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Nokia N900, Maemo e dominação mundial
Por Carlos E. Morimoto em 18 de outubro de 2009 às 18h34
23O Maemo é um sistema baseado em Linux, mais precisamente no port ARM do Debian, que vem sendo desenvolvido pela Nokia sem muita fanfarra desde 2004.

A carreira do Maemo começou como um sistema para tablets, usado no N770 e em seguida no N800, que eram aparelhos destinados a fazerem par com um celular ou smartphone, oferecendo recursos mais poderosos de navegação e uso de aplicativos.
Na época, se achava que os tablets seriam o futuro dos dispositivos móveis, o que levou muitas empresas a investirem pesado no segmento, incluindo a Microsoft (com o projeto Origami) e a Intel, com os MIDs. Entretanto, os tablets acabaram perdendo a guerra para os netbooks, que rapidamente ocuparam o nicho entre os notebooks regulares e os smartphones.
Embora o N800 não tenha vendido tão bem quanto a Nokia esperava, ele acabou sendo a plataforma mais bem sucedida entre os tablets, com vendas várias ordens de magnitude maiores que as dos MIDs baseados em processadores Intel e outras plataformas.
Embora ele fosse originalmente caro (US$ 400 no exterior e quase R$ 1500 no Brasil) ele foi caindo de preço ao longo do tempo e chegou a ser vendido por R$ 399 em uma promoção do submarino quando estava prestes a ser descontinuado, o que o tornou um modelo relativamente popular no Brasil. Ele não é mais vendido, mas você pode comprar um usado por R$ 380 ou menos.
Outra opção é o N810, que está à venda por R$ 799 no Submarino. Ele oferece basicamente as mesmas funções do N800 (mesmo processador, mesma tela, mesma bateria, também 128 MB de memória, etc.) e também roda o Maemo 4.1. As diferenças são que ele é um pouco menor, possui um teclado deslizante, inclui um receptor GPS (no N800 é necessário usar um GPS externo) e inclui 2 GB de memória flash embutida, com espaço para um cartão SD adicional (o N800 oferece dois slots, mas não inclui os 2 GB).
Do ponto de vista técnico o N800 é um aparelho surpreendente. Embora use um processador fraco para os padrões atuais (um simples OMAP2420 de 400 MHz) e apenas 128 MB de RAM, ele oferece bons recursos de navegação web, com um navegador moderadamente responsível (com suporte a Flash), um volume surpreende de aplicativos (a grande maioria deles gratuitos), que podem ser instalados através de um navegador gráfico e uma grande tela de 800x480:

Além das funções de navegação, e-mail, RSS, players de áudio e vídeo (ele é muito bom para assistir vídeos graças à tela), ele possui um cliente SIP, Skype e Gizmo, visualizador de PDF, clientes de IM (incluindo um port do Pidgin), cliente bittorrent, pode ser usado como teclado e mouse bluetooth para o PC (útil em home theaters), roda emuladores do SNES, GameBoy Advance e vários outros consoles, inclui o Nokia Maps (para uso em conjunto com um GPS externo), roda o OpenSSH, VNC e outros utilitários Unix e assim por diante. É possível até mesmo rodar o KDE.
Embora não seja um celular, ele pode navegar através de um celular ou smartphone com plano de dados, via Bluetooth e, como de praxe, também através de redes wireless. O processo de conexão é bastante transparente: basta abrir o navegador ou algum aplicativo que precise de acesso à rede e ele mostra a lista das conexões disponíveis (incluindo a conexão do celular, caso você tenha feito o pairing entre os dois):

Usando um cabo mini-USB e um adaptador USB fêmea-fêmea é possível até mesmo conectar um teclado USB regular (assim como pendrives, câmeras e outros periféricos USB), transformando o N800 em uma mini-estação de trabalho, como nessa foto do xxM5xx:

