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Entendendo os SSDs

Criado 4/out/2011 às 16h35 por Carlos E. Morimoto

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Introdução

Os SSDs ou "Solid State Disks" (discos de estado sólido) são possivelmente a maior revolução dentro do ramo dos HDs desde o IBM 350, já que eles utilizam um princípio de armazenamento completamente diferente, com os discos magnéticos dando lugar aos chips de memória Flash:

A vantagem óbvia dos SSDs é que eles oferecem tempos de acesso muito baixos, combinados com excelentes taxas de leitura e gravação em setores aleatórios, onde mesmo os melhores HDs magnéticos oferecem apenas alguns poucos MB/s. Isso melhora o desempenho consideravelmente em uma grande gama de aplicativos e reduz bastante o tempo de boot, tornando o sistema muito mais responsível.

Os SSDs também oferecem um consumo elétrico mais baixo (o que os tornam um componente atrativo especialmente para os notebooks), são silenciosos, resistentes a impactos e oferecem uma melhor segurança contra perda de dados devido a defeitos de hardware, já que não possuem partes móveis.

A grande desvantagem por outro lado é o custo por megabyte, já que em vez de combinar 4 discos magnéticos de 500 GB cada um para criar um HD de 2 TB, você precisa juntar 20 chips de memória Flash de 8 GB cada para criar um SSD de apenas 160 GB. Quanto mais gigabytes, mais chips, o que leva os preços dos drives de maior capacidade para as alturas.

Os primeiros SSDs para uso doméstico começaram a chegar ao mercado em 2007, mas por serem muito caros (pense em US$ 500 por um SSD de 32 GB) eles receberam pouca atenção. Apenas recentemente (final de 2009) os SSDs começaram a chegar com mais força, liderados pela série X25 da Intel e modelos da Kingston, Corsair, OCZ, Super Talent e outros fabricantes menores, que se especializaram em vender versões OEM de drives da Samsung, Indilinx ou até mesmo da Intel.

A grande maioria dos SSDs domésticos utilizam módulos de memória Flash MLC, assim como nos cartões e pendrives. Entretanto, eles oferecem um diferencial importante, que é o uso de múltiplos canais de acesso. Isso permite que o controlador acesse vários chips simultaneamente, dividindo os arquivos em pequenos blocos que podem ser divididos entre os chips e depois lidos simultaneamente, de maneira muito similar ao que temos em um sistema RAID.

A maioria dos drives atuais utilizam 10 ou 20 chips de memória Flash (o que permite que os fabricantes produzam drives de baixa e alta capacidade usando as mesmas placas) e 10 canais de acesso simultâneo. Um bom exemplo é o Intel X25-M G2, que usa 10 chips na versão de 160 GB e 20 chips na versão de 320 GB (com os mesmos 10 canais de acesso em ambos os casos).

Ao escrever um arquivo de 4 MB, por exemplo, o controlador o dividirá em 10 blocos de 400 KB cada um, que serão escritos simultaneamente em 10 chips diferentes, ocupando um total de 100 páginas de 4 KB em cada um. Ao ler o arquivo posteriormente, a leitura é novamente dividida entre os 10 chips, o que multiplica tanto a taxa de escrita quanto a de leitura, sem que exista penalidade com relação aos tempos de acesso.

Outro ponto importante a favor dos SSDs é o uso de controladores mais inteligentes, que utilizam buffers de dados relativamente grandes. Isso permite que as operações sejam organizadas e agrupadas de maneiras mais eficientes e muitas operações sejam cacheadas.

Em situações em que a controladora dispõe de um volume suficiente de blocos limpos (veja mais detalhes a seguir) um SSD de segunda geração como o Intel X25-M G2 pode atingir facilmente 250 MB/s de taxa de leitura sequencial e 80 MB/s de escrita sequencial (muitos drives atingem os 160 MB/s), se aproximando dos 300 MB/s teóricos do SATA-300.

Entretanto, é nas operações de leitura e escrita em setores aleatórios que a diferença se torna mais marcante. Enquanto um HD magnético de 7200 RPM não é capaz de manter mais do que 800 ou 1000 KB/s de escrita ao gravar arquivos de 4 KB em setores aleatórios, um bom SSD é capaz de ultrapassar facilmente os 20 MB/s (o X25-M G2 é capaz de manter de 36 a 40 MB/s de acordo com o volume de requisições simultâneas), o que acaba representando uma diferença muito grande em situações reais de uso.

