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Navegando abaixo do nível da miséria

Por Carlos E. Morimoto em 24 de março de 2009 às 15h48

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Segundo a designação da ONU, uma pessoa abaixo da linha da miséria é alguém que sobrevive com menos de 2 dólares por dia. Fazendo uma analogia com relação ao acesso à web, poderíamos dizer que uma pessoa que navega abaixo do nível da miséria seria alguém que navega a menos de 2 KB/s, o que corresponde à velocidade de um modem de 14.4k, ou menos.

Existem muitas situações em que você pode ser obrigado a navegar com uma velocidade tão baixa, incluindo locais afastados, onde sua conexão 3G chaveie para o GPRS/EDGE com a taxa de transferência já próximo do mínimo, ou locais com linhas de telefone ruidosas, onde você não consiga mais do que 9.6 ou 14.4k em uma conexão discada.

Este artigo é uma pequena lista de dicas que você pode usar para navegar nas conexões mais precárias, aproveitando ao máximo a pouca banda disponível.

A dica mais óbvia para navegar seria desativar a exibição das imagens ("editar > preferências > conteúdo > carregar imagens automaticamente" no Firefox) o que vai reduzir significativamente o volume de dados a carregar. Entretanto, navegar com as imagens desativadas não é exatamente uma experiência agradável e você vai perceber que muitas páginas demoram muito a carregar, mesmo sem as imagens.

Você vai perceber que mesmo navegadores em modo texto, como o Links, não apresentam uma grande diferença na velocidade de navegação, já que embora não exibam imagens, eles precisam baixar o html e processar os demais elementos da página da mesma forma, o que nos leva ao Opera.

A partir da versão 10, a Opera incluiu o "Turbo", que permite navegar utilizando o proxy da Opera, o mesmo recurso que já era utilizado pelo Opera Mini, para celulares. O proxy se encarrega de limpar e comprimir o html das páginas, além de degradar a qualidade das imagens, o que reduz o volume de dados transferidos em de 4 a 8 vezes, resolvendo o problema da banda estreita.

Ele resolve também outro problema que é o fato de muitas páginas carregarem elementos de diversos servidores diferentes (scripts, anúncios, widgets, etc.), que obrigam o navegador a abrir diversas conexões diferentes, o que em uma conexão lenta pesa bastante. Com o Opera, o proxy é que se vira para fazer todas as requisições, entregando o html já mastigado para o navegador.

Enquanto escrevo, ele ainda está disponível através do Opera Labs, no: http://labs.opera.com/downloads/

... mas em breve ele deve estar disponível através da página principal de downloads:
http://www.opera.com/browser/

No caso da versão Linux, basta descompactar o arquivo e executar o instalador como root (depois de instalado, chame-o usando comando "opera"). O mais compatível é o arquivo "gcc4-bundled-qt4", que inclui todas as bibliotecas necessárias dentro do pacote, o que permite que ele funcione sem problemas em qualquer distribuição. É aconselhável levar os pacotes de instalação com você, em um pendrive ou CD, já que é difícil baixar 12 MB usando uma conexão de 2 KB/s.

Dentro do navegador, você pode ativar e desativar o uso do proxy clicando no ícone no canto inferior esquerdo. Ele também permite desativar o carregamento das imagens, o que pode ser feito se a coisa estiver mesmo feia:

navegando-miseria_html_2234d6b8

Graças ao uso do proxy, o Opera Turbo é atualmente o melhor navegador para conexões lentas. Vale lembrar que essa solução foi desenvolvida justamente para uso em celulares, que antes do aparecimento do EDGE e do 3G navegavam usando conexões GPRS, que são incrivelmente lentas.

Outro fator que pode atrasar bastante a conexão são as resoluções de nomes. Em conexões via GPRS não é incomum que a latência da conexão chegue a 2 ou 3 segundos, já que em áreas afastadas o sinal precisa passar por várias torres de retransmissão até finalmente chegar aos roteadores. Isso significa que cada resolução de DNS demoraria no mínimo de 4 a 6 segundos!

A melhor saída para amenizar o problema é usar um cache de DNS local, reduzindo assim o número de requisições. No Linux você pode usar o dnsmasq.

