Índice - Tutoriais

Linux dentro do Windows usando uma VM, fácil

Por Carlos E. Morimoto em 29 de agosto de 2008 às 16h29

3

Introdução

Se, assim como a maioria, você possui um único PC ou notebook, uma opção para testar as distribuições Linux sem precisar mexer no particionamento do HD e instalar o sistema em dual-boot, é simplesmente rodar o sistema dentro de uma máquina virtual, no próprio Windows. Com isso, você ganha liberdade para testar o sistema, fuçar nas configurações, instalar e remover programas e assim por diante, sem precisar se preocupar em deixar seu PC fora de operação. Uma máquina virtual nada mais é do que um conjunto de arquivos dentro de uma pasta do HD, de forma que se algo dá errado, você só tem o trabalho de deletar a pasta e começar de novo.

As possibilidades são quase ilimitadas. Você pode testar diversas distribuições Linux, ter um sistema de "backup", para navegar e instalar programas, sem risco de danificar o sistema principal, instalar o Ubuntu, Mandriva, OpenSuSE, Fedora ou outras distribuições sem precisar mexer no particionamento do HD e assim por diante. Usar uma máquina virtual é a forma mais prática de ter Windows e Linux na mesma máquina, pois você pode usar os dois sistemas lado a lado.

Existem vários softwares de virtualização gratuitos para Windows, incluindo versões do VMware e do Virtual Box, mas, para começar, recomendo o VMware Player, que é uma opção bastante prática e fácil de usar. Você pode baixá-lo no http://vmware.com/download/player/ ou diretamente no: http://www.vmware.com/download/player/download.html:

3661ab53

As versões da série 2.x são relativamente grandes (o 2.0.5 tem nada menos do que 170 MB :o), mas se você usa o Windows XP, pode baixar a versão 1.0.8, que oferece basicamente as mesmas funções e tem apenas 28 MB.

Embora seja proprietário, o vmware-payer é um programa gratuito, você precisa apenas fazer um cadastro gratuito para baixar. A instalação é feita na forma usual, no modelo "next > next > finish". Com o VMware instalado, o próximo passo é criar a máquina virtual. É aqui que entra a principal dica deste tópico, já que o VMware Player não permite criar as VMs, mas apenas executar máquinas virtuais previamente criadas.

Para continuar, baixe o linux-vm aqui: http://media.hardware.com.br/press/arquivos/linux-vm.zip

Ele é uma máquina virtual previamente configurada, pronta para usar, que funciona tanto em conjunto com o VMware Player for Windows, quanto na versão Linux. O arquivo compactado tem apenas 7 KB, pois um máquina virtual vazia é basicamente um conjunto de arquivos de configuração. O espaço usado cresce conforme você instala softwares dentro dela.

Comece descompactando a pasta em um diretório qualquer. Abra o VMware Player e indique o arquivo "linux.vmx", dentro da pasta. Inicialmente, a máquina virtual está vazia, por isso o VMware fica tentando dar boot via rede, depois de esgotar as outras possibilidade. Isso mostra que tudo está funcionando:

538e6e30

O boot da máquina virtual é idêntico a um boot normal do PC, com a exceção de que tudo é feito dentro de uma janela. A máquina virtual é justamente um ambiente simulado, onde o sistema operacional guest (convidado) roda.

Dentro da pasta, você encontra 4 arquivos. O "c.vmdk" é o disco virtual, que armazenará o sistema operacional e todos os programas instalados dentro da VM. Inicialmente ele é um arquivo vazio, mas ele vai crescendo conforme o uso. O seguinte é o arquivo "linux.nvram", que aguarda as configurações do setup (sim, por estranho que possa parecer, a máquina virtual tem BIOS, e você acessa o setup pressionando a tecla F2 durante o boot).

O "linux.vmx" é o arquivo de configuração da máquina virtual, na verdade um arquivo de texto, que você pode abir (e até alterar) usando o notepad e o "cd.iso" é outro arquivo vazio, que representa o CD-ROM virtual:

396efb3a

Assim como em um PC de verdade, para usar a VM precisamos carregar algum sistema operacional. A primeira opção é simplesmente deixar um CD-ROM ou DVD gravado no drive. Ao abrir a VM, o VMware Player detecta a mídia e inicia o boot automaticamente. A segunda é usar um arquivo ISO em vez do CD gravado. Esta opção torna o boot bem mais rápido, pois o sistema é carregado a partir de um arquivo no HD, ao invés do CD-ROM. Neste caso, substitua o arquivo "cd.iso" dentro da pasta com a máquina virtual pelo arquivo ISO da distribuição desejada, deletando o arquivo "cd.iso" original e renomeando o novo arquivo.

