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Intel demonstra sistema de transmissão de energia sem fios

Por Carlos E. Morimoto em 22 de agosto de 2008 às 09h59

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Um dos maiores desafios técnicos da atualidade é a criação de um sistema viável de transmissão de energia elétrica sem fios, que permita que celulares e notebooks possam funcionar continuamente sem precisarem ser ligados na tomada para recarga.

Atualmente, a técnica mais promissora é baseada no uso de ressonância, utilizando o mesmo princípio que faz com que objetos vibrem ao receberem ondas em uma determinada freqüência (como no caso dos instrumentos musicais). A idéia é utilizar duas bobinas de cobre, desenvolvidas para ressoarem à mesma freqüência. Dessa forma, é possível transmitir energia de uma bobina para a outra de forma relativamente eficiente, já que a energia é canalizada diretamente para a segunda bobina, ao invés de ser irradiada em todas as direções.

Esta tecnologia foi demostrada em junho de 2007 por pesquisadores do MIT, que utilizaram duas bobinas para transmitir energia suficiente para acender uma lâmpada de 60 watts a uma distância de 2 metros.

Naturalmente, a idéia interessou a muita gente grande da indústria, afinal, quem não quer ter um celular que se recarregue sozinho?

Uma das que vem investindo na tecnologia é a Intel, que demonstrou uma solução funcional ontem, durante uma apresentação no IDF. O sistema da Intel é capaz de transmitir 60 watts de energia a uma distância de 61 centímetros com uma eficiência de 75% (ou seja, o transmissor consome 80 watts para transmitir 60, o que é uma eficiência similar à maioria das fontes de alimentação usadas em PCs). Assim como o projeto demonstrado pela equipe do MIT, o sistema é relativamente simples, baseado no uso de duas bobinas de fios de cobre. O segredo não está em nenhum circuito eletrônico revolucionário, mas sim no formato e na composição das bobinas. Esta foto da equipe do Anandtech mostra o sistema:

Como pode ver, são usadas duas bobinas, uma maior, que transmite energia e outra menor que a recebe, enviando a corrente diretamente para uma lâmpada de 60 watts.

As bobinas ainda são grandes demais para serem usadas em portáteis, mas é provável que logo apareçam com uma versão reduzida do sistema que possa ser integrada em telas de notebooks e no corpo de aparelhos celulares. Note que embora grandes, mas bobinas são planas e feitas com fios relativamente finos, uma estrutura que lembra a de uma antena. Não seria difícil de imaginar que uma versão que transmitisse apenas 200 ou 300 miliwatts (suficientes para manter um smartphone funcionando) poderia ser bem pequena.

O sistema é baseado na transmissão de pulsos de baixa freqüência, por isso, em teoria, não existem riscos para a saúde, nem problemas de interferência com outros dispositivos, muito embora ainda falte a comprovação por parte de estudos de longa duração.

A distância máxima também não é fixa. Os 61 centímetros adotados no sistema da demonstração são a distância em que o sistema é capaz de transmitir com maior eficiência, mas ele é capaz de trabalhar em distâncias maiores, ou até mesmo transmitir energia através de paredes ou outros obstáculos, muito embora com uma eficiência muito menor.

13 comentáriosPor Carlos E. Morimoto. Revisado 21 de março de 2011 às 16h17

Comentários

 
por Guilherme (anônimo) em 19 de março de 2009 às 13h42
olá Morimoto. por acaso o senhor conhece alguém especializado no assunto e disposto a ministrar uma palestra ou um debate na universidade?

por favor, se conhecer, mande um email.

agradeço desde já.
 
por Mario Bugre (anônimo) em 11 de fevereiro de 2009 às 21h39
esse negócio de passar eletricidade de um aparelho para outro é bacana, ligo a máquina de lavar e ela aproveita o resíduo de energia desperdiçada, para carregar meu ifone.
igual à centrífuga, que faz suco de cenoura e o 'bagaço' vai para a salada.
Morimoto, vc se equipara ao time do "MIT" pois aproveitou tecnologia natural Linux para converter em "Kurumin" o melhor do Brasil.
vou dizer o todos pensam e não falam:
Obrigado por tudo e siga seu caminho.
o mesmo que te levou ao Kurumin, te levará mais longe ainda e com certeza, nós (seus fãs) tal como fão de Caetano, Gil e Renato Russo.
seremos felizes em apreciar seus feitos.
"O rei morreu! Longa vida ao rei!"
difícil será encontrar um principe kurumin, quem sabe o biglinux (aproveitando sua fraze.)
 