O N800 pode ser atualizado para o Maemo 4.1 (OS2008 Diablo) que é a penúltima versão do sistema, ainda razoavelmente atual. Diferente de outros aparelhos, é possível ter acesso completo ao sistema, incluindo acesso remoto (SSH, VNC, etc.), terminal de root, possibilidade de desenvolver, empacotar e portar softwares para o sistema sem restrição, ou até mesmo substituir o Maemo por outra distribuição Linux compilada para processadores ARM.
O grande problema do N800 é o fato de ele ser grande e relativamente pesado, com 206 gramas. Considerando que você carregaria também um celular ou smartphone com mais cento e poucos gramas, é fácil perceber por que a maioria acabava preferindo deixá-lo em casa. Este acabou se revelando o grande problema com o conceito de tablet: poucos querem carregar dois aparelhos.
Não é segredo para ninguém que o principal objetivo da Nokia com o N770, N800 e N810 foi criar um campo de provas para a plataforma, permitindo que o sistema pudesse ser amadurecido antes de assumir sua missão principal, que é ser o próximo sistema operacional para os smartphones da Nokia, eventualmente substituindo o S60.
Esta é uma mudança que demorará vários anos para ser completada, mas podemos dizer que eventualmente o Maemo será o novo S60 e o S60 substituirá o antigo S40 nos feature phones. Tendo isso em vista, é fácil entender a decisão da Nokia de entregar o desenvolvimento do S60 à Symbian Fundation, permitindo que ele fosse usado também em aparelhos de outros fabricantes.
O primeiro modelo dentro da nova safra é o N900, um modelo high-end que oferece um formato similar ao do N97, com um teclado deslizante e tela touch-screen resistiva:

Ele inclui também uma câmera de 5 MP, suporte a HSDPA (3.5G), GPS, acelerômetro e 32 GB de memória interna de armazenamento, que pode ser expandida através de um cartão microSDHC de até 16 GB.
Entretanto, é aí que as semelhanças terminam. O N900 usa uma tela de 3.5" com resolução de 800x480 e é baseado no TI OMAP 3430, um processador bem mais poderoso que o utilizado nos Nokia atuais, composto por um processador ARM Cortex-A8 de 600 MHz, um acelerador 3D PowerVR SGX e um controlador TMS320C64x, responsável pela modulação dos sinais de voz e dados. Apesar do clock e da boa potência de processamento, ele é um chip de baixo consumo produzido em uma técnica de 65 nanômetros.
Assim como no caso do Maemo 4.1 usado no N800, ele oferece um bom suporte a multitarefa, com a única limitação sendo a memória disponível. Nesse ponto o N900 está bem a frente, já que oferece 256 MB de memória RAM física e mais 768 MB de memória swap feita na memória flash interna, contra os 128 MB de memória física e mais 256 MB de swap do N800.
O conjunto de softwares incluídos é também muito diferente, já que ele roda o Maemo 5. O navegador, por exemplo é um derivado do Firefox (o Maemo Browser), que embora não seja livre de falhas, é bem mais poderoso que a maioria dos navegadores móveis, oferecendo uma experiência de uma mais próxima da de um desktop (com suporte a AJAX, Flash, etc.). Ele é também compatível com a base de aplicativos disponíveis para o Maemo, que já representam uma lista lista relativamente grande e pode rodar outros aplicativos Linux portados para a arquitetura ARM, bem como versões portadas de aplicativos escritos para o S60:
O N900 pode ser considerado um aparelho de primeira geração dentro da nova plataforma, que é caro (500 euros), pesado (181 gramas) e é bem maior que um smartphone típico. Embora alguns o apontem como um "iPhone-killer" devido ao grande volume de recursos, ele está mais para um computador portátil do que para um smartphone.
Esta imagem que circulou na web a algumas semanas atrás acompanhando os rumores de um "N920" com tela capacitiva é falsa, mas a informação de que a Nokia pretende lançar uma versão menor do N900 sem o teclado realmente procede. Pode ser que no final ele não seja muito diferente da imagem feita no Photoshop:

Apesar de não parecer, o teclado do N900 aumenta muito o peso e a espessura do aparelho (veja a diferença entre o N97 e o 5800 XpressMusic, por exemplo). Removendo o teclado e fazendo algumas reduções adicionais não é difícil que a Nokia chegue a um aparelho mais fino e com um peso na casa dos 130 gramas. Este sim tem tudo para ser um grande sucesso, já que combinará o poder de fogo dos tablets com o formato dos smartphones, um conjunto sem dúvidas bastante atrativo.
Outro ponto forte do Maemo é o fato de ser um sistema quase que completamente aberto, diferente do Android, que depois do bom começo está caminhando na mesma direção do iPhone, tornando-se um sistema cada vez mais fechado e limitado. Isso tem atraído um volume cada vez maior de desenvolvedores, o que significa mais aplicativos e mais tweaks para a plataforma, um fator que deve aumentar bastante a flexibilidade e o volume de recursos no sistema conforme a plataforma for amadurecendo.
23 comentáriosPor Carlos E. Morimoto. Revisado 23 de março de 2011 às 13h00


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