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Wine: Winetricks, PlayOnLinux, CrossOver, Bordeaux e Cedega

Por Carlos E. Morimoto em 7 de maio de 2009 às 18h26

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O Winetricks é um script que automatiza a instalação de diversos componentes, que ajudam a melhorar a compatibilidade do Wine com aplicativos diversos. Embora a interface não seja muito convidativa, ele é o script de instalação de add-ons para o Wine mais ativamente desenvolvido, sendo também utilizado como backend por outros projetos, como o PlayOnLinux e o Bordeaux, que contribuem de volta com novas funções e melhorias.

Para usá-lo, é necessário ter instalado o pacote "cabextract", que permite extrair arquivos .cab,o formato utilizado em muitos dos arquivos que são baixados através das opções do Winetricks. Basta instalá-lo usando o gerenciador de pacotes, como em:

# apt-get install cabextract

Um dos pontos fortes do Winetricks é que ele funciona em qualquer distribuição e em conjunto com qualquer versão atual do Wine, já que ele nada mais é do que um shell-script que se adapta ao ambiente disponível. Para instalá-lo, basta baixar o arquivo disponível no http://www.kegel.com/wine/winetricks, como em:

$ wget http://www.kegel.com/wine/winetricks

Em seguida, ative a permissão de execução e rode o script usando seu login de usuário:

$ chmod +x winetricks
$ ./winetricks

Se preferir, copie o arquivo para a pasta "/usr/local/bin/" para que ele seja reconhecido como um comando de sistema e você possa executar o comando diretamente, sem precisar do "./".

Quando aberto, o Winetricks exibe uma lista com as opções suportadas. Você pode inclusive marcar várias de uma vez:

wine_html_caa7161

Estas mesmas funções podem ser executadas diretamente via linha de comando, passadas como argumentos ao executar o script, como em:

$ ./winetricks allfonts allcodecs fakeie6 vcrun6 msxml6 directx9

Isso faz com que ele execute todas as funções especificadas sequencialmente, baixando os arquivos, descompactando, executando os instaladores (quando usados) e executando os demais passos necessários para instalar os componentes corretamente:

A lista das opções disponíveis varia de acordo com a versão, já que o Winetricks evolui junto com as versões do wine, se adaptando às deficiências das versões disponíveis, mas alguns módulos que são tradicionalmente bastante úteis são:

allfonts: Instala todos os pacotes de fontes disponíveis, incluindo as fontes da Microsoft e as fontes da família liberation. Estas fontes suprem as necessidades da grande maioria dos aplicativos, mas se precisar de outras, basta copiar os arquivos para dentro da pasta ".wine/drive_c/windows/Fonts/" (nas versões recentes do Wine as novas fontes são usadas automaticamente, sem necessidade de passos adicionais).

allcodecs: Instala um pacote de codecs, úteis se pretender instalar players de mídia e aplicativos de conversão.

comctl32 e comctl32.ocx: Estas são bibliotecas do Visual Basic, que são usadas também por instaladores baseados no InstallShield. Em versões antigas do Wine elas eram necessárias para instalar muitos aplicativos, mas nas versões atuais do Wine as bibliotecas builtin fazem um bom trabalho, tornando a instalação manual desnecessária na maioria dos casos.

msscript, msxml3, msxml4, msxml6: Suporte ao MS Script e às diferentes versões do MS XML. Estes componentes são utilizados primariamente pelo IE, mas podem ser úteis ao instalar aplicativos que fazem conversão de documentos baseados no XML da Microsoft.

vb3run, vb4run, vb5run e vb6run: Instala as runtimes das diferentes verões do MS Visual Basic, que são necessárias para rodar aplicativos baseados na linguagem. O Wine oferece suporte nativo a muitas das funções, mas a lista é ainda incompleta, por isso muitos aplicativos só rodam ao usar as bibliotecas da Microsoft. Os pacotes não são conflitantes, por isso você pode simplesmente instalar todos em caso de dúvida.

vcrun6, vcrun2003, vcrun2005 e vcrun2008: Incluem as bibliotecas das diferentes versões do MS Visual C++, também usadas por muitos aplicativos.

fakeie6 e gecko: O fakeie6 é um pseudo-pacote que simplesmente modifica um conjunto de chaves de registro, com o objetivo de enganar os instaladores que se recusam a continuar caso o IE 6 não esteja instalado. O gecko completa o time, ativando o navegador alternativo incluído no Wine, que é utilizado no lugar do IE 6 para renderizar páginas HTML exibidas dentro dos aplicativos.

directx9: Se você pretende rodar jogos 3D, é interessante instalar também o pacote do DirectX, que complementa as chamadas suportadas pelo Wine com um conjunto de DLLs da versão da Microsoft.