Ele está disponível em quase todas as distribuições e pode ser instalado usando o gerenciador de pacotes, como em:

# apt-get install dnsmasq

Como ele é bem pequeno (menos de 300k) você pode instalá-lo sem dificuldades mesmo no próprio local com a conexão lenta.

Com o pacote instalado, abra o arquivo "/etc/dnsmasq.conf" e adicione as seguintes linhas logo no início da configuração:

listen-address=127.0.0.1
no-resolv
server=208.67.220.220
server=208.67.222.222

Elas fazem com que ele escute apenas conexões locais (precaução de segurança) e use os servidores DNS especificados nas duas últimas linhas. Os dois endereços do exemplo são os endereços do OpenDNS, mas você pode substituí-los pelos endereços do provedor caso note que eles estão mais rápidos.

Depois de salvar o arquivo, reinicie o serviço para que a configuração entre em vigor:

# /etc/init.d/dnsmasq restart

A partir daí, você pode configurar o sistema para usar o "127.0.0.1" como DNS primário, deixando que o dnsmasq cacheie as requisições. No Linux, você pode simplesmente editar o arquivo "/etc/resolv.conf", adicionando a linha "nameserver 127.0.0.1" antes das demais, como em:

nameserver 127.0.0.1
nameserver 208.67.220.220
nameserver 208.67.222.222

Se o seu micro usa DHCP para obter a configuração da rede, o arquivo "/etc/resolv.conf" será modificado a cada acesso, voltando à configuração original, fornecida pelo servidor. Ao invés de ter que modificar o arquivo novamente, a cada acesso, adicione a linha abaixo no começo (começo, não final) do arquivo "/etc/dhcp3/dhclient.conf", onde vai a configuração do cliente DHCP:

prepend domain-name-servers 127.0.0.1;

Esta linha faz com que ele sempre adicione a linha "nameserver 127.0.0.1" no início do arquivo "/etc/resolv.conf", substituindo a edição manual.

Outra opção para acelerar a resolução de nomes é adicionar entradas para os sites que você acessa com frequência diretamente no arquivo "/etc/hosts". Fazendo isso, o sistema deixará de perder tempo resolvendo os endereços e acessará diretamente os endereços especificados.

Para descobrir os endereços IP, use o comando "dig" (que faz parte do pacote "dnsutils"), como em:

$ dig gdhpress.com.br

O endereço aparece na seção "ANSWER SECTION", como em:

;; ANSWER SECTION:
gdhpress.com.br. 81373 IN A 72.36.173.154

Ao adicionar as entradas no "/etc/hosts", basta adicionar o endereço seguido pelo domínio (uma linha para cada site), como em:

127.0.0.1 gdh localhost

72.36.173.154 gdhpress.com.br
74.125.67.100 google.com

32 comentáriosPor Carlos E. Morimoto. Revisado 23 de março de 2011 às 11h12

Comentários

 
por alessandra (anônimo) em 1 de junho de 2009 às 21h15
minha bença de internete e brt 3g mesmo eu que nunca tinha acessado internete antes quase morro de estress aja nervos so e boa mesmo de madrugada ate as 07:00 ou 8:00 por ai a velocidade constante dela e de 7,2 mbps oque vc me diz disso ja que nao tenho muita experiencia no assunto.sera que essas dicas vao me ajudar? porque isistem dias em que desisto de me conectar...ñ tem nem explicaçao.ja pensou um cidadao trabalhador ter que levantar de madrugada para acessar sua propria internete? eeeita brasil !!! olha que nao pagamos pouco por isso nao viu ? ainda nos obrigam a ficar com porcaria por que se quisermos desistir temos que pagar um salario para sair desse inferno; e brincadeira ???
 
por Fernando (anônimo) em 17 de abril de 2009 às 19h17
Pois é... mas a Telefonicae a Net SE RECUSAM a por seus "maravilhosos" serviços no meu bairro !!