O default das versões 2.x do VMware Player é sempre restaurar o status anterior da VM (o que vai lhe mandar de volta para a tela de boot via rede). Use a opção "VMware Player > Troubleshoot > Reset" para realmente reiniciar a VM e dar boot através do CD. A partir daí, você dar boot e usar o sistema da forma normal:

m19c7a868

O padrão na maioria das distribuições é configurar o vídeo a 800x600 dentro do VMware, mas você pode alterar a resolução da forma usual, usando uma opção de boot ou o configurador dentro do sistema. No caso do Ubuntu, por exemplo, a opção está no "Sistema > Preferências > Resolução de Tela".

Inicialmente o VMware roda em uma janela, o que é uma forma prática de usar os dois sistemas simultaneamente. Você pode simplesmente configurar a VM para utilizar uma resolução de vídeo um pouco inferior à do seu monitor e usar o sistema como se fosse outro aplicativo qualquer. Outra opção é usar o sistema em tela cheia, usando o botão de maximizar a janela. Nesse caso, você usa "Ctrl+Alt" para chavear entre os dois sistemas.

Um inconveniente de usar o VMware Player em tela cheia é que você não tem como desabilitar o menu de funções que é exibido na parte superior da tela. Isso é um problema no caso do Ubuntu e outras distribuições com o Gnome, já que ela cobre a barra de tarefas, que é também exibida na parte superior. A solução é mover a barra para a parte inferior, clicando com o botão direto sobre uma área livre e acessando o "Propriedades":

m6caf911e

Outra configuração importante é a quantidade de memória RAM reservada para a máquina virtual. Por padrão, ela vem configurada para usar apenas 256 MB (o que é pouco para rodar a maioria das distribuições atuais), mas você pode alterar o valor clicando no "VMware Player > Troubleshot > Change Memory Allocation":

m67682795

O próprio VMware Player indica um valor recomendado, de acordo com o total de memória disponível, mas uma recomendação geral é que você reserve 256 MB em micros com 512 de memória ou 384 a 512 MB (de acordo com a distribuição que pretender rodar dentro da VM) em micros com 1 GB:

m5c26ca07

Tecnicamente, é possível usar o VMware Player mesmo em micros com apenas 256 MB de RAM, mas isso não é isto não é muito recomendável, pois com tão pouca memória, tudo ficará bastante lento.

Continuando, existem duas formas de configurar a rede e acessar a internet de dentro da máquina virtual. A mais simples (e usada por padrão na VM) é o modo "NAT", onde o VMware Player cria uma rede virtual entre o sistema principal e a máquina virtual, permitindo que ela acesse a internet usando a conexão do sistema principal. Nesse modo, a máquina virtual recebe um endereço interno, atribuído automaticamente, como "192.168.150.129". Você só precisa deixar que o sistema configure a rede via DHCP. Além de acessar a web, ela pode acessar outras máquinas na rede local, mas não pode ser acessada diretamente.

A segunda opção é o modo "Bridged", onde a máquina virtual ganha acesso direto à rede local, exatamente como se fosse outro micro. Neste caso, você precisa configurar a rede manualmente (ou via DHCP), como se estivesse configurando um novo micro. Este modo é muito bom para estudar sobre redes, testar a configuração de servidores e assim por diante, pois você pode rodar várias VMs simultaneamente e simular uma rede completa, mesmo tendo apenas um micro.

Para usar o modo Bridged, clique sobre a setinha ao lado do botão da placa de rede e mude a opção (é preciso reiniciar o VMware Player para que a mudança entre em vigor). Depois de reiniciar, não se esqueça de reconfigurar a rede dentro da VM:

m1632d750

Instalar o sistema dentro da VM não difere em nada de uma instalação normal. A VM pré-configurada usa um disco virtual de 20 GB, que você pode particionar a gosto, inclusive com a possibilidade de criar várias partições ou instalar dois ou mais sistemas em dual-boot.

m21382f34

Naturalmente, ao "formatar" o HD virtual e instalar o sistema, nenhuma alteração é feita no seu HD. Tudo é feito dentro do arquivo "c.vmdk" dentro da pasta da máquina virtual. O VMware faz com que o sistema rodando dentro da VM enxergue e particione este arquivo, achando que está manipulando um HD de 20 GB. Na verdade, é tudo simulado. Este arquivo começa vazio e vai crescendo conforme são copiados dados. Logo depois de instalar o Ubuntu, por exemplo, ele estará com cerca de 2.8 GB.

