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Distribuições pra inglês ver

Por Carlos E. Morimoto em 20 de abril de 2009 às 10h21

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O programa do PC Conectado, iniciado em 2005, trouxe uma idéia que a princípio parecia muito boa: oferecer incentivos fiscais para PCs de baixo custo com Linux, cujos fabricantes se comprometessem em fornecer suporte aos softwares por um período de um ano e cumprissem alguns outros pré-requisitos.

Na época, a medida foi festejada por muitos, como uma forna de incentivar a produção nacional de softwares e de suporte aos usuários, ajudando a reduzir a dependência tecnológica do país e outras idéias nobres.

Até certo ponto, o programa atingiu seus objetivos, já que as reduções nos preços dos equipamentos permitiram que muitos comprassem o primeiro PC, sem falar nos tantos outros que puderam trocar os micros antigos por PCs e notebooks novos. Os incentivos fiscais também fizeram com que muitas empresas montassem fábricas na Zona Franca de Manaus, passando a executar alguns passos da produção no Brasil, em vez de simplesmente importarem todos os equipamentos.

Por outro lado, o programa trouxe um lado ruim, que foi o surgimento de diversas pseudo-distribuições, que se aproveitaram de brechas nas regras para ganharem algum dinheiro com o programa.

Em resumo, o programa do Computador para todos especificava que distribuições interessadas em participar deveriam fornecer uma lista de aplicativos pré-instalados e prestarem suporte telefônico aos usuários por um ano, recebendo um total de R$ 30 por PC vendido com o sistema.

A idéia pode parecer boa em teoria, mas na prática esbarra em um problema muito simples: o custo de prestar suporte telefônico a usuários finais é muito alto (devido ao volume de chamados e a grande variedade de temas a cobrir) e é inviável prestar suporte por esse valor. Não importa qual seja a metodologia aplicada. Se os usuários realmente começam a usar o suporte, a empresa passa a ter prejuízo e o modelo de negócios simplesmente entra em colapso.

Como as empresas recebiam os 30 reais "por cabeça", independentemente de o usuário usar o sistema ou não, a solução adotada por muitas das participantes foi tão simples quanto cruel: oferecer sistemas ruins a ponto de que os usuários desistissem de utilizá-los, fazendo com que as chamadas de suporte fossem poucas e os 30 reais (multiplicados por algumas centenas de milhares de unidades) se convertessem em lucro.

Como os pré-requisitos especificados nas regras do programa incluíam apenas uma lista de fatores isolados (incluir uma lista de 28 aplicativos, ser configurado para o hardware da máquina, etc.), era fácil para estas empresas criarem distribuições que cumprissem os pré-requisitos estabelecidos, muito embora o resultado final fosse muito ruim. Como pode ver, é mais um caso em que o "jeitinho brasileiro" prevaleceu.

O nicho seguinte, foi o de integradores interessados em venderem PCs de baixo custo, fazendo ou não parte do programa. Grandes fabricantes e integradores quase nunca vendem PCs sem algum sistema operacional instalado. Isso está em grande parte relacionado à ação da ABES e outras entidades anti-pirataria, que argumentam que PCs vendidos sem sistema operacional incentivam a pirataria (como se todos usassem Windows...).

O grande problema para os fabricantes é que, ao fornecer um sistema pré-instalado, eles acabam sendo obrigados a oferecerem suporte a ele, tanto devido à questão do código de defesa do consumidor, quanto devido ao fato de que os compradores podem simplesmente devolver ou trocar os PCs nas lojas (dentro do prazo de 7 dias) caso não consigam usá-lo.

Tradicionalmente, os integradores pagam a "taxa Microsoft", incluindo alguma versão do Windows nos PCs e deixando que a Microsoft lide com o suporte, atualizações e outros detalhes. Como a maioria das pessoas têm familiaridade com o Windows e quase ninguém consegue respostas úteis no suporte da Microsoft de qualquer maneira, o custo relacionado para a Microsoft acaba sendo bastante baixo.

Ao optarem por não fornecerem o Windows nos equipamentos, os fabricantes precisam encontrar alguma outra empresa que forneça o sistema e preste suporte a ele, o que, novamente nos leva às "distribuições pra inglês ver", que recebem por cópia vendida e por isso têm poucos motivos para fazer com que os usuários realmente utilizem o sistema.

A característica fundamental que diferencia estes produtos de distribuições comunitárias como o LinuxMint, DreamLinux, Big Linux, GoblinX e outros (que, apesar de receberem pouco apoio, são projetos desenvolvidos de maneira honesta e que atendem a públicos específicos), é o fato de que o objetivo não é oferecer um sistema que ofereça algum diferencial e seja desenvolvido com base nas necessidades dos usuários, mas simplesmente produzir um engodo que possa ser vendido aos integradores e empurrado aos usuários.

