Primeiras impressões do Slackware Linux 12.1

First look at Slackware Linux 12.1
Autor original: Ladislav Bodnar
Publicado originalmente no: https://distrowatch.com/

Tradução: Roberto Bechtlufft

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Não é comum vermos resenhas do Slackware, a mais antiga distribuição Linux ainda em atividade. O motivo é simples: não há muito o que falar sobre ele. Distribuições de destaque como o Ubuntu têm notas de versão e uma relação de novidades caprichadas, descrevendo em detalhes o que há de mais interessante em cada lançamento: “Ei, dê uma espiada neste novo e empolgante aplicativo chamado Transmission, um cliente BitTorrent para o GNOME.” De posse desta informação vital, um jornalista do ramo pode dedicar um parágrafo inteiro ao novo pacote, descrevendo como ele se integra bem ao Firefox e ao GNOME, e como é fácil baixar arquivos grandes da internet com ele. Não é de se espantar que haja tantas resenhas do Ubuntu por todo lugar!

Não podemos nos dar a esse luxo com o Slackware. Se quiser descobrir quais são as novidades deste lançamento, você vai ter que destrinchar um longo e entediante changelog. Ou melhor, vai ter que acompanhá-lo durante o desenvolvimento do Slackware, ou com certeza vai cair no sono tentando ler tudo de uma vez só. Os últimos changelogs do Slackware não têm sido muito emocionantes: desta vez, nenhuma das velhas polêmicas, como o abandono ao GNOME ou aquele papo sobre como os desenvolvedores do Pidgin detestam o Slackware, deram as caras. É só o velho papo de “pacote_tal atualizado para versão_tal” ou “bug_tal corrigido (graças ao contribuidor_tal_do_slackware).” Sem papo, sem muita graça, sem nada. Como escrever sobre o Slackware se há tão pouco a escrever?

Já gastei dois parágrafos preciosos só tentando passar a idéia. De qualquer maneira, ainda acho que estou em uma posição melhor do que os outros para escrever sobre o Slackware 12.1, já que eu não apenas acompanhei religiosamente o changelog atual, como também estou usando a distro em minha máquina de testes desde que a árvore de desenvolvimento do Slackware atingiu o status de “Release Candidate 1” há pouco mais de um mês. Foi aí que eu baixei um dos builds semanais não-oficiais do mirror norueguês do Slackware e instalei a distribuição. Além do mais, a primeira coisa que fiz após a instalação foi instalar o “slackpkg” do diretório de extras do Slackware. Como você já deve ter adivinhado pelo nome, o slackpkg é um dos muitos gerenciadores de pacotes avançados feitos por terceiros para o Slackware Linux, e é uma ferramenta excelente para os usuários mais relaxados; funcionando de maneira similar ao apt-get do Debian, o slackpkg fornece uma maneira simples de atualizar a distribuição durante seu ciclo de desenvolvimento. Com ele, o administrador do sistema pode instalar patches de segurança com apenas um comando e pouca complicação.

Como eu dei a entender lá em cima, um dos problemas de se escrever sobre o Slackware é o fato dele mudar tão pouco entre cada lançamento. Outro é a determinação de não fazer modificação alguma no kernel do Linux e na maioria dos softwares incluídos, o que é visto como um conservadorismo deprimente por uns e como uma virtude por outros. Sim, o Slackware traz uma cópia exata do kernel disponibilizado por Linux Torvalds em seu servidor FTP, e um desktop KDE feito para ser o mais neutro possível. O Slackware não tem papel de parede padrão, nem ícones ou temas específicos da distribuição ou modificações nos navegadores de internet… Em outras palavras, a marca Slackware não aparece em lugar algum.

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Ao contrário da maioria das distros, o Slackware não põe sua “marca” no sistema.

Sem marca? Bem, quase isso. Aí é que está a primeira surpresa: ao inicializar o seu recém-instalado Slackware Linux 12.1, surge uma tela de boot customizada do LILO com as palavras “Slackware Linux” escritas em letras grandes e brancas sobre um fundo preto! Senhoras e senhores, essa é a primeira vez que o Slackware inclui sua marca na distribuição. Claro, isso porque, nas palavras de Patrick Volkerding, fundador do Slackware, “o LILO padrão era colorido demais e fazia meus olhos doerem.” Mas ao mesmo tempo isso indica que ele já não é tão “completamente contrário às marcas” como já foi um dia, logo, se tivermos sorte, a marca Slackware pode ganhar mais espaço nas próximas versões. Quem sabe o Slackware não ganha um papel de parede personalizado? Isso seria o máximo!

Se a tela do LILO já é uma surpresa bem-vinda, temos outra ainda maior no changelog (e que foi completamente omitida do anúncio de lançamento). Pela primeira vez, o Slackware Linux traz o SCIM, um editor de método de entrada para a maioria das línguas asiáticas. É o primeiro sinal de que o Slackware está buscando alcançar uma audiência internacional (sem contar com a inclusão dos arquivos i18n do KDE na distribuição). Claro que isso não significa que o instalador do Slackware esteja disponível em birmanês ou dhivehi, mas já é um começo. O Slackware não é o Debian, e pela forma como é administrado, temos poucas esperanças de que ele evolua para um projeto com uma enorme comunidade de tradutores voluntários.

E ainda temos o anúncio de lançamento com mais dicas sobre as novidades. Dentre elas, suporte a RAID por software, sistema de arquivos criptografado, DRI e outras funções relacionadas ao kernel. Essas novidades não são específicas do Slackware, e qualquer distro que traga o kernel mais recente também oferece tudo isso. O anúncio lista também os pacotes incluídos, com destaque para os dois desktops (KDE e Xfce), uma variedade de navegadores de internet, alguns programas voltados a servidores, compiladores e linguagens de script.

Então, qual é a vantagem de usar o Slackware Linux ao invés de outras distribuições? Em primeiro lugar, é um sistema limpo e descomplicado, sem surpresas, e talvez essa seja a maior qualidade do Slackware. Como comentado recentemente por um visitante de um site popular, o Slackware é a única das grandes distribuições que ainda resiste à tentação de acrescentar características exclusivas e coisas pesadas e desnecessárias ao Linux. O Slackware é tão puro e natural quanto uma distribuição Linux pode ser – traz um kernel inalterado e inclui apenas as bibliotecas essenciais, bem como um grupo bem balanceado de ferramentas de desenvolvimento e pacotes para desktops e servidores. Nada mais, nada menos. E a infraestrutura de segurança é topo de linha, com uma lista de email dedicada e avisos de segurança emitidos durante todo o ciclo de desenvolvimento de cada lançamento.

Tudo isso culmina em um servidor excelente (para não dizer perfeito) e, com alguns ajustes e visitas ocasionais aos repositórios Slackware de terceiros (veja a página do Distrowatch sobre o Slackware para ver uma lista deles), em um desktop bastante decente, especialmente para os usuários que manjam alguma coisa de Linux. O Slackware Linux continua sendo uma excelente base para o desenvolvimento de soluções personalizadas, como provam as muitas distros baseadas no Slackware no mercado. De modo geral, o Slackware dá com uma mão e tira com a outra: é um sistema operacional sólido, estável e bem testado, mas claramente voltado para o usuário avançado (ou para aqueles dispostos a aprender).

Para mais informações sobre o Slackware Linux, visite o site do projeto em Slackware.com.

Créditos a Ladislav Bodnarhttps://distrowatch.com/
Tradução por Roberto Bechtlufft <robertobech at gmail.com>

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