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O grafeno e os transístores de 0.01 micron

Por Carlos E. Morimoto em 23 de abril de 2008 às 07h33

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Em 1965, Gordon Moore profetizou que o poder de processamento dos computadores dobraria a cada dois anos, impulsionado pela redução no tamanho dos transístores e no conseqüente aumento na freqüência de clock. Naturalmente, não se trata de vidência ou de nenhuma lei mística que misteriosamente se aplica aos transístores, mas sim de um simples modelo econômico sobre o qual a indústria de eletrônicos tem se baseado.

O interessante na lei de Moore é que ela tem se mantido válida ao longo das décadas. Desde então, os transístores já encolheram de várias micras (nos primeiros circuitos integrados) até os 0.045 micron usados nos processadores atuais.

Existe um certo consenso de que a técnica de fabricação atual, baseada em waffers de silício, onde os transístores são construídos usando técnicas avançadas de litografia deve permitir a criação de transístores de até 0.02 micron, onde os transístores possuem apenas dois ou três átomos de espessura e poucas dezenas de átomos de comprimento e nos aproximamos dos limites físicos da matéria. Para ter uma idéia, a 0.02 mícron, o gate (que é a parte funcional do transístor) mede o equivalente a um único átomo de ouro. Como já estamos próximos da migração dos 0.045 micron para os 0.032 micron, o limite "físico" dos 0.02 será atingido após mais duas gerações de processadores.

O futuro da lei de Moore ao que tudo indica reside no grafeno (graphene) um material abundante, que pode ser encontrado no grafite e em outros compostos de carbono. O grafeno é uma estrutura surpreendentemente estável e resistente. Você pode imaginar uma grade de átomos de carbono com um único átomo de espessura, como ilustra esta imagem da wikipedia:

grafenoO grafeno tem se mostrado ser a chave para produzir transístores de apenas 0.01 micron, o que significa uma ou duas gerações inteiras de desenvolvimento depois dos 0.02 micron que limitam as técnicas de litografia. Os primeiros a conseguirem um transístor de 0.01 micron funcional foram o professor Andre Geim e o doutor Kostya Novoselov, da universidade de Manchester, como você pode ver em detalhes nesse artigo da Wired. Esta foto feita com a ajuda de um microscópio eletrônico dá uma idéia das dimensões:

grafeno2Naturalmente, a técnica de produção de transístores usando grafeno ainda engatinha. Uma coisa é fazer um transístor isolado, outra é fazer um processador funcional, com alguns bilhões deles. Entretanto, com os valores astronômicos que são investidos anualmente no desenvolvimento de novas tecnologias, isso pode ser apenas questão de tempo.

1 comentárioPostado 23 de abril de 2008 às 07h33 por Carlos E. Morimoto

Comentários

Estamos no futuro
por Rafael Jacauna (anônimo) em 16 de maio de 2011 às 18h16
Não é incrível, vendo na Tv estes dias e ou ouvido podcasts sobre tecnologia pude chegar a esta matéria e na mesma olhei logo a data de sua edição, incrível. A matéria é de pouco mais de 3 anos e de lá até aqui alçamos o limite que especulava em abril de 2008.

Incrível como pareceu um bebê real, engatinhando em 2008 e já andando em 2011. A tecnologia ainda não foi difundida mas já tem sua propaganda ao publico aceita e dada como certa e tudo indica que em 2012 o grafeno estará correndo em nossos lares e vida como uma criança de 4 anos costuma fazer.