por Rodrigo Toledo (anônimo) em 28 de agosto de 2008 às 00h02
Quanto aos comments de "perigo" digo, como médico, que sempre estivemos expostos a um campo eletromagnético extremamente poderoso, gerado por nosso próprio planeta, que nunca nos causou mal algum. O fenômeno de indução demonstrado trabalha com potências muito pequenas comparadas às que estamos permanentemente expostos. Gente, por favor, aparelho celular, forno de microondas e indução eletromagnética não causam câncer, são fenômenos físicos naturais, utilizados por nossa tecnologia para um fim específico. Lembro que o fenômeno de indução e polarização eletromagnética, utilizado também em sistemas de ressonância nuclear magnética são absolutamente seguros e envolvem egergia de magnitude imensamente maior que a gerada por um telefone celular, placa wireless (e roteadores), microondas, antenas de rede celular, etc. O medo não se justifica; isso já está largamente provado.
 
por Rodrigo Toledo (anônimo) em 27 de agosto de 2008 às 23h50
O sistema é baseado no fenômeno físico de indução eletromagnética, demonstrado há muitos anos por Nicola Tesla, que acendeu lâmpadas elétricas com uma fonte de energia à distância.
O sistema era enorme, envolvia grandes bobinas e o rendimento era mínimo, mas funcionava. Méritos à Intel por ter melhorado muito a eficiência do sistema, que agora passa a ser plausível, do ponto de vista prático e mercadológico.
 
por Thiago M. Ripardo (anônimo) em 24 de agosto de 2008 às 13h49
Muito interessante mesmo, mas tudo que meche com frequencias, ressonâncias, radiação... o que for, sinto muito perigo de no futuro isso possa acarretar alguns problemas, mesmo eles dizendo que não..., mas a idéia é muito boa e concerteza mostra que estamos evoluindo cada vez mais ;)
 
por Dennis (anônimo) em 23 de agosto de 2008 às 16h54
A tecnologia para transmitir energia elétrica sem fio não é tão nova assim. As antenas de transmissão/recepção de rádio usam o mesmo princípio físico desde o século XIX. A energia eletromagnética irradiada pela antena transmissora induz uma corrente elética na antena receptora na mesma frequência. O problema é que quanto mais baixa a frequência maior é a potência necessária para uma boa eficiência. E os aparelhos eletrônicos usam baixas frequências (50/60 Hz) no sistema de alimentação.
 
por Josenildo santana (anônimo) em 23 de agosto de 2008 às 16h07
ÃÃ OK, Foi só uma ideia de fã, imaginei que dá trabalho sim , por isso sugerí a ideia da equipe ou outros convidados fora do GDH participarem, pensei em algo como entrevistas , de repente o morimoto só como editor, coisas assim.
mas estou feliz com o trabalho que você já faz morimoto.
boa sorte e vida longa
Quanto a ideia do post é realmente muito interessante e riscos a saúde existe até comendo salada, ou seja antes de temer um possível tumor no cerebro é interessante medir o custo benefício desta forma de transmitir energia.
 
por Edenilson (anônimo) em 23 de agosto de 2008 às 10h30
è interessante essa tecnologia.... como o wireless q é 2.4mhz mesmo do microndas (frita bem o cerebro... rsrsrsrs)toda tecnologia tem que ser aprimorada mas seria uma ótima ideia chegar em casa e meeu note meu cel e meu mp3 carregar enquanto eu durmo (quem nunca chegou em casa cansado e esqueceu de ligar o note e o cel na tomada???!!!! Atire a primeira "preda" hauhauhau
 
por Francisco Wesley (anônimo) em 23 de agosto de 2008 às 07h22
Realmente há esses incovenientes. No caso da linguagem falada, ficaria claro, caso fosse em vídeo-aulas. Aí sim daria para entender ;-)
 
por Carlos E. Morimoto em 22 de agosto de 2008 às 18h57
É como o Roberto Alves disse, gravar podcasts não é tão simples quanto parece e também não é uma coisa que teria vontade de fazer. Textos escritos podem ser pesquisados através dos mecanismos de busca e você pode encontrar a informação de que precisa sem precisar ler todo o texto seqüencialmente.
Além do mais, um podcast sobre servidores seria incrivelmente chato. Já imaginou o locutor dizendo "barra ê tê cê, barra initi-ponto-dê, barra a-pa-chê reisstarti"...