Continuando, temos o PlayOnLinux, outro facilitador para o Wine, bastante popular. Ele oferece um conjunto de scripts escritos em Bash e Python para automatizar a instalação de jogos 3D.

Os jogos são provavelmente o uso mais comum para o Wine atualmente, o que explica tantos títulos estarem listados dentro das listas Platinum e Gold do http://appdb.winehq.org/. Jogos como o Warcraft III, Counter Strike, World of Warcraft, Diablo II, EVE Online, Guild Wars, etc. são suportados pelo Wine há bastante tempo e rodam diretamente na maioria dos casos, demandando apenas ajustes menores para solucionar problemas de estabilidade ou de desempenho.

O PlayOnLinux leva a ideia adiante, criando uma lista de jogos e aplicativos suportados, que podem ser instalados de forma simples. A página do projeto é a http://www.playonlinux.com, onde estão disponíveis pacotes para várias distribuições, incluindo o Debian. Ubuntu, Fedora, OpenSUSE e Mandriva, entre outros.

Ao instalar, você tem a opção de adicionar o repositório e fazer a instalado "do jeito certo", ou simplesmente baixar o pacote e instalar manualmente, usando o "dpkg -i" ou o "rpm -Uvh". Caso opte pela instalação manual no Debian ou no Ubuntu, não se esqueça de usar o "apt-get -f install" depois de instalar o pacote, para que ele baixe o python-wxgtk e as demais dependências.

Depois de tudo pronto, você pode inicializá-lo usando o comando "playonlinux" ou usando o ícone no "Iniciar > Jogos".

A interface é baseada no conceito de gerenciador de pacotes. Ao abrí-lo pela primeira vez, ele consulta o repositório em busca de atualizações para os scripts e prossegue para uma sequência de checagens, verificando se o Wine está instalado, se os diretórios estão configurados corretamente e assim por diante. Ele se oferece também para baixar as fontes do pacote msttcorefonts, que são necessárias para rodar muitos aplicativos.

Concluídas as operações iniciais, basta clicar no botão "Install" para começar a instalar os jogos e outros aplicativos disponíveis na lista. Cada um corresponde a um pequeno script, que se encarrega de executar os passos necessários para instalar e fazer a configuração necessária para rodá-lo sem falhas dentro do Wine:

wine_html_308b2bcf

Um dos truques utilizados é criar um diretório de instalação diferente para cada aplicativo (muitas vezes utilizando também uma versão específica do Wine, onde ele foi testado), utilizando uma configuração diferente para cada um. Isso permite aumentar a compatibilidade (já que cada jogo pode utilizar um conjunto diferente de tweaks e ajustes) e, ao mesmo tempo, isolar as instalações, evitando que problemas na instalação de um dos jogos afetem os demais.

A maioria dos scripts é baseada na instalação através do CD ou DVD de instalação (que deve ser montado da forma usual) mas, no caso dos títulos disponíveis para download, muitos dos scripts são capazes de baixar e instalar automaticamente.

Como é de se esperar, alguns dos scripts não funcionam adequadamente, já que manter tantos scripts e testá-los em diversas distribuições diferentes não é uma tarefa simples. De qualquer maneira, os scripts são em sua maioria bastante simples, permitindo que você verifique os passos executados pelo script e tente localizar o problema. Você pode consultá-los diretamente no: http://www.playonlinux.com/repository/

Assim como em outros casos, o desenvolvimento do Wine deu origem também a alguns projetos comerciais, que oferecem interfaces fáceis de usar e são compatíveis com alguns softwares adicionais. A principal função deles é oferecer versões "suportadas" do Wine, onde a compatibilidade com alguns aplicativos específicos seja mais ou menos garantida.

O projeto mais tradicional é o CrossOver Office da CodeWeavers. Ele surgiu com o objetivo de facilitar o uso do Microsoft Office sob o Wine e a partir daí foi gradualmente expandido, ganhando também suporte a várias versões do Photoshop, Microsoft Visio, Quicken e outros. Ele está disponível (US$ 39, com trial de 30 dias) no http://www.codeweavers.com/products/cxlinux/.

