First look at PC-BSD 1.5
Autor original: Susan Linton
Fonte: https://distrowatch.com
Tradução: Roberto Bechtlufft
Introdução
É com grande entusiasmo que venho acompanhando o desenvolvimento do PC-BSD desde que testei a versão 0.6, há três anos. Fiquei muito impressionada com a habilidade que os programadores demonstraram ao nos oferecer um BSD livre, fácil de instalar e ainda mais fácil de se usar. É sério, eu achei incrível mesmo. De lá para cá eu já testei diversas versões, incluindo a 1.0 e a 1.4, e elas nunca me desapontaram. Por isso, eu esperava que as coisas ficassem ainda melhores com o lançamento da versão 1.5. E em muitos pontos as coisas melhoraram, mas não nos pontos mais importantes.
Instalação
O instalador do PC-BSD não mudou muito, se é que mudou alguma coisa desde a versão 1.4. Ainda é um adorável wizard gráfico que conduz o usuário por uma instalação amigável. Ele traz uma ferramenta de particionamento, mas ela só trabalha com partições lógicas. Ele define as senhas de usuário e de root. Oferece pacotes extras para a instalação do Firefox, Opera, KOffice e OpenOffice.org, que você encontra no segundo CD de instalação. Instala um gerenciador de boot, se você desejar. É fácil e rápido, e funciona bem. O instalador ainda é uma das características mais impressionantes do PC-BSD.
No primeiro boot surge o configurador gráfico do X.Org, que nos oferece uma vasta gama de resoluções de tela e todos os drivers do X.Org 7.3, bem como três versões dos drivers gráficos da NVIDIA. Isso poupa um bocado de tempo. O configurador gráfico não permite fazer ajustes avançados, (como configurar dois monitores ou efeitos especiais), mas o que se propõe a fazer ele faz muito bem, e ainda dá ao usuário algumas opções, em troca da autodetecção e de ajustes finos. Não tive problemas com o driver da NVIDIA nesta versão.
Desktop e software
Se você marcou a caixinha de auto-login durante a instalação, vai perder a apetitosa tela de login e será levado direto ao KDE 3.5.8. O visual não mudou muito desde a última versão, trazendo o mesmo papel de parede azul com gradientes. Vários componentes foram atualizados, mas os aplicativos disponíveis são praticamente os mesmo. São vários aplicativos do KDE, como o Konqueror, o Kopete e o Kontact, além de aplicativos feitos para o KDE, como o Amarok, o KMPlayer e o Kaffeine.
Uma das vantagens de se usar o PC-BSD é o pbiDIR, um site que permite uma prática maneira de se instalar programas no seu PC-BSD. Ele contém diversos pacotes, como GIMP, Thunderbird, Kasablanca, Audacity, as fontes TrueType da Microsoft e diversos jogos, como Alien Arena e Frozen Bubble. Assim fica muito fácil instalar programas. É só ir clicando até baixar o pacote desejado, e um wizard de instalação (parecido com aqueles de Windows) abre e o guia por todo o processo. Na maioria das vezes ele ainda pergunta se você quer um colocar um atalho no desktop e criar uma nova entrada no menu. Esse sistema funciona muito bem.
O PC-BSD oferece uma maneira simples de gerenciar os pacotes instalados.O software que instala e remove programas continua lá e funciona bem, assim como o sistema de Ports e o pkg_add, mas o Online Update Manager foi substituído pelo novo PC-BSD Update Manager, que fica na barra de ferramentas. Foi anunciado que o novo sistema “permite sobrescrever varíaveis, de forma que os administradores possam usar seus próprios mirrors /servidores para que seus usuários façam atualizações.”
Uma boa novidade nesta versão é o monitor de bateria na barra de ferramentas. Embora ainda não haja muitas opções para o CPUfreq e para a hibernação, é possível configurar o módulo CPUfreq para ser iniciado automaticamente durante o boot através do Gerenciador de Serviços no menu de configurações. O Gerenciador de Sistema parece não ter mudado, trazendo ferramentas de sistema (dados da detecção de hardware, cvsup para os Ports) e habilitação do boot splash. No menu também encontramos a Configuração de Rede, que nos oferece uma configuração bem básica da rede, e a ferramenta de configuração do firewall.
O suporte a multimídia no PC-BSD é bom. Não tive problemas com o Flash no Firefox, e assisti a alguns vídeos com o Kaffeine, player padrão de vídeo que já veio instalado e que lidou muito bem com meus AVIs e MPEGs. Tive alguns problemas com DVDs encriptados tanto no Kaffeine quanto no KMPlayer, mas pela linha de comando o MPlayer deu conta do recado. O Amarok tocou sem problemas meus CDs de áudio, e o Kaffeine lidou bem com os OGGs e MP3s. Não tive problemas para abrir no OpenOffice.org DOCs e PPTs feitos no Windows e no Mac OS, a não ser pelo posicionamento de algumas imagens. Todos os PDFs abriram sem problemas no KPDF.