17 comentáriosPor Carlos E. Morimoto. Revisado 4/out/2011 às 16h35

Comentários

Realmente compensa?
Criado 5/out/2011 às 12h16 por Koyuki (anônimo)
Ao ler a matéria, a única conclusão a que cheguei foi que não compensa em nada comprar um SSD. Estava cogitando em comprar um notebook com um SSD, mas nem no caso da bateria parece que compensa. Na matéria você fala bastante da "maior economia de energia", mas falto um comparativo do tipo "enquanto um HD usa tantos Watts de energia, o SSD usa só tanto, gerando tantos minutos a mais de uso em um notebook".

Outra coisa, realmente é tão importante a velocidade de leitura assim? Acho que aqui mesmo no hardware.com tem um comparativo de desempenho em usar um único HD ou usar dois HDs em RAID. Lembro que o aumento do desempenho era insignificante com relação ao desempenho geral do sistema. Obviamente, a situação melhorava bastante no caso de uso extremo de leitura e escrita, como um banco de dados. Mas, eu mesmo raramente faço backups pra pensar "nossa, se tivesse um SSD, este processo já teria terminado.". Ou seja, o SSD acaba que sendo bom somente para o uso em servidores ou pra aquelas pessoas superprecavidas,que faz backup toda semana.

A maior vantagem seria o "boot rápido". Bem, eu não ligo de ter que esperar 30s pra dar boot no sistema e nunca me aconteceu algo do tipo "tenho menos 30s pra mandar este email....".

Por fim, acho que prefiro comprar um notebook com HD de 2TB, do que com um SSD de 500GB ou menos. Ou tem alguma maior vantagem que ainda não percebi?
Sim, tem ventagens por Shadow (anônimo)
Elimine as desvantagens por Victor Maia Aldecôa
concordo contigo por Davidson Francis
Analfabeto funcional por Wanderson (anônimo)
sr
Criado 7/nov/2011 às 21h52 por sr (anônimo)
muita gran, quem sabe daqui uns 10 anos
e as memorias de 128 gbs de velocidade da micron
Criado 6/out/2011 às 10h18 por Sergio de Lucca (anônimo)
Li em um artigo recente que a micron vai lancar ano que vem para empresas, e depois para o consumidor comum, memorias ram (eu acho) de 128 gbs de velocidade isto é verdade, e sendo em que isto muda para o consumidor final, ja que os processadore atuais sem overclok nao chegam nem a 5 gbs.
Está confundindo velocidade com tamanho e SSD com RAM por Bruno Cabral (anônimo)
Disco? Onde?
Criado 4/out/2011 às 19h35 por Tio Patinhas (anônimo)
"Os SSDs ou "Solid State Disks" (discos de estado sólido)"

Errado, o último D não é de disk, mas de drive, que traduzido ficaria Unidade de Estado Sólido.

Esse é um erro que deve ser freado antes que vire padrão.
Solid State Drive por Paiva (anônimo)
De fato! por Tio Patinhas (anônimo)
Mercado Livre por Corva (anônimo)
Só pros? e os cons?
Criado 9/out/2010 às 16h56 por Fabio Santos de Lima (anônimo)
Li em algumas páginas aleatórias que os SSDs têm uma vida útil reduzida em relação aos tradicionais. Existem até alguns tutoriais que ensinam como diminuir a quantidade de escritas nesses dispositivos em sistemas linux e que recomendam o uso do EXT2! Isso é (ainda) verídico? Em caso negativo, seria, por exemplo, seguro uma empresa substituir seus HDs magnéticos por unidades SSD para melhorar os tempos de resposta/escrita/leitura na rede? Diante de tantas vantages incontestáveis ao se utilizar memórias flash, eu espero ansiosamente que a tecnologia seja barateada ao ponto de se popularizar. Mas ainda tenho alguns receios a respeito da maturidade dessa tecnologia. Agradeço desde já qualquer resposta.
RAID por Alex (anônimo)
algumas desvantagens por Bruno (anônimo)
... por Ednei P. de Melo
... por Nacho_aprendiz