Se quiser fazer um backup do sistema instalado ou copiá-lo para outra máquina, é só copiar a pasta. Ela pode ser usada inclusive em máquinas rodando a versão Linux do VMware Player. Você pode também tirar cópias da pasta, de forma a criar várias VMs diferentes, de forma a testar várias distribuições. Se o micro tiver memória suficiente, é possível inclusive rodar várias VMs simultaneamente, simulando uma rede e trocando arquivos entre elas.

O VMware permite também que dispositivos USB sejam usados dentro da máquina virtual, incluindo impressoras, scanners, palms, pendrives, etc. Ao plugar um pendrive, por exemplo, é criado um botão referente a ele na barra do VMware. Ao clicar sobre ele, ele é conectado à máquina virtual, como se fosse um dispositivo local. Como você pode ver no screenshot, ele foi detectado pelo Ubuntu dentro da VM, que pode ler e salvar arquivos normalmente:

615b8ec3

O VMware Player inclui também um "setup", que você acessa pressionando "F2" logo depois de iniciar a máquina virtual. Através dele, você pode definir a ordem de boot (HD, CD-ROM ou rede), acertar a hora da máquina virtual, entre outras opções, assim como em um PC real.

ma7dd1c1

Você pode dar um toque final na instalação instalando o vmware-tools, um pacote de drivers que permite que melhoram o desempenho dentro da VM em diversas tarefas e adicionam um recurso de redimensionamento automático, onde a resolução do vídeo dentro da VM é ajustada automaticamente, permitindo que você redimensione a janela livremente, até mesmo em formatos fora do convencional:

65e63422

Você pode baixar o arquivo de instalação do VMware Tools for Linux no:
http://media.hardware.com.br/press/arquivos/vmware-tools.tar.gz

Antes de instalar, é necessário que você instale os headers do Kernel e os compiladores básico. O Ubuntu já vem com os headers e os compiladores podem ser instalados rapidamente usando o apt-get:

$ sudo apt-get install build-essential

Ainda a partir do terminal, acesse a pasta com os arquivos (se você baixou usando o Firefox, eles serão salvos por padrão dentro da pasta "Área de Trabalho" no diretório home) e descompacte o arquivo, como em:

$ cd "Área de Trabalho"
$ tar -zxvf vmware-tools.tar.gz

Para instalar, acesse a pasta que será criada e rode o programa de instalação:

$ cd vmware-tools-distrib/
$ sudo ./vmware-install.pl

O instalador faz várias perguntas, confirmando os diretórios de instalação dos componentes. Basta ir pressionando Enter para que ele instale tudo nos diretórios default. No final, ele confirma a resolução que será usada por default para o vídeo. Para que os drivers seja carregados, é necessário reiniciar o ambiente gráfico (ou simplesmente reiniciar o sistema dentro da VM). Ele inclui também um configurador gráfico, que você pode abrir usando o comando "sudo vmware-toolbox".

Em outras distribuições, os passos de instalação são os mesmos, com a diferença de que você executa os comandos diretamente como root, em vez de usar o sudo. O principal é ter instalados os headers e os compiladores, que são necessários para a instalação. Algumas distribuições, como o OpenSuSE já trazem o vmware-tools pré-instalado, dispensando a instalação manual.

3 comentáriosPor Carlos E. Morimoto. Revisado 24 de março de 2011 às 15h21

Comentários

Backup
por Miguel (anônimo) em 3 de agosto de 2011 às 12h42
Depois de instalar queria fazer um backup do sistema.Quais as coordenadas por favor.
Wow
por rodrigomoraes (anônimo) em 20 de julho de 2011 às 08h07
Valeu pelo tutorial morimoto, tava precisando!!!

Abraços!
Muito bom o artigo
por Marcos (anônimo) em 9 de julho de 2011 às 20h46
Muito bom gostei muito do artigo sobre maquina virtual continue assim vlw