O Compiz Fusion já vem incluído nesta versão e funciona muito bem – há até uma opção no menu para habilitá-lo no boot. É só clicar e o Compiz Fusion e seus efeitos especiais são habilitados na hora. Não vi nenhuma instabilidade ou queda de performance no uso do Compiz, mas parece que é preciso reiniciar o X para desabilitá-lo.
O PC-BSD 1.5 oferece um desktop 3D, cortesia do Compiz Fusion.Não tive grandes problemas com os programas e ferramentas, tudo me pareceu bastante estável e funcional.
Hardware
Os testes que fiz com o PC-BSD em minhas máquinas revelaram fatos interessantes. Descobri alguns bugs e inconsistências que indicam uma possível regressão e talvez alguns novos problemas. Testei a versão 1.5 em três máquinas e descobri que o suporte a placas-mãe da NVIDIA não existe mais.
O primeiro teste foi no meu Laptop de fé, o HP Pavilion. A versão 1.4 se saiu bem, por isso eu não esperava que as coisas se complicassem nesta nova versão. O primeiro problema foi com a placa de rede onboard, que geralmente usa o módulo Forcedeth no Linux, e que não funciona mais no PC-BSD 1.5. Ela nem foi detectada. Nem nos logs eu achei alguma pista. Ela passou em branco. Será que os desenvolvedores esqueceram de incluir o suporte a elas no kernel?
Eu não tinha tentado configurar a placa de rede wi-fi na versão anterior do PC-BSD, mas decidi tentar nesta. É uma placa Broadcom, para a qual os sistemas de autodetecção geralmente indicam o módulo bcm423xx. A minha não funciona com ele e tenho que usar o NDISwrapper para que os drivers do Windows funcionem no Linux. No FreeBSD (a base do PC-BSD) temos as ferramentas NDIS para fazer o mesmo. Dei um “ndisgen” e consegui converter os drivers e carregá-los. O kernel conseguiu enxergar a placa, mas não se comunicar com ela. Isso me colocou em um beco sem saída, porque meu laptop sem internet não serve para nada. Minha tentativa de bootar desabilitando o ACPI acabou numa falha geral de proteção.
Mas as esquisitices continuaram. Fiz a instalação outra vez, na esperança de que uma ISO queimada numa velocidade mais baixa e um cabo RJ45 conectado pudessem ajudar, mas não ajudaram. Pior: até a partição NTFS do Windows, que o sistema acessou sem problemas na primeira instalação, não foi mais detectada. Como o instalador é básico, não há muito o que mudar na instalação, exceto pela escolha de pacotes. O sistema de autodetecção de placas de som também foi modificado nesta versão, e neste mesmo laptop eu percebi que todos os módulos de som – todos mesmo – foram carregados. O som funcionou, mas foi meio preocupante ver todos aqueles módulos carregados. Por fim, quando o monitor desligava, o X travava ou a tela continuava preta. A tela até acendia, mas eu só conseguia retomar meu desktop dando um Ctrl+Alt+Backspace e me logando de novo.
Depois eu testei a versão 1.5 num servidor com placa Gigabyte GA-M51GM-S2G Micro-ATX, que também é uma placa da NVIDIA com placa de rede suportada pelo módulo forcedeth, e que também traz vários chips iguais ou semelhantes aos do meu laptop, pois são da mesma geração. Mais uma vez, o NIC não foi detectado. Parece mesmo que os desenvolvedores deixaram essa passar. Ainda por cima tive uma queda de performance razoável nesta máquina. Ela usa HDs SATA, mas o laptop também usa, e nele eu não tive problemas. Curioso, já que o servidor tem quatro vezes mais memória que o laptop. E aqui também o sistema carregou todos os módulos de som. Acho que podemos concluir que nesta versão há problemas com placas-mãe da NVIDIA.
Finalmente, testei a versão 1.5 no meu desktop baseado numa MSI K8T Neo2 com chipset Via K8T800 e placa de rede Realtek, placa de vídeo NVIDIA e som da Creative. Não tive nenhum problema relevante nesta máquina – exceto minha impressora Epson R220, que foi configurada mas não funcionou. Desta vez o hardware funcionou bem, e o PC-BSD teve excelente desempenho e estabilidade.
Conclusão
Diante dos problemas desta versão com meu laptop HP, não posso dizer que a versão 1.5 é excelente. Como ela se baseia no mesmo FreeBSD 6.3 da versão 1.4, só posso concluir que o problema é mesmo com o PC-BSD. Acho que posso afirmar que se você tem máquinas com placas-mãe da NVIDIA é melhor ficar com a versão 1.4. Por outro lado, em hardware suportado ela funcionou muito bem como sempre. Não há grandes mudanças visíveis, mas as ferramentas do PC-BSD foram melhoradas e o software foi atualizado.
Os desenvolvedores anunciaram que a próxima versão será baseada no FreeBSD 7.0, então, quem sabe, terei mais sorte na próxima vez. o PC-BSD 1.5 me desapontou um pouco, e espero ainda ter por aqui aqueles discos da versão 1.4.
Créditos a Susan Linton – https://distrowatch.com
Tradução por Roberto Bechtlufft <robertobech at gmail.com>