MS-DOS, o que tornava necessário o desenvolvimento de novos sistemas operacionais e novos drivers de acesso a dispositivos.

Para complicar, o 286 também não possuía uma instrução para voltar ao modo real (era necessário reiniciar o micro), o que eliminava a possibilidade de rodar aplicativos escritos para usar o modo protegido em conjunto com aplicativos de legado, criando uma situação "tudo ou nada", que acabou levando à inércia, fazendo com que os PCs baseados no 286 fossem usados para rodar o MS-DOS e aplicativos de modo real (que também podiam ser executados em um XT), aproveitando apenas a maior velocidade do processador.

Mesmo as primeiras versões do Windows (do 1.0 ao 2.0) rodavam em modo real, sem suporte a memória virtual nem multitarefa. Você podia abrir vários aplicativos ao mesmo tempo, mas apenas um podia ser usado de cada vez. Estas primeiras versões eram muito limitadas e acabavam sendo usadas apenas como uma interface para facilitar o acesso aos aplicativos do MS-DOS. Mesmo assim, a maioria preferia eliminar o intermediário e rodar os aplicativos DOS diretamente, chamando-os através do prompt.

No final, o modo protegido do 286 foi suportado apenas por algumas versões do Unix (o Linux começou a ser desenvolvido apenas em 1991) e uma versão do OS/2, lançada posteriormente.

2 comentáriosPor Carlos E. Morimoto. Revisado 20 de novembro de 2009 às 16h49

Comentários

processadores
por jorge (anônimo) em 28 de maio de 2011 às 09h02
achei muitoimportante esta breve historia sobre as versões de alguns processadores aprendi muito e aprovei o vosso conteudo
Importante....
por Otario (anônimo) em 9 de outubro de 2010 às 20h35
Po cara, me ajuda a fazer meus trabaio ai véi....
to precisando de ajuda.
flw