O pacote é distribuído na forma de um arquivo executável, que você precisa apenas executar como root para instalar, como em:

# chmod +x ./install-crossover-standard-demo-7.1.0.sh
# ./install-crossover-standard-demo-7.1.0.sh

A partir daí, basta abrir a interface e instalar os aplicativos disponíveis na lista, fornecendo os CDs de instalação conforme solicitado. É possível também instalar outros aplicativos, marcando a opção "Instalar software não suportado", mas nesse caso a compatibilidade não é muito diferente da oferecida pelo Wine regular.

wine_html_m44714c6e

Em resumo, o CrossOver Office pode ser uma opção em casos específicos, onde você precisa de um dos softwares incluídos na lista de compatibilidade e não teve sucesso em rodá-lo sobre o Wine puro. Apesar da interface ser simples e fácil de usar, o CrossOver não oferece grandes vantagens em relação ao Wine para os aplicativos não listados, por isso não é muito interessante para rodar aplicativos diversos.

Mais recentemente foi lançado também o CrossOver Games, que oferece uma interface para a instalação de jogos 3D, similar ao PlayOnLinux e ao Cedega.

Em seguida temos o Bordeaux outro projeto comercial, que oferece suporte a um conjunto limitado de aplicativos, incluindo o Office 2007, Visio 2003, Photoshop CS2, Trillian e jogos baseados no Steam, além de oferecer uma interface simplificada para instalar outros aplicativos suportados pelo Wine.

Embora a interface seja proprietária, os scripts, DLLs e outros componentes incluídos no pacote são open-source, o que contribui no desenvolvimento do Wine e de outros softwares. Muitas das funções disponíveis no Winetricks, por exemplo, vieram justamente do trabalho no Bordeaux. A principal vantagem dele em relação ao CrossOver Office é o preço, já que custa apenas US$ 20.

Finalmente, temos o Cedega, outro projeto bastante antigo, desenvolvido com o objetivo de oferecer suporte aprimorado a jogos 3D. Ele é distribuído em um sistema de assinatura, onde você paga US$ 45 por uma assinatura de 12 meses e pode baixar todas as novas versões que forem disponibilizadas durante o período em que for assinante.

Depois de instalado, abra o programa usando o comando "cedega" ou o ícone do menu. Nas versões recentes (a partir do 5.0) os games são instalados e abertos usando uma interface que inclui opções para montar o CD e instalar. A partir do 5.2 foi incluído um banco de dados, que permite ao Cedega usar automaticamente as melhores opções de configuração para cada jogo, baixando as informações a partir de uma base de dados atualizada com frequência.

A principal crítica com relação ao Cedega é o fato de ele ser um aplicativo inteiramente fechado, que simplesmente obtém código do Wine, sem contribuir de volta, nem disponibilizar as modificações.

Foi justamente esta atitude predatória que levou a equipe do Wine a substituir a licença MIT (mais liberal) pela licença LGPL em 2002. Assim como no caso dos softwares disponibilizados sob a GPL, o uso da LGPL torna necessário que os desenvolvedores de versões modificadas disponibilizem as modificações. A principal diferença entre as duas licenças é que LGPL permite que o Wine seja usado para portar softwares proprietários, como no caso do Google Picasa.

A mudança fez com que o Cedega se tornasse um fork da última versão do Wine disponibilizada sob a licença MIT, sem poder incorporar as melhorias incluídas desde então. Isso fez com que a lista de jogos suportados pelo Wine (e pelo CrossOver Games, que é baseado nas versões atuais) passasse a divergir, com o Wine passando a suportar um número cada vez maior de jogos que não são suportados no Cedega.

21 comentáriosPor Carlos E. Morimoto. Revisado 24 de março de 2011 às 14h37

Comentários

 
por Nocyvo (anônimo) em 6 de abril de 2010 às 13h15
Noob usa Windows e Mac OS X
Geek usa GNU/Linux
Nerd usa BSD.

Pode soar ridículo ou até ofensivo, mas cada plataforma tem seu nicho e isso não vai mudar.
Quem gosta de navegar na internet, instalar programas com facilidade, usar um computador no seu dia-a-dia sem ter que compilar nada, usa Mac OS X, seja por HAck ou seja porque tem $$ pra comprar um puro sangue.

Quem gosta de jogar, testar o hardware em benchmarks, fazer overclocks e sugar seu PC até esganar o bicho, usa windows. É uma plataforma insegura, propícia a vírus mas que tem toda a industria 3D voltada pra ela. Seja pela sua influência de mercado ou pela sua influência financeira.

Quem gosta de escovar bits, compilar um simples amsn e até mesmo dar uma de Kevin Mitnick, usa GNU/Linux. Plataforma escelente pra quem gosta de programa em um sistema leve, robusto e estável.

Quem gosta de comer linhas de comandos, montar um servidor parrudo nem que seja pra controlar a banda de seu velox de 1 mega (eu), ou qualquer coisa que não se faça ou que pelo menos se faz melhor que nas outras plataformas, usa BSD e variantes.

Pode não ser necessariamente com esse fervor ou força, mas é assim e sinceramente espero que continue.