Tenho uma "ótima" e "super-estável" (pelo menos isso)conexão de 42 kbps (5.2 KB) para downloads

Coisas do Brasil, enquanto isto os chacareiros e nobres se esbaldam nas conexões de 10 a 30 MBps
 
por Guilherme Pilotti (anônimo) em 5 de abril de 2009 às 13h03
Poizé, me foram utéis essas dicas porque faziam uns 5 anos que eu não usava internet abaixo dos 600K.
Mas essa semana, em meio a mudanças e tudo mais, estou esperando faz mais de 10 dias a Brasil Telecom instalar a ADSL na linha telefonica, enquanto isso, vou usando conexão discada do Pop - 48K é luxo - e tudo fica bem mais lento assim.

O Opera 10 eu já usava, mas as dicas do DNS e assemelhadas, me foram muito utéis.
 
por clesio (anônimo) em 29 de março de 2009 às 10h53
oi gente como se configura o moto Q da motorola para navega mais facil
 
por superjacu (anônimo) em 28 de março de 2009 às 19h59
Só o titulo !!
Só o titulo (e claro que os comentarios tbm)valeu cem mil palavras.Não se queixem ,pessoal de sampa,aqui no estado"abaixo do nivel da miséria tbm" i.e:R.J,a Lerdox distribui o que quer,convivo com eles ha cinco anos e sem opções num futuro longinquo.
 
por Diogo (anônimo) em 26 de março de 2009 às 16h24
Olá a todos, achei muito interessante o título e o conteúdo do texto e gostaria de saber se alguém conhece algum órgão oficial que tenha algum parâmetro para avaliar o grau de navegação dos usuários em relação a velocidade de acesso.
Parabéns pelo texto.
 
por nil santana (anônimo) em 26 de março de 2009 às 11h32
Navegando abaixo do nível da miséria realmente é um título apropriado, o triste mesmo é saber que não temos muito pra onde correr quando o assunto é qualidade de serviço no acesso a internet, as operadoras vendem planos que supostamente deveriam ser de 500kbps ou 1mbps mas na hora da entrega quando chega a 10% do contratado já parece que estamos com sorte.
 
por edersonhonorato (anônimo) em 26 de março de 2009 às 10h01
"Acredito que o Arnaldo estava se referindo ao Opera 10 preview que citei no artigo, ele ainda está disponível em versão única."

Instalei o opera 10 aqui tanto no Windows XP quanto no Kubuntu com KDE 4.1.
No XP não vi muita diferença do Firefox mas no Linux ele realmente ficou rápido e todo traduzido para o ptBR.
A versão que baixei do site do opera foi a opera_10.00.4214.gcc4.qt4_i386.deb para KDE4.X mas tem também uma versão com o qt3 para KDE3.X. Recomendo...

Parabéns ao Morimoto pelo belo artigo...E continue trazendo novidades para muitos de nós!
 
por AntonioFc (anônimo) em 26 de março de 2009 às 01h15
Nota 10 pelo artigo e tb para vc :-)

Vivemos em pais que querem fazer a inclusão digital vendendo PCs de baixo custo e ruins mesmo, mas esquecem do acesso a Internet .Não quero transformar a sua dica em uma questão politica mas posso dizer que talvez somente uns 20% da população do Brasil teem PC e acesso a Net e mesmo assim desses 20% ,grande parte acaba caindo no desinteresse pela educação precaria .
 
por Killall (anônimo) em 25 de março de 2009 às 19h42
Os dns vão ser perdidos ao reiniciar o pc ou reiniciar o dnsmask? Se sim, acaba não sendo muito eficaz. Já to meio nervoso com os dns do velox e suas travadas(funciona quando quer), e o openDNS que tem uma latência grande(~200ms), to a busca de uma solução :D.

Falto citar o squid, ou pelo menos o cache dos browsers(mesmo já vindo habilitado nos navegadores), faz uma enorme diferença, mesmo em conexões rápidas.

Tem também aqueles "aceleradores" do Uol e afins, mesmo achando uma furada(já que o serviço grátis e melhor esta disponível) é uma opção.

Acho que o squid merece um artigo só pra ele, ensinando como a fazer cache de paginas da web e vídeos do youtube(já fiz uma vez, mas é muito complicado, tem que instalar um "plugin" no squid, que requer o apache e mysql configurados).

O artigo esta ótimo, uma bela dica para quem ainda usa a discada ou mesmo um (in)feliz usuário do lerdox, como eu :D.

x300km@gmail.com