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Quatro cores pelo preço de três?
Por Carlos E. Morimoto em 7 de agosto de 2009 às 19h51
19Embora a ideia de um processador com 3 núcleos soe estranha para muitos, a AMD conseguiu fazer um razoável sucesso com o Phenom X3 e o Phenom II X3. Em ambos os casos, as versões com 3 cores nada mais são do que processadores quad-core com defeitos de fabricação, onde o core danificado é desativado em fábrica, resultando em um processador perfeitamente funcional, mas com apenas 3 núcleos ativos, que a AMD pode vender por um preço mais baixo.

O segredo que eles não contam é que muitos dos processadores das séries X3 são na verdade processadores quad-core perfeitamente funcionais, que têm um dos cores desativados simplesmente para satisfazer a demanda do mercado. Afinal, o índice de defeitos nos processadores oscila de uma maneira imprevisível, mas a demanda por cada mode continuam mais ou menos estáveis mês a mês.
Na maioria dos casos, a desativação dos núcleos, de parte do cache, ou de qualquer outro componente interno que o fabricante resolva desativar para diferenciar o modelo consiste em apenas uma variável no microcódigo do processador, que faz com que ele ignore o componente e se comporte como desejado.
No caso do Phenom II, entretanto, um bug no firmware (ou talvez uma brecha acidental por parte da AMD) permite que o quarto núcleo seja ativado via software, a partir de comandos enviados pela placa-mãe. O "hack" funciona em muitas placas que utilizam o chip SB750 como ponte-sul e pode ser ativado através da opção "Advanced Clock Calibration" no Setup. Basta deixá-la com o valor "Auto":

Esta é uma opção originalmente destinada a aumentar a tolerância do processador a erros, permitindo que os modelos antigos do Phenom atinjam overclocks um pouco maiores, mas no caso do Phenom II X3 ela ganhou uma sobrevida inesperada.
Caso sua placa-mãe seja compatível, basta ativá-la para que o sistema passe a utilizar o quarto núcleo (basta verificar se surge um quarto medidor no gerenciador de tarefas do Windows, ou na saída do comando "cat /proc/cpuinfo" no Linux), essencialmente transformando seu Phenom X3 7xx em um Phenom X4 9xx.

A possibilidade de um desempenho extra grátis acabou por atrair um grande volume de atenção, fazendo com que muita gente comprasse um X3 na esperança de "ganhar" um X4 de graça. O assunto ganhou tamanha repercussão dentro dos círculos técnicos que muitos levantaram a possibilidade de que esta seria uma brecha proposital da AMD, para conquistar algumas vendas adicionais em uma época difícil.
De fato, apesar do hype, o índice de sucesso é relativamente baixo. Em primeiro lugar, um número relativamente pequeno de placas são capazes de destravar o quarto núcleo e em outras você precisa utilizar uma versão específica do BIOS para ter sucesso.
Além disso, mesmo nos casos em que o quarto núcleo é ativado, ele só funcionará de maneira estável caso você dê a sorte de ter em mãos uma unidade "boa" do processador, onde o quarto núcleo não possui defeito algum e foi desativado apenas para completar a quantidade de unidades necessárias. Caso o quarto núcleo realmente seja defeituoso, ativá-lo não vai fazer bem algum, já que fará apenas com que o sistema exiba erros ou trave quando ele for usado. Em outros casos, o quarto núcleo pode funcionar sem erros, mas apenas na frequência default (eliminando a possibilidade de overclock) ou funcionar apenas a frequências mais baixas.
Na prática, a possibilidade de sucesso é pequena e a diferença de desempenho entre três e quatro núcleos não é muito considerável para início de conversa. Levando tudo isso em conta, não faz muito sentido perder tempo caçando processadores ou placas em que o hack funcione. No final da história, quem saiu ganhando mesmo foi a AMD, que acabou vendendo vários processadores a mais para os curiosos de plantão. :)
19 comentáriosPor Carlos E. Morimoto. Revisado 23 de março de 2011 às 12h43


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