Uso hackintosh em meu PC, não espero que a Apple abra seu sistema para PC´s normais.
Uso Win pra jogar, e não esperem que a MS vá abrir seu sistema pra terceiros melhorarem.
Uso Debian noutro PC, e espero que ele continua assim, de certa forma tosco, pra que não seja propício a vírus, continua estável e seguro.

fui
 
por Mistura tudo (anônimo) em 26 de agosto de 2009 às 00h48
O dia que uma distro lançar um wine turbinado/otimizado por padrão...O Windows vai ser lançado em queda livre!
 
por gargamel (anônimo) em 21 de maio de 2009 às 16h02
sem esquecer que usando esses programas voce vai estar fortalecendo a microsoft.
 
por NAOTENHO (anônimo) em 15 de maio de 2009 às 13h42
Estranho não abordaram o Wine-doors
 
por eug (anônimo) em 12 de maio de 2009 às 09h08
"no ubuntu com tudo configurado drivers nvidia etc dava um média de 29 35 FPS no máximo fora vários glitchers"

Vc testou em outra(s) distro(s)?
Pq o *buntu não é referência de velocidade. Ele é um bloatware.
 
por Giorgio (anônimo) em 10 de maio de 2009 às 05h54
O Desemepenho 3D do wine é sofrivel em jogos ... de 20 a 50% inferior ao mesmo jogo rodando no windows, em casos onde a API do jogo é opengl a perda de desepempenho é menor... mas não deixa de existir ... quer um exemplo ? Hl2 rodava a 75 FPS no windows usando um gf4ti4200 ... no ubuntu com tudo configurado drivers nvidia etc dava um média de 29 35 FPS no máximo fora vários glitchers ... desisti da idéia e continuei com o windows no pc para jogar.
 
por gugamilare (anônimo) em 9 de maio de 2009 às 11h13
"Eu sou de opinião que é muito mais fácil colocar um Ruindows piratão baratinho e usar para jogos , é muito mais fácil que instalar e configurar o Wine uffa…."

Não acho isso verdade não. Instalar o Rwindows é uma lástima, demora pelo menos 1 hora (chutando por baixo, tem que instalar drivers, anti-vírus e tudo mais, sem falar na manutenção depois). Instalar o wine é tão fácil quanto instalar qualquer outro pacote no Linux. Já joguei extensivamente vários jogos pelo Wine (Half-life 2 e as duas expanões seguintes, Call of Duty 4, Team Fortress 2, e até o pokerstars.net, alguns emuladores...) e todos rodaram direto, sem eu ter que ficar fazendo configurações extras. Bom, na verdade tive que baixar os patches e um crack do CoD 4 (embora o meu seja original) porque não detectava direito o DVD, mas está tudo bem explicado no site do wine.

Devo dizer que wine não é perfeito, às vezes dá defeito e às vezes também roda um pouco mais lento, mas o Wine está evoluindo aos poucos e eu prefiro usar o wine mesmo com os defeitos a ter que ficar dando reboot e ter que ficar 2 minutos esperando toda vez que me der vontade de jogar alguma coisa. Sem falar no trabalho que vai me dar ter que ficar redimensionando partição aqui e ali, baixar o CD pirata do Rwindows, ter o trabalho de instalar, baixar todos os drivers, depois ficar tomando conta do bichinho para não ficar dodói...

E o principal: com o Wine eu não preciso abrir mão do meu orgulho de dizer que eu não preciso ter o Rwindows instalado no meu PC :)
 
por MaxRaven (anônimo) em 8 de maio de 2009 às 18h18
@Bio Vieira, não disse que tem de descartar, disse que tem de ser feito de forma nativa, apenas isso.
Veja, meu NeverWinter Nights roda tanto em windows quanto em linux, de boa, igual a ele existem outros. Com exceção de Diablo 1, que parece não gostar das versões mais novas do Wine, todos os jogos que eu rodava no Windows tinham versões nativas para Linux.

Enfim, acho que a questão não é excluir esta industria, mas sim saber se esta industria quer ser incluída nesta plataforma. Pelo que vejo ela está contente da forma que está e a médio prazo não há rumor indicando que vá mudar.
 
por eug (anônimo) em 8 de maio de 2009 às 17h00
Do artigo citado:
"a página dizia que só rodava no Internet Explorer acima da versão 5"
;
O plugin User Agent Switch do FF não resolveria?
 
por Julio Cesar Bessa Monqueiro (anônimo) em 8 de maio de 2009 às 16h37
Aproveitando o assunto, dica de como instalar o Internet Explorer no Linux, fácil e intuitivamente:

http://www.guiadohardware.net/dicas/ies4linux.html