Como a prioridade é fechar os contratos e gastar o mínimo possível com o suporte posterior aos usuários, a qualidade do sistema é quase sempre ruim, o que faz com que a maioria dos usuários simplesmente desista e instale outra distribuição ou uma cópia pirata do Windows, o que permite que o fabricante lave as mãos e deixe de prestar suporte.

O trabalho deficiente feito por estas distribuições acabou por criar um forte estigma em diversos círculos, dando a impressão de que o Linux é um produto inferior, usado em alguns modelos de baixo custo simplesmente por ser mais barato. Ultrajados, muitos usuários mais antigos passaram a estigmatizar estas distribuições e os fabricantes que as utilizam, criando um clima pouco saudável.

É provável que, no futuro, empresas mais bem estruturadas e dispostas a fazer um trabalho mais sério substituam esta primeira leva de pseudo-distribuições, fazendo com que elas sejam lembradas apenas como uma página negra da história, assim como as placas da PC-Chips e os PCs sem memória cache.

Uma possível candidata seria a Canonical, que já possui contratos com alguns integradores (como a Dell), que pagam um pequeno valor por unidade vendida para terem acesso a serviços de personalização e suporte. Outra possível candidata seria a Mandriva, que tem também uma certa experiência na área, já tendo desenvolvido personalizações para alguns integradores.

131 comentáriosPor Carlos E. Morimoto. Revisado 21 de março de 2011 às 16h48

Comentários

 
por Paraguaio (anônimo) em 7 de novembro de 2009 às 10h23
Eu me orgulho em dizer que temos varios clientes que estão satisfeitos em terem migrado pra linux.. muitos inclusive em 100%!! nao querem nem ver mais windows nos pcs deles..!! Eu so nao sei porque tenho ubuntu instalado desde o lancamento da versao 7.04 e nunca mais tive que formatar a maquina por causa de virus.. :d
 
por Nil Santana (anônimo) em 11 de maio de 2009 às 19h13
Tomei a liberdade de enviar esse post para o email do palácio do planalto, o Carlos colocou a bola em campo, chutei pra frente. Quem sabe outros se empolgam e fazem algo parecido, cada um pode fazer a sua parte o Carlos já fez a dele escrevendo aqui, quem vai ser o próximo?
Recebi uma resposta formal do responsável pelo e-mail
Segue abaixo:
Prezado Senhor,

Em resposta a sua mensagem endereçada ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, informamos que ela foi encaminhada ao Ministério da Ciência e Tecnologia para análise e eventuais providências.

Cordialmente,

Claudio Soares Rocha

Diretoria de Documentação Histórica

Gabinete Pessoal do Presidente da República

# # # # #
Pode ser que não dê em nada, mas vamos reclamar direto com quem pode fazer algo, o canal está aberto é só falar.
entre na página do Presidente e clique no linque "Fale com o Presidente".
http://www.presidencia.gov.br/
 
por klods (anônimo) em 11 de maio de 2009 às 17h51
SEGUINTE GALERA USO LINUX HA APENAS 6 MESES
DÁ UM POCO DE DOR DE CABEÇA NO COMEÇO MESMO, MAS DEPOIS É SÓ ALEGRIA
TANTO QUE EU TO "CUSTOMIZANDO" O MEU UBUNTU E VOU GRAVAR NO APTONCD E DEPOIS BOTAR NUM PEN-DRIVE
QUEM QUISER VAI SE DAR BEM NOPNGUIM MAS BARSILEIRO NUM GOSTA DE PENSAR QUER TUDO PRONTO
 
por schultex (anônimo) em 27 de abril de 2009 às 13h45
Boa discussãom, li todos os posts.

Algumas considerações:

1- Instalar hardware novo - é muito mais fácil no linux. Dificilmente precisa de CD com drivers, geralmente reconhece direto. Talvez algum hardware exótico (uma placa de áudio profissional - em torno de R$ 1500,00 - por exemplo que custa mais que o computer). No resto, é plugar e ser feliz.
No Windows tem de ter os drivers, ou no CD ou no site do fabricante.
Sejamos sinceros, o usuário comum só instala pendrive, abrir o micro e espetar uma placa de vídeo, fala sério...hahaha

2 - Aplicativos comerciais - este é o grande problema do linux. Se você usa coreldraw, 3d Max, ou outro aplicativo profissional, não adianta estará preso ao windows.

3 - MInha vó usa linux e nunca reclamou, ela acessa e-mails, edita texto, salva em .doc, não pega vírus, uma maravilha.

4 - Os Linux do programa do governo são como o Richard Clayderman para os pianistas (essa foi genial), muita gente ficará contente, mas se você tiver um pouco de conhecimento formata na hora.

Era isso...

Abraços,

Schultex
 
por Bremm (anônimo) em 27 de abril de 2009 às 05h35
Não tenho opinião formada sobre distros pré-instaladas, mas vi um Mandriva instalado em um note da Positivo (SIM+ 1016) e me pareceu bem acabado. Só estranhei um pouco o KDE (creio que é um 3.5.x) e achei legal eles colocarem painéis com atalhos diversos no desktop. Confesso que como usuário do Xfce desde o Ubuntu 6.06 (mas na estrada desde 1995, quando comecei usando Slack 3.0) fiquei um pouco perdido, mas nada que fosse assim trágico. A moça que comprou o note achou o sistema "bonitinho" e se espantou com a facilidade de uso (plugar pendrives, mouse externo e rodar aplicativos multimídia). Hoje irei descobrir se a placa wireless vai funcionar numa boa ou precisarei fazer "voodoo" (instalar ndiswrapper ou catar os drivers para madwifi).

Instalei o Xubuntu 9.04 alpha 6 esses dias em um Dell D520 que passou por aqui (veio com um CD do FreeDOS e um outro com os drivers para Windows, mas sem S.O.) e só tive um pouco de trabalho ao habilitar o controle do cpu throttling, cuja resposta achei neste link:

http://pclinuxos2007.blogspot.com/2009/03/desktop-linux-cpu-scaling-on-celeron-m.html

Linux não é um S.O. apenas para desktops: quem conhece o projeto OpenTom (Linux em GPS') sabe do que eu falo. :-)

E viva a liberdade de escolha!
 
por eug (anônimo) em 25 de abril de 2009 às 09h58
E,
só será necessário usar esses drivers se algum
dispositivo muito exótico já não tiver seu
driver presente nativamente no linux.
A maioria tem.

Todo mundo que lá instalou o linux recentemente sabe que o mesmo detecta/instala mais
hardware automaticamente que o xp/vista/seven...

Em muitos casos vc não precisa procurar/fornecer nenhum cd extra, e já está tudo funcionando.

Diferentemente do xp/vista/seven... onde se vc não tiver o CD/DVD dos drivers, ou não conseguir acessar o site do fabricante, a instalação fica capenga...
 
por eug (anônimo) em 25 de abril de 2009 às 09h55
"e quando ele tem um conhecimento básico, "espetar" uma placa de rede, video ou seja lá qual dispositivo e no máximo inserir um cd com os drivers e instalar"

Ué?
E qual é a diferença em relação ao linux?

Só falta vc dizer que precisa compilar o kernel!

Olhe no CD/DVD da sua placa-mãe, e, se ela for
uma placa recente vc vai encontrar um diretório (ou uma pasta) linux, com os devidos drivers.
 
por eug (anônimo) em 25 de abril de 2009 às 09h53
"ter que editar por exemplo o \etc\fstab(não tenho certeza se é esse) para incluir por exemplo um novo hd"

Vamos comparar como é no windows?
Abra o gabinete,
instale o hd no lugar,
feche o gabinete,
ligue o micro,
entre em painel de controle/ferramentas administrativas/gerenciamento de disco,
escolha se vc quer um disco dinamico, ou nao,
escolha se vc quer partição primária ou não,
escolha se vc quer fat ou ntfs,
escolha uma letra para a unidade,
escolha se vc quer formatação rápida ou lenta.

É, vc tem razão!
Bem mais fácil e intuitivo que no linux...
:-)
O usuário final se sentirá em casa!
 
por eug (anônimo) em 25 de abril de 2009 às 09h50
"coisa de macho é slackware e/ou bsd."

A coisa mais gay que se houve é
que slackware é linux pra macho.

Que eu saiba, pra macho só uma boa fêmea!
:-)
 
por Allan Góes (anônimo) em 25 de abril de 2009 às 07h24
Oi gente!!!Vale Lembrar que comprar PC's ou Notebooks com Sistema Operacional é VENDA CASADA!!!!Isso é Proibido por Lei!!!!O Consumidor tem todo o direito de escolher o Sistema Operacional que quiser!!!Falo isso por experiência própria.Estou digitando neste momento em um notebook que eu comprei sem Sistema Operacional (com desconto no valor final)para posteriormente fazer a instalação de uma distro Linux, uma vez que não conseguiria conviver com o WinVista Home Edition e suas limitações.Portanto façam valer seus